Guerra na Ucrânia entra na quarta semana sem trégua e marcada pela subida de tom

Conflito segue com bombardeios no território ucraniano

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Putin e Zelensky subiram o tom em discursos na última semana (Foto: Pedro Ladeira / Folhapress e AFP / Ukraine Presideny Handout)

Por Fabrício Vitorino

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Jornalista, gerente digital da NSC e mestre em cultura da Rússia

Uma jovem segura um cartaz em branco, em frente a um ponto turístico. De repente, policiais chegam e a prendem. Outra jovem segura uma placa, com um dos mandamentos de Deus: “Não matarás”. Em seguida, também é detida. Em outra parte do país, uma jovem grava um vídeo para o TikTok, em frente a um monumento, na capital. O que acontece? É presa. Crianças, que seguravam placas “não à guerra”, também foram presas, junto com seus pais.

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As cenas descritas acima não são surrealismo. Elas aconteceram na última semana, em diferentes partes da Rússia. A guerra desencadeada após a invasão à vizinha Ucrânia mobilizou um aparato repressivo que vai entrar para a história por sua intransigência. Nesta semana, os dois primeiros casos baseados na nova lei que criminaliza a “disseminação de fake news”, com punição de até 15 anos e prisão, foram a julgamento, na cidade de Tomsk. A infração de ambos? Contestar, na internet, a “guerra” (que na Rússia precisa ser chamada de “operação especial”.

A semana foi marcada pela subida de tom dos principais líderes do conflito. Enquanto Vladimir Putin ameaçou traidores da pátria (soldados desertores, capturados e russos que protestam contra o conflito), e fala abertamente em punir os Estados Unidos e o Ocidente, Volodymir Zelensky aumenta a retórica de cobrança por ajuda de países da União Europeia. Já o presidente americano, Joe Biden, fala em 3ª Guerra Mundial e reforça que a Rússia deve retroceder.

O fato é que a guerra segue em curso na Ucrânia. Ocidente e Rússia parecem estar longe de um acordo. As duras sanções impostas ao povo russo já começam a fazer efeito – punindo essencialmente, a mesma população que, muitas vezes, ou não sabe o que acontece ou, se sabe, em grande parte não apoia.

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Em 1869, Liév Tolstói terminou de escrever a obra “Guerra e Paz”. Nos diários, em dado momento, ao falar sobre a guerra russo-japonesa, ele pontua: “despotismo produz a guerra, e a guerra produz o despotismo. Aqueles que querem lutar contra a guerra deveriam lutar apenas contra o despotismo.”

Em 2001, numa entrevista, Putin disse que a vida de um represente eleito era mais confortável que a de um czar. “Em algum momento você voltará à sua vida normal, e será importante não ficar envergonhado do que fez”.

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Em 1974, Alexander Soljenítsin, historiador que denunciou as atrocidades da União Soviética em “O Arquipélago Gulag”, deu uma entrevista ao New York Times. “Em nosso país, a Rússia, a mentira se tornou não apenas uma categoria moral, mas um dos pilares do Estado”.

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Quando completou 22 anos de governo – e sem perspectiva de deixar o poder –, Pútin (um déspota?), invadiu a Ucrânia e chamou a guerra de “operação especial”.

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