Uma antiga rota do ouro entre cânions do Cerrado vira a travessia mais surpreendente do Brasil
Conheça o Caminho de Santana, circuito circular de 78 km em Cavalcante (GO) que une natureza do Cerrado, 11 áreas protegidas e o Sítio Histórico Kalunga
Caminho de Santana: a nova travessia de 78 km que conecta poços cristalinos, cânions do Cerrado e a história viva do Sítio Histórico Kalunga, em Cavalcante (GO).(Foto: Banco de imagem)
O município de Cavalcante, no norte da Chapada dos Veadeiros (GO), estruturou o Caminho de Santana, um circuito circular de 78 quilômetros no Cerrado. Com percurso que exige de quatro a oito dias de caminhada, a rota conecta 11 áreas de preservação ambiental ao Sítio Histórico Kalunga, surgindo como alternativa para quem busca horizontes abertos longe do clima úmido das serras litorâneas.
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Fotos: Poços Cristalinos e Cânions de Cavalcante
Formações rochosas milenares compõem a paisagem da Chapada dos Veadeiros no interior de Goiás (Foto: Bertellifotografia, Pexels)Cânions e cachoeiras da região atraem turistas e dependem da preservação do equilíbrio hídrico local (Foto: Pablo Melo, Pexels) (Foto: Divulgação, MTUR)(Foto: Divulgação, MTUR)(Foto: Divulgação, MTUR)(Foto: Divulgação, MTUR)Onde o Cerrado revela seus tesouros mais surpreendentes e intocados. (Foto: Marcelo Camargo, Agência Brasil)
Três trechos e nível de dificuldade acessível
Para organizar a navegação e o planejamento dos visitantes, o Caminho de Santana divide a rota em três trechos principais. Embora a distância total exija fôlego e resistência acumulada, a dificuldade técnica do terreno é classificada como de leve a moderada.
As subidas dão tréguas ao longo do caminho, o que evita desgastes excessivos e torna o percurso viável inclusive para quem está começando em travessias de longa distância. O trajeto alterna estradas rurais de terra, veredas e trilhas de solo firme, sem necessidade de escaladas técnicas.
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Conjunto de 11 áreas protegidas e os poços cristalinos do Cerrado
A caminhada começa e termina na praça da Igreja Matriz de Sant’Ana, no Centro Histórico de Cavalcante, povoado fundado durante a corrida do ouro no século 18. Ao avançar pela bacia do Rio das Almas e margear as serras das Araras e de Santana, o circuito interliga unidades de conservação e reservas ambientais locais.
Além de trechos do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e da Área de Proteção Ambiental (APA) de Pouso Alto, o percurso cruza o Parque Natural Municipal do Lava-pés e Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), como Bacupari, Vale das Araras, Ponte de Pedra e Água Santa.
Ao longo da travessia, o caminhante encontra cânions e poços naturais de tons verde e azul. A caminhada também permite integrar outros atrativos da região: a formação natural da Ponte de Pedra cruza o Rio São Domingos no próprio trajeto, enquanto as cachoeiras Santa Bárbara, Capivara e Candaru ficam na comunidade Kalunga do Engenho II, podendo ser visitadas antes ou depois do circuito.
Economia circular e valorização comunitária
Integrado à Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso (RedeTrilhas), o projeto foi desenhado para promover a conservação do bioma associado ao impacto econômico local. O trajeto atravessa propriedades privadas, reservas ambientais e o entorno do território Kalunga, a maior comunidade quilombola em extensão do país.
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A presença de condutores locais enriquece a caminhada com histórias de resistência, conhecimentos sobre a flora nativa e tradições comunitárias. A oferta de hospedagem em casas de moradores e o fornecimento de refeições garantem que a renda gerada pelo turismo beneficie diretamente as famílias da região.
Como planejar a travessia?
Quando ir: a janela climática ideal ocorre na estação seca do Cerrado, entre maio e outubro. Nesse período, o solo fica firme, o risco de trombas d’água nos rios é nulo e a visibilidade dos poços atinge o auge.
Logística e pontos de apoio: como a travessia pode durar até oito dias e cruza propriedades rurais e áreas protegidas, o planejamento antecipado de pernoites, refeições e pontos de abastecimento de água é indispensável.
Contratação de guias locais: o sinal de celular desaparece em vários trechos. A contratação de condutores e guias credenciados é fortemente recomendada para garantir a navegação segura e gerar renda direta para a comunidade Kalunga e moradores da cidade.
FOTOS: a Chapada dos Veadeiros em 15 imagens de tirar o fôlego
Localizada no topo do Planalto Central, em Goiás, a Chapada dos Veadeiros é um dos destinos de ecoturismo mais fascinantes do Brasil. A região abriga o Parque Nacional, declarado Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco. (Foto: Banco de Imagens)A paisagem é dominada pelo bioma Cerrado, conhecido como a “savana brasileira” e berço das águas do país. A vegetação retorcida esconde uma biodiversidade única e resistente às mudanças de estação. (Foto: Banco de Imagens)O solo da região é composto por gigantescas placas de quartzo, o que confere um brilho especial ao terreno sob o sol. Acredita-se que a concentração de cristais de rocha atraia energias positivas e místicos do mundo todo. (Foto: Banco de Imagens)Entre os grandes cartões-postais está o Vale da Lua, com suas formações rochosas esculpidas pelas águas do rio São Miguel. As pedras acinzentadas lembram a superfície lunar, criando um cenário de outro planeta. (Foto: Banco de Imagens)A água é a grande protagonista da Chapada, com centenas de cachoeiras que brotam entre os paredões de quartzito. Muitas quedas d’água superam os 100 metros de altura, como os imponentes Saltos do Rio Preto. (Foto: Banco de Imagens)Para os aventureiros, as trilhas variam de caminhadas leves a percursos técnicos por cânions profundos. O contato direto com a natureza bruta é a principal recompensa em cada quilômetro percorrido. (Foto: Banco de Imagens)A fauna local é um espetáculo à parte, sendo possível avistar araras-canindé e tucanos sobrevoando os vales. Animais raros, como o lobo-guará e o veado-campeiro, também habitam as áreas de preservação. (Foto: Banco de Imagens)O Jardim de Maytrea é um dos pontos de parada obrigatórios para contemplação e fotografia na beira da estrada. O campo de buritis emoldurado por montanhas representa a harmonia perfeita do ecossistema local. (Foto: Banco de Imagens)As vilas de São Jorge e a cidade de Alto Paraíso servem como bases principais para os visitantes da região. O clima rústico e acolhedor dessas comunidades reflete o estilo de vida tranquilo da Chapada. (Foto: Banco de Imagens)Além das quedas d’água, os poços de águas termais oferecem relaxamento com temperaturas naturalmente mornas. É o destino ideal para quem busca renovação física e mental após um dia de trilha. (Foto: Banco de Imagens)O pôr do sol na Chapada dos Veadeiros é famoso por tingir o céu com tons intensos de laranja e rosa. O horizonte aberto do Planalto Central permite uma visibilidade privilegiada do fim do dia. (Foto: Banco de Imagens)A preservação do Cerrado é fundamental para a manutenção das nascentes que abastecem importantes bacias hidrográficas brasileiras. O turismo sustentável ajuda a conscientizar sobre a fragilidade deste bioma. (Foto: Banco de Imagens)Durante a noite, o baixo índice de poluição luminosa transforma o céu em um verdadeiro observatório astronômico. A Via Láctea costuma ser visível a olho nu, encantando observadores e fotógrafos. (Foto: Banco de Imagens)Cada época do ano oferece uma experiência diferente, desde o verde vibrante das chuvas até o dourado intenso da seca. A Chapada se transforma, mas mantém sua essência mística e selvagem. (Foto: Banco de Imagens)Visitar a Chapada dos Veadeiros é mergulhar na força da terra e na pureza das águas goianas. É um convite para desconectar do ritmo urbano e reencontrar o equilíbrio no coração do Brasil. (Foto: Banco de Imagens)