Uma câmera de segurança registrou uma sequência de erros que terminou em um acidente envolvendo um autopropelido elétrico no Centro de Blumenau no início da tarde desta quinta-feira (29). As imagens mostram o que a instrutora de trânsito Márcia Pontes classificou como um conjunto de comportamentos perigosos, que evidenciam a falta de conhecimento e de respeito às regras de circulação.
O acidente aconteceu às 12h15min. Antes mesmo da colisão, a gravação já mostra outras situações que chamam a atenção. Primeiro, uma mulher atravessa a movimentada pista da Rua 7 de Setembro fora da faixa de pedestres. Nenhum carro passa naquele momento, mas ela arrisca atravessar e aperta o passo.
Na sequência, uma senhora que caminhava pela calçada quase é atingida por um autopropelido que também trafegava pela via de pedestres. O condutor passa rápido pelo espaço estreito entre ela e um poste, chegando perto o suficiente para assustar a mulher com a situação.
Segundos depois, outro autopropelido aparece na ciclofaixa do outro lado da rua transportando duas pessoas na contramão, um homem de 50 anos pilotando e uma menina de 13 anos na garupa. Ao chegar ao cruzamento com a Rua Capitão Euclídes de Castro, o veículo bate na parte dianteira de uma caminhonete. Os dois ocupantes vão ao chão. A motorista do carro para e presta socorro. O condutor da scooter não se feriu, mas a adolescente foi levada ao hospital.
“As pessoas estão indo para o trânsito com nenhum conhecimento de placa, de placa de advertência, de placa de regulamentação. Eles não conhecem preferência. Eles não sabem o que significam as inscrições no solo. Eles não sabem o que é proibido. E aqueles que sabem, insistem em fazer errado. Então, a gente tem que ter uma preocupação muito grande com essa hiperdifusão desse tipo de veículo”, elabora a instrutora.
Veja imagens do acidente
“Existem regras para eles”
Para a instrutora e especialista em segurança no trânsito Márcia Pontes, o episódio expõe os riscos da popularização desses equipamentos quando utilizados sem conhecimento da legislação e dos cuidados necessários para circular nas vias.
“Imagina, o veículo está saindo de um cruzamento, ele vai ingressar na via e ele não está imaginando que venha uma tranqueira dessa na contramão. Então, não tem como. Tem que respeitar, existem regras para eles”, aponta a especialista.
Segundo ela, os veículos de micromobilidade podem trazer benefícios importantes, como a redução da poluição e da quantidade de carros nas ruas. O problema está na maneira como parte dos usuários utiliza esses equipamentos.
Márcia destaca que o artigo 29 do Código de Trânsito Brasileiro estabelece uma hierarquia de responsabilidades no trânsito: os veículos maiores devem zelar pelos menores, os motorizados pelos não motorizados e todos pelos pedestres. Porém, isso não significa que quem utiliza equipamentos menores esteja livre de responsabilidades.
Em Blumenau, a regulamentação de ciclomotores, bicicletas elétricas e autopropelidos é regida pela Lei Municipal nº 9.800. A legislação alinha as regras da cidade ao Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e às resoluções do Contran.
A instrutora também ressalta que o motorista de automóvel precisa redobrar a atenção diante da presença desses veículos, antecipando possíveis situações de risco. Segundo ela, a falta de conhecimento de alguns usuários acaba colocando todos os envolvidos no trânsito em perigo.
A especialista também chama a atenção para a possibilidade de responsabilização de quem provoca uma colisão. Na avaliação dela, se um condutor de autopropelido causa danos a um automóvel por desrespeitar as regras de circulação, o motorista do carro pode até buscar indenização pelos prejuízos.
“Falta conhecimento”
Ao analisar o vídeo, Márcia ainda observa outro problema após a colisão. Um ciclista aparece e deixa a bicicleta no meio da rua para tentar ajudar as vítimas, enquanto outras pessoas se aproximam do local. Para a especialista, o atendimento também exige cuidados. O primeiro passo é sinalizar a área para evitar um segundo acidente e acionar o Corpo de Bombeiros ou o SAMU, conforme a gravidade da ocorrência.
Ao resumir o que as imagens revelam, Márcia reforça que muitos sinistros de trânsito são resultado de infrações que poderiam ser evitadas. Para ela, a expansão da micromobilidade precisa vir acompanhada de conhecimento sobre as regras e responsabilidade por parte de quem utiliza esses equipamentos.
“O que falta da parte das pessoas? Falta conhecimento para estar nas ruas”, termina Márcia Pontes.












