A ilha mais isolada do mundo tem 240 moradores, três sobrenomes e recebe nove navios por ano

Tristão da Cunha, território britânico no meio do Atlântico, fica a 2.400 km da África do Sul e a mais de 3.300 km da América do Sul, tem cerca de 240 moradores e recebe apenas nove navios por ano

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A rotina em um dos pontos mais remotos da Terra (Foto: Banco de Imagens)

Vista aérea de Tristão da Cunha, ilha vulcânica no Atlântico Sul considerada o assentamento humano mais isolado do mundo (Foto: Reprodução/Wikimedia Commons)

No coração do Atlântico Sul, um pequeno território desafia as noções mais comuns de convivência e infraestrutura. Considerada a ilha habitada mais isolada do planeta, Tristão da Cunha não conta com aeroporto nem grandes estruturas urbanas e mantém contato com o resto do mundo apenas por raras viagens marítimas ao longo do ano. Um cenário que faz até as cidades mais tranquilas parecerem movimentadas.

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Um ponto verde no azul do Atlântico

Tristão da Cunha integra um arquipélago vulcânico que faz parte do território ultramarino britânico de Santa Helena, Ascensão e Tristão da Cunha. A ilha que dá nome ao conjunto fica a cerca de 2.400 quilômetros da costa da África do Sul e a mais de 3.300 quilômetros da América do Sul, segundo a National Geographic. Por causa desse afastamento extremo, o local é considerado o assentamento humano mais isolado do mundo.

Uma população que cabe em um bairro

Com cerca de 240 pessoas, quase todas as famílias compartilham poucos sobrenomes, segundo levantamentos sobre a comunidade. Edinburgo dos Sete Mares, sua única vila, concentra toda a vida social, administrativa e econômica do território.

Os moradores vivem basicamente da agricultura de subsistência, da pesca de lagosta (principal produto de exportação) e da criação de gado. Por não possuir aeroporto, a ilha é acessível apenas por via marítima, em viagens de navio que partem da Cidade do Cabo, na África do Sul, e podem levar até dez dias.

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Apenas nove viagens de barco por ano

A raridade do contato com o mundo exterior é o fator mais curioso da ilha. Ao longo de todo o ano, embarcações de abastecimento e transporte chegam a Tristão da Cunha em cerca de nove ocasiões. Cada desembarque se torna um acontecimento marcante para os moradores, já que traz mantimentos, correspondências e, ocasionalmente, alguns poucos turistas dispostos a encarar a viagem.

Isolamento que desperta interesse global

Apesar das condições extremas, Tristão da Cunha desperta fascínio ao redor do mundo. A ilha possui moeda própria comemorativa, código postal e até um site oficial dedicado à venda de selos, itens bastante valorizados por colecionadores em todo o mundo.

Para quem tem interesse em visitar o local, é necessário se programar com bastante antecedência: as vagas nas embarcações são restritas e a fila de espera costuma ser extensa. Não à toa, outras ilhas remotas do mesmo arquipélago, como a Ilha Inacessível e a Ilha Gough, são patrimônio mundial da Unesco e simplesmente não recebem visitantes.

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Por Jean Lindemute