Igreja com mais de 200 anos foi construída a mão e é mais antiga do que a própria cidade em SC

Capela Santo Amaro, em Balneário Camboriú, guarda séculos de memórias e mistérios

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(Foto: Acervo Balneário Camboriú, PMBC, Reprodução)

Muito antes dos arranha-céus que hoje dominam a paisagem de Balneário Camboriú, uma pequena construção de paredes de pedra já fazia parte da história da cidade. No bairro da Barra, a Capela Santo Amaro, popularmente conhecida como Igrejinha da Barra, é a única edificação de arquitetura colonial que permanece preservada no município e guarda mais de dois séculos de histórias.

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Construída no início do século 19, a capela é um dos marcos do período em que os primeiros povoados começavam a se formar no litoral catarinense. Tombada como patrimônio histórico municipal e estadual, a construção resistiu ao passar dos anos e permanece no alto da escadaria em frente à Praça do Pescador, de onde é possível observar a Barra Sul, a Passarela da Barra e o Rio Camboriú.

A história da igreja é inclusive ainda mais antiga do que o próprio município. Já que Balneário Camboriú só foi criado oficialmente como cidade em 1964, muito tempo depois de a capela já fazer parte da paisagem da região.

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Fotos históricas mostram como era a Igreja da Barra antigamente

De acordo com a Fundação Cultural de Balneário Camboriú, a Igreja Matriz Nossa Senhora do Bom Sucesso, nome que recebeu originalmente, foi construída seguindo, em linhas gerais, o modelo das antigas igrejas jesuítas que influenciaram a arquitetura luso-brasileira.

Dentro da paróquia, a capela tem uma única nave, onde ficam a capela-mor e o coro. O espaço também preserva imagens religiosas e elementos que ajudam a contar a história da fé no bairro da Barra.

Entre os objetos mais conhecidos está um sino rachado, que atualmente fica protegido por uma redoma de vidro.

Construção da capela é cercada de mistérios

Consagrada como a edificação mais antiga da cidade, a construção da Igreja da Barra é rodeada por mistérios. Segundo relatos orais transmitidos entre gerações, a igreja teria sido erguida com pedra bruta, conchas, areia e uma argamassa à base de óleo de baleia, informação que até hoje não foi totalmente comprovada.

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O que se sabe com certeza é que sua construção contou com mão de obra escrava e que ela resistiu ao tempo como a única edificação colonial preservada no município.

O primeiro documento que confirma oficialmente a existência da capela é a Lei Provincial de 28 de março de 1840, que autorizava a construção. Em 1849, quando o Arraial de Camboriú se tornou freguesia, a igreja passou a funcionar como Matriz do Bom Sucesso.

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Os registros religiosos também ajudam a dimensionar a antiguidade do espaço. Os primeiros livros de batizados começaram em 1861, enquanto os registros de casamentos e óbitos são de 1863.

Igreja é a lembrança de uma época que já não existe mais

Em 2008 e também em 2014, a capela passou por processos de restauração, quando foram recuperadas cores originais e realizadas intervenções para preservar a construção. Hoje, a igrejinha divide espaço com uma cidade muito diferente daquela que existia quando a estrutura foi edificada.

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Atualmente, Balneário Camboriú é conhecida pelas construções modernas, arranha-céus cada vez mais altos e um estilo de vida luxuoso. Em meio à selva de pedra, a capela permanece como uma das lembranças do período em que a região era formada por comunidades pesqueiras e povoados costeiros, ajudando a preservar as raízes do município.

Acompanhe um tour pela capela