Por que os caças Gripen da Força Aérea Brasileira viajam a SC em navios

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Operação de desembarque do primeiro Gripen em Navegantes, em 2020 (Foto: Reprodução)

O navio Marsgracht, de bandeira holandesa, que trouxe a bordo dois caças Gripen F-39 comprados pela Força Aérea Brasileira atracou às 22h30 de sexta-feira (1) no cais da Portonave, em Navegantes. Os aviões, que foram construídos na Suécia, deverão fazer o primeiro voo no Brasil a partir de Santa Catarina, em data ainda não divulgada.

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A decisão da FAB de trazer os aviões supersônicos ao Brasil embarcados em um navio, e não pelo ar, chama atenção. Fontes do setor ouvidas pela coluna, em condição de anonimato, disseram que a escolha do transporte marítimo leva em conta os custos, e é praxe nesse tipo de entrega.

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Construídos como armas de guerra, os caças têm algumas particularidades que tornariam a travessia pelos ares inviável. Uma delas é a autonomia de voo, menor do que a de uma aeronave comercial de transporte de passageiros. Caso voassem a partir da Suécia, os aviões precisariam de pausas para abastecimento estabelecidas no roteiro – o que encareceria a operação.

Navio com novos caças Gripen da FAB chega a SC

Os especialistas dizem que também seria necessário mobilizar pilotos e aeronaves de retaguarda da FAB, o que multiplicaria os custos do transporte.

Outro ponto levado em conta é a burocracia que envolve sobrevoar o espaço aéreo de outros países com uma aeronave de guerra, incrementada com diversos tipos de armamento, como mísseis de longo e curto alcance. A alternativa seria transportar os aviões sem os equipamentos bélicos.

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Na aviação mundial, um dos países que costumam fazer entregas “pelo ar” são os Estados Unidos. Parte dos caças F-5 norte-americanos comprados pelo Brasil ao longo das últimas décadas, que agora serão aposentados pela FAB com a chegada dos Gripen, chegaram ao país voando. Para isso, exigiram abastecimento em voo.

Sigiloso

O desembarque dos caças Gripen em Navegantes é mantido em sigilo pelo porto, pela Saab – empresa sueca que construiu os aviões de guerra – e pela FAB. Mas é possível sondar os próximos passos, levando em conta a primeira operação de chegada de aeronaves que ocorreu em setembro de 2020, quando a Portonave recebeu o Gripen de ensaios.

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O avião chegou lacrado, na área interna do navio, e a retirada levou cerca de seis horas – uma operação cercada de cuidados. A aeronave permaneceu por alguns dias no porto, até ser rebocada ao Aeroporto de Navegantes, onde decolou pela primeira vez no Brasil.

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