Uma réplica da Torre de Pisa em Pedras Grandes, no Sul de Santa Catarina, foi planejada para ser mais do que uma reprodução de um dos principais cartões-postais da Itália. O projeto pretende transformar a estrutura em um espaço dedicado à história da imigração italiana e ao desenvolvimento da região Sul do Estado.
A ideia partiu do prefeito Agnaldo Filippi ainda no início do primeiro mandato, em 2021. Segundo ele, a intenção era criar um marco para a ligação do município com a Itália, já que Azambuja, localidade de Pedras Grandes, foi a primeira colônia de imigrantes italianos do Sul de Santa Catarina, fundada em 1877.
A escolha da Torre de Pisa também teve como objetivo ampliar o potencial turístico do projeto. Embora muitos dos imigrantes que chegaram à região fossem originários do norte da Itália e a torre original esteja localizada na Toscana, o prefeito afirma que a intenção foi criar um símbolo que representasse a ligação de Pedras Grandes com o país como um todo.
Obra está na quarta licitação
A construção da réplica começou a ser planejada há cerca de três anos, mas o projeto enfrentou dificuldades para avançar. De acordo com Filippi, três licitações anteriores tiveram empresas que não apresentaram capacidade técnica e financeira para executar a obra.
A quarta licitação definiu a Araújo Construções, de Criciúma, como responsável pela execução. Conforme o prefeito, os trabalhos estão avançando e a previsão é que a estrutura seja entregue em agosto de 2027, dentro de um prazo estimado de 12 meses.
A réplica terá aproximadamente 30 metros de altura e oito metros de diâmetro, em uma escala de dois para um em relação à Torre de Pisa original. A estrutura terá sete andares e deverá pesar cerca de mil toneladas, entre aço e concreto.
Atualmente, segundo o prefeito, cerca de 400 toneladas já estão concentradas na base da estrutura, formada pela sapata radier e por uma sobrebase móvel.
Torre será inclinada depois de pronta
Uma das principais características da construção será a inclinação. Diferentemente da Torre de Pisa original, que adquiriu a inclinação ao longo do tempo por problemas relacionados à fundação e às características do terreno, a estrutura de Pedras Grandes será inclinada de forma planejada.
A proposta é que o procedimento seja realizado depois que a torre estiver pronta, possivelmente durante a inauguração.
Para isso, a estrutura foi projetada com um sistema formado por uma sobrebase móvel de oito metros de diâmetro, apoiada em um eixo central. Ao redor da torre, 30 parafusos deverão permitir a movimentação necessária para produzir a inclinação.
A ideia, segundo Filippi, é transformar o momento da inclinação em um dos principais acontecimentos da inauguração da réplica.
Museu digital contará história das famílias
Além da arquitetura inspirada na torre italiana, o projeto terá uma função voltada à preservação da memória da imigração.

Um dos espaços será destinado a um museu digital interativo da colonização italiana. A proposta é permitir que famílias com origem na Itália e ligação com Azambuja incluam informações sobre suas histórias e documentos, como certidões de nascimento.
O prefeito compara o projeto a uma espécie de “rede social da imigração italiana”. As informações deverão ser administradas e filtradas pela prefeitura.
A iniciativa também será reunida em um projeto chamado “Os Filhos de Azambuja”, que, conforme Filipe, deverá funcionar como um registro permanente da história das famílias. A ideia é que o conteúdo continue crescendo conforme novas gerações sejam incorporadas.
Escola de italiano e história do Sul
A Torre de Pisa também fará parte do Centro Educacional Nucleado de Pedras Grandes e deverá abrigar uma escola de língua italiana.
Os sete andares da estrutura serão utilizados para diferentes conteúdos. Entre eles, está a história da colonização italiana e outros aspectos do desenvolvimento do Sul de Santa Catarina.
O projeto também prevê parcerias com associações comerciais de Tubarão, Criciúma e Araranguá para apresentar informações sobre o desenvolvimento econômico da região.
Outro espaço será dedicado à história de Laguna, com destaque para a formação étnica da região, incluindo a presença de portugueses, espanhóis, africanos, alemães e outros grupos que participaram da formação do Sul catarinense.
A cidade também deverá ser apresentada a partir da importância histórica, com referências à sua antiguidade no Estado e à trajetória de Anita Garibaldi.
Ligação com a Itália
A construção da torre é apenas uma das iniciativas citadas pelo prefeito para reforçar a relação de Pedras Grandes com a Itália.
Filipe também mencionou o pacto firmado com a cidade italiana de Belluno, realizado há cerca de dois anos. Segundo ele, o município decidiu romper unilateralmente o acordo após mudanças promovidas pelo governo italiano nas regras de reconhecimento da cidadania por descendência, o iure sanguinis.
Apesar do rompimento, a prefeitura pretende manter a relação com a história italiana como um dos eixos do projeto da torre.
A intenção é que a estrutura reúna turismo, educação, memória e história, usando a réplica de um dos monumentos mais conhecidos da Itália como ponto de partida para contar a trajetória dos imigrantes que chegaram a Pedras Grandes e ajudaram a formar a região Sul de Santa Catarina.
