Ganhos das ações do setor bancário somados ao desempenho positivo do ramo das matérias-primas impulsionaram a alta da Bolsa de Valores brasileira nesta terça-feira (9), que resistiu a um dia de valorização do dólar e de elevação dos juros diante da tensão de investidores com a divulgação da inflação nos Estados Unidos nesta quarta-feira (10).
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O Ibovespa, índice parâmetro da Bolsa, subiu 0,23%, a 108.651 pontos. Essa foi a sexta elevação consecutiva do indicador, que avançou na contramão dos principais mercados de ações.
Em Nova York, os índices de ações mais importantes caíram. Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq perderam 0,18%, 0,42% e 1,19%, nessa ordem.
A apreensão quanto aos dados do exterior contrastou com sinalizações positivas no cenário doméstico, com a ata do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central sinalizando a estabilização da taxa de juros e a deflação mensal registrada pelo IPCA de julho indicando desaceleração dos preços.
Entre os papéis que tiveram maior peso nesse resultado estão os ganhos de Itaú Unibanco (2,61%), Vale (2,07%), Banco do Brasil (1,67%) e Petrobras (1,64%).
O lucro líquido de R$ 7,7 bilhões do Itaú no segundo trimestre de 2022, divulgado na véspera, deu fôlego ao setor bancário nesta sessão.
— Itaú veio com balanço muito bom — comentou Marcus Labarthe, fundador da GT Capital Investimentos.
No lado negativo do pregão, empresas ligadas ao consumo e serviços caíram.
A empresa de viagens CVC desabou 10,96%. Investidores apostaram na desvalorização da companhia após o J.P. Morgan ter rebaixado os preços dos papéis da companhia, disse Labarthe.
Desempenhos negativos do setor de consumo, assim como a elevação dos contratos do mercado privado de juros com vencimento a partir de 2025 podem significar mais preocupações com a divulgação da inflação nos EUA, nesta quarta, do que com os dados da economia doméstica, segundo Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos.
Ela considera que a ata do Copom deixou claro que o Banco Central “pretende conduzir a Selic para um patamar terminal provavelmente em 13,75%” ao ano, enquanto avalia novos dados da inflação.
— O plano de voo parece ser deixar a Selic nesse patamar por mais tempo — disse Abdelmalack.
Dólar sobe 0,31% com investidor atento a inflação nos EUA
No câmbio brasileiro, o dólar subiu 0,31%, cotado a R$ 5,1290. “O dólar avançou, indicando demanda pela moeda na faixa dos R$ 5,15, sugerindo cautela dos investidores que estarão atentos aos dados de inflação ao consumidor nos Estados Unidos”, comentou Leandro De Checchi, analista da Clear Corretora.
Novos dados sobre a inflação americana nesta semana podem dar pistas se o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) manterá ou não o ritmo do aperto monetário.
Na semana passada, o governo dos Estados Unidos surpreendeu o mercado ao divulgar dados sobre a criação de vagas de trabalho que superaram as expectativas para julho.
Isso indicou que a economia americana não estava em recessão, apesar de duas quedas trimestrais consecutivas do PIB (Produto Interno Bruto).
Por isso, investidores voltaram a considerar que o Fed manterá um nível semelhante de aumento da sua taxa de juros das duas últimas reuniões, de 0,75 ponto percentual.
No mercado de petróleo o dia foi de volatilidade. Os preços alternaram em resposta às preocupações com a interrupção do fluxo em um oleoduto que passa pela Ucrânia para levar a matéria-prima da Rússia para Hungria, Eslováquia e República Tcheca, conforme reportou a Bloomberg.
No final do dia, porém, o barril do Brent recuava 0,26%, cotado a US$ 96,40. Mais cedo, chegou a ser cotado acima dos US$ 98.
* Reportagem de Clayton Castelani
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