Quem planeja uma viagem à capital federal costuma incluir no roteiro os traços de Oscar Niemeyer e a imponência dos palácios do Poder. No entanto, localizado a cerca de 11 a 13 quilômetros de distância do centro da capital (Plano Piloto), o Zoológico de Brasília guarda o capítulo mais humano da história da cidade. O parque abriu as portas em 1957, três anos antes da fundação oficial do Distrito Federal, nascendo como um abrigo emergencial para os animais resgatados do desmatamento das obras e se tornando a primeira opção de lazer dos operários que ergueram o país.
FOTO: Zoológico de Brasília antes dos palácios da capital
O sacrifício no fosso
A atmosfera acolhedora do parque ganha contornos de pura emoção ao se descobrir a origem do seu nome oficial: Jardim Zoológico Sargento Sílvio Delmar Hollenbach. Em 30 de agosto de 1977, durante um passeio em família, o militar viu um menino de 12 anos cair acidentalmente no recinto das ariranhas. Sem hesitar, Hollenbach saltou no fosso para resgatar a criança. Ele conseguiu salvar a vida do garoto, mas sofreu dezenas de mordidas e faleceu dias depois. Seu ato altruísta virou símbolo de bravura nacional e está eternizado em um busto de bronze logo na entrada do espaço.
Diplomacia, carinho popular e gigantes idosos
O passeio reserva curiosidades que misturam o afeto da população com a diplomacia internacional. A icônica elefanta Nely, xodó absoluto dos moradores nas primeiras décadas, mobilizou a cidade nos anos 90 quando adoeceu, motivando empresários a cederem um avião para buscar seus remédios em São Paulo. Sua partida comoveu o líder sul-africano Nelson Mandela, que presenteou o local com um casal de elefantes em sua visita oficial ao país. Hoje, esse carinho se reflete no atendimento de cuidados geriátricos dedicado a moradores veteranos, como a hipopótama Bárbara, que já ultrapassou os 42 anos de idade.
Pioneirismo científico de alcance global
Membro da prestigiada WAZA (Associação Mundial de Zoos e Aquários), o parque foi além do turismo e virou centro de pesquisa internacional. Foi lá que a medicina veterinária registrou o primeiro caso do mundo de uso de células-tronco para curar um animal selvagem: uma fêmea de lobo-guará atropelada. Um destino imperdível para quem busca ver de perto como o compromisso com a vida e com a memória moldaram a capital do Brasil muito antes do primeiro gramado ser plantado na Esplanada.
*Com edição de Nicoly Souza











