Uma antiga rota do ouro entre cânions do Cerrado vira a travessia mais surpreendente do Brasil

Conheça o Caminho de Santana, circuito circular de 78 km em Cavalcante (GO) que une natureza do Cerrado, 11 áreas protegidas e o Sítio Histórico Kalunga

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Caminho de Santana: a nova travessia de 78 km que conecta poços cristalinos, cânions do Cerrado e a história viva do Sítio Histórico Kalunga, em Cavalcante (GO).(Foto: Banco de imagem)

O município de Cavalcante, no norte da Chapada dos Veadeiros (GO), estruturou o Caminho de Santana, um circuito circular de 78 quilômetros no Cerrado. Com percurso que exige de quatro a oito dias de caminhada, a rota conecta 11 áreas de preservação ambiental ao Sítio Histórico Kalunga, surgindo como alternativa para quem busca horizontes abertos longe do clima úmido das serras litorâneas.

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Fotos: Poços Cristalinos e Cânions de Cavalcante

Três trechos e nível de dificuldade acessível

Para organizar a navegação e o planejamento dos visitantes, o Caminho de Santana divide a rota em três trechos principais. Embora a distância total exija fôlego e resistência acumulada, a dificuldade técnica do terreno é classificada como de leve a moderada.

As subidas dão tréguas ao longo do caminho, o que evita desgastes excessivos e torna o percurso viável inclusive para quem está começando em travessias de longa distância. O trajeto alterna estradas rurais de terra, veredas e trilhas de solo firme, sem necessidade de escaladas técnicas. 

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Conjunto de 11 áreas protegidas e os poços cristalinos do Cerrado

A caminhada começa e termina na praça da Igreja Matriz de Sant’Ana, no Centro Histórico de Cavalcante, povoado fundado durante a corrida do ouro no século 18. Ao avançar pela bacia do Rio das Almas e margear as serras das Araras e de Santana, o circuito interliga unidades de conservação e reservas ambientais locais.

Além de trechos do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e da Área de Proteção Ambiental (APA) de Pouso Alto, o percurso cruza o Parque Natural Municipal do Lava-pés e Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), como Bacupari, Vale das Araras, Ponte de Pedra e Água Santa.

Ao longo da travessia, o caminhante encontra cânions e poços naturais de tons verde e azul. A caminhada também permite integrar outros atrativos da região: a formação natural da Ponte de Pedra cruza o Rio São Domingos no próprio trajeto, enquanto as cachoeiras Santa Bárbara, Capivara e Candaru ficam na comunidade Kalunga do Engenho II, podendo ser visitadas antes ou depois do circuito.

Economia circular e valorização comunitária

Integrado à Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso (RedeTrilhas), o projeto foi desenhado para promover a conservação do bioma associado ao impacto econômico local. O trajeto atravessa propriedades privadas, reservas ambientais e o entorno do território Kalunga, a maior comunidade quilombola em extensão do país.

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A presença de condutores locais enriquece a caminhada com histórias de resistência, conhecimentos sobre a flora nativa e tradições comunitárias. A oferta de hospedagem em casas de moradores e o fornecimento de refeições garantem que a renda gerada pelo turismo beneficie diretamente as famílias da região.

Como planejar a travessia?

  • Quando ir: a janela climática ideal ocorre na estação seca do Cerrado, entre maio e outubro. Nesse período, o solo fica firme, o risco de trombas d’água nos rios é nulo e a visibilidade dos poços atinge o auge.
  • Logística e pontos de apoio: como a travessia pode durar até oito dias e cruza propriedades rurais e áreas protegidas, o planejamento antecipado de pernoites, refeições e pontos de abastecimento de água é indispensável.
  • Contratação de guias locais: o sinal de celular desaparece em vários trechos. A contratação de condutores e guias credenciados é fortemente recomendada para garantir a navegação segura e gerar renda direta para a comunidade Kalunga e moradores da cidade.

FOTOS: a Chapada dos Veadeiros em 15 imagens de tirar o fôlego