O Sindicato da Indústria da Construção da Grande Florianópolis reelege a diretoria nesta sexta-feira numa fase de otimismo do setor. O empresário Marco Aurélio Alberton, que será reconduzido à presidência da entidade, destaca que o setor segue crescendo. Um dos destaques foi o aumento de 6,5% no total de contratações de trabalhadores no período de janeiro a julho deste ano, frente ao mesmo período de 2021.
A entidade também está otimista com o avanço das negociações para a atualização do plano diretor de Florianópolis, facilitando construções e incluindo mais oportunidades para oferecer habitações mais acessíveis. O início da queda de preços de materiais para o setor também anima. Saiba mais na entrevista a seguir.
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O senhor vai assumir novo mandato à frente do Sinduscon Grande Florianópolis. Como foi a primeira gestão?
– Temos as eleições nesta sexta-feira, com chapa única. Fomos convidados pelo conselho, pelos associados, a fazer mais um mandato, que seria o último. Nós reduzimos para dois anos o mandato no Sinduscon, antes eram três anos, e só pode uma reeleição. Então eu vou fazer mais um mandato, para consolidarmos as ações que nós estamos fazendo. Temos, também, alguns desafios traçados, um pouco diferente desse primeiro mandato.
Há algum tempo eu participava do Sinduscon e fui convidado por um conselho, um grupo de empresários, para assumir a presidência do Sinduscon para fazer um trabalho que nós chamamos de novo Sinduscon, para trazer inovação, novos associados, um conselho construtivo forte, participativo.
Na época, em 2020, montamos um conselho integrado por líderes de grandes empresas como o Daniel Dimas, o Roberto Deschamps, o Marcelo Gomes da Pedra Branca, o Paulinho Silveira da Lumis e o Waltinho Koerich. Montamos uma diretoria e estabelecemos dez objetivos para um novo Sinduscon, com gestão mais participativa, representatividade forte, diálogo com a sociedade e com as entidades, estruturar ele financeiramente, ter um Sinduscon mais abrangente, fortalecer o associativismo, entre outras demandas.
A gente fez isso durante esses dois anos, tivemos um período de pandemia, mas conseguimos trazer novos associados, reestruturar o Sinduscon, ter voz ativa e participar junto das demandas da sociedade, dos interesses, evidentemente, do nosso setor, e em razão desse projeto que montamos, fui convidado para continuar, estabelecendo novos objetivos.
Quais serão as prioridades do novo mandato?
– Um dos objetivos é trazer novos associados para a diretoria, novas empresas, novas gerações. Estamos mantendo a base do conselho, mas renovando os objetivos de consolidar o Sinduscon dentro do mercado como uma entidade importante, que participa efetivamente do crescimento da cidade, fazendo com que nosso setor seja reconhecido como o setor legal da indústria da construção, com empresas que atuam de acordo com o plano diretor, que cumprem as leis, não constroem em áreas de preservação. Então, estabelecemos algumas bandeiras extras, que nós queremos levar à frente por mais dois anos de mandato. A chapa é única e a posse deverá ser no próximo mês de outubro.
O que vai mudar na diretoria?
– Fizemos algumas mudanças. Hoje, o vice-presidente é o Roberto Deschamps. O próximo vice-presidente passa a ser Daniel Dimas. Boa parte do conselho será mantido, mas estamos trazendo novas empresas e jovens da segunda ou terceira geração, para iniciar essa participação no Sinduscon pensando já na continuidade da entidade, nessa troca de conhecimento da juventude com os mais experientes.
A questão do plano diretor de Florianópolis se tornou uma novela, mas tem tido avanços recentes. Como o senhor avalia essa evolução?
– Primeiro, acho importante destacar que independente do que aconteceu no passado, houve um ajuste do Ministério Público e foram cumpridas todas as etapas estabelecidas. As 14 audiências foram realizadas, mais de mil consultas públicas recebidas. Tivemos, pela primeira vez na história, uma participação 100% do prefeito (Topázio Neto). Ele estava em todas as audiências, dando legitimidade a essas audiências.
O Sinduscon participou de todas as 14 audiências também, com seus representantes. Evidentemente, você nunca consegue agradar a todos, mas houve a oportunidade de todos participarem, foi um processo bastante democrático, agora, também, no Conselho das Cidades, que ouviu e recebeu novas propostas de adequação e ajuste. Foi um trabalho incansável do prefeito Topazio e toda equipe que ele montou.
O Sinduscon teve participação sempre que possível, contribuindo sempre. A nossa ideia é sempre ter uma participação pró-ativa junto às entidades. E agora, o Conselho das Cidades esteve reunido na última sexta-feira. Depois de receber os votos de vistas dos relatores, esperamos que o prefeito deva encaminhar para a Câmara de Vereadores, e lá, o presidente Roberto Katumi, fará mais duas audiências, acordadas com o Ministério Público para novamente ouvir alguma nova demanda da sociedade, das entidades, para que a Câmara dos Vereadores possa fazer as suas avaliações nas comissões e que possamos, ainda dentro de 2022, aprovar essa revisão do plano diretor, que traz muitos benefícios à cidade.
Que benefícios o senhor destaca com essas mudanças no plano diretor?
– Principalmente, no sentido de segurança jurídica, já que o plano diretor de 2014 tinha muitos problemas. As mudanças no plano trazem excelentes mecanismos, também, de incentivo nas habitações de interesse social. Posso citar uma das mais importantes, que são as Áreas de Urbanizações Especiais (AUEs), que trazem uma regra na proposta que é de transformar essas áreas, que são áreas de expansão da cidade, fazendo com que 15% delas áreas sejam dedicadas para habitações de interesse social, e um terço desses 15% para habitações de baixa renda.
Então, abre um grande potencial, além dos incentivos que vêm também, podendo melhorar um pouco o potencial, de viabilizar as habitações de interesse social. Nós sabemos há quantos anos Florianópolis não consegue viabilizar economicamente uma habitação de interesse social, fazendo com que as pessoas menos favorecidas que trabalham na cidade ou acabem invadindo áreas de preservação permanente, ou morando próximo da capital, piorando ainda mais a mobilidade. A ideia é criar mecanismos para que a gente possa, efetivamente, fazer algo diferente porque da maneira como está, não tem funcionado.
Existem outras políticas que podem ser implementadas. O aluguel social é uma delas. Existem outros mecanismos, também, como o projeto Lar Legal, do Tribunal de Justiça, que é legal e para áreas já consolidadas. Evidentemente, nós não podemos incentivar a invasão de áreas de preservação, mas tem áreas que já estão consolidadas, que você pode fazer correções necessárias, para poder permitir que as pessoas tenham moradia com dignidade.
Como está a atividade da construção civil em Florianópolis?
O setor da construção civil sofre muito com as dificuldades de mercado, mas, também, é um dos primeiros a dar respostas. Nós temos visto isso nos números divulgados, que é um setor que alavanca a indústria e a geração de empregos em todo o Brasil. Em 2021, nós tivemos um crescimento do setor da indústria, uma retomada, digamos assim, em razão de 2020, quando houve uma queda bastante abrupta, e em 2022 nós estamos consolidando esses números.
Se nós formos ver o nível de empregos na construção civil de 2022 de janeiro até julho, tivemos crescimento de 6,5% no total de contratações na indústria da construção civil da Grande Florianópolis. Em se tratando de SC, em 2022, tivemos 10,26% de acréscimo na construção civil. No Brasil, crescemos 7,60%. São dois milhões e 600 mil trabalhadores diretos. Mas se formos envolver a cadeia toda, que envolve a construção é muito mais. Isso porque a gente sabe que quem compra apartamento, daqui a pouco está comprando eletrodoméstico, sofá, cortina, geladeira. Então, envolve todos os setores econômicos.
A oferta de crédito continua favorável, apesar da alta dos juros?
Outro dado interessante que temos é o da Associação Brasileira de Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Nós tivemos o fechamento de julho com R$ 18 bilhões em crédito imobiliário para construção e aquisição no país, ou seja, um aumento de 18,5% frente ao mês anterior. Vamos fechar no ano de 2022 com maior valor. Isso mostra a resiliência do setor, porque saímos de uma taxa de juros de 2% e fomos para 13%, quase 14%. Mas, em compensação, o crédito imobiliário saiu de 6% para 8,5%.
Há um crédito imobiliário subsidiado para o setor. Hoje, você consegue taxas acessíveis. Enquanto as taxas de juros do país aumentaram 10 pontos percentuais, o crédito imobiliário aumento de três a quatro pontos percentuais. Quando era 2%, também não era 2% o crédito imobiliário, tinha taxas de 5%, 5,5% na época. Hoje, a gente consegue taxas entre 8,5% e 9%. Isso mostra que o mercado ainda está resiliente.
Como está a inflação dos materiais?
– Vimos um aumento muito grande dos materiais em razão da crise que houve, do desabastecimento das indústrias. Então, o setor viu muita dificuldade, teve que repassar no fim, parte desses custos ao consumidor final. Mas no cálculo do Custo Unitário Básico (CUB) de agosto a gente já verificou deflação em alguns materiais, e esse cenário já está se demonstrando para o mês de setembro também.
