Loco por Vino: queijo Parmigiano Reggiano x Grana Padano

Fomos à famosa cidade de Parma, passar a manhã em uma fábrica de queijos Parmigiano Reggiano, acompanhando todo o processo, degustando e debatendo muito sobre o assunto

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Queijos (Foto: NSC)

Hoje vamos falar do verdadeiro queijo parmesão, o amigo inseparável das pastas. Quando fiz minha faculdade de Gastronomia escutava muito sobre o Grana Padano e, ainda hoje, escuto muitas pessoas, com vocação “Gourmet”, colocando o Padano como top de qualidade quando se fala dos queijos Grana. Mas será?

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Pois bem… Fomos à famosa cidade de Parma, passar a manhã em uma fábrica de queijos Parmigiano Reggiano, acompanhando todo o processo, degustando e debatendo muito sobre o assunto. O Parmigiano Reggiano é considerado o irmão rico do Grana Padano, está no topo quando se fala em queijos de pasta dura tipo grana.

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Notem que quando falamos de queijo parmesão, estamos falando de queijo “tipo parmesão”, pois o original e único que pode levar o nome Parmigiano Reggiano, deve ser produzido na região em volta de Parma e Modena, usar leite cru, sem adição de conservantes, de vacas locais, que comem comida local… Realmente eles marcam o território. Aqueles saquinhos de queijo parmesão, que compramos no supermercado, estão longe de serem respeitados e por não terem uma classificação, a qualidade varia muito. E isso já sabemos, quantos saquinhos parecem ser de farinha?

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Quando falamos de classificação, falamos de D.O.P, denominação de origem protegida, que controla a autenticidade e qualidade do queijo.

Visitamos a maior cooperativa de Parma e região e vamos mostrar através de fotos o processo de produção do verdadeiro Parmigiano Reggiano.

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O principal ingrediente dos queijos, o leite, é recebido de noite e logo pela manhã. A remessa da noite descansa nestas mesas para ser separada a gordura, que é vendida para produção de manteiga. O leite da ordenha da noite anterior repousa nos tachos até a ordenha do dia seguinte. Isso faz com que parte da gordura aflore e possa ser retirada antes de se misturar o leite da manhã, integral, ambos não são pasteurizados. 

Após a colocação do coalho, as máquinas “quebram” a massa em finos grãos que são aquecidos para a retirada do soro. Note que o soro do leite, rico em proteína, é o alimento principal dos porcos que vão ser abatidos para a obtenção do famoso presunto de Parma.

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O soro do leite, também chamado de whey, é separado e fermentado por 24 horas, sempre sendo usado no dia seguinte para ajudar na fermentação. Chegamos as 8h45min da manhã e conseguimos acompanhar todo o processo de produção que é finalizado em algumas horas. Após a parte sólida descansar, por aproximadamente uma hora, a massa vai direto para as formas. 

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De lá os queijos vão para as salas de “curagem”. Nestes tanques os queijos ficam submersos em água com sal por um mês. Por efeito de osmose, apenas o sal entra nos queijos, enquanto água e gordura são retiradas.No teste do martelinho o especialista em queijos descobre se a peça possui bolhas e distingue qual queijo deve ser classificado como primeira e segunda linha. 

Agora uma dica importante: os queijos de segunda linha recebem marcas na casca. Observem o queijo que o especialista segura, possui varias ranhuras. Isso evita que lojas vendam o queijo como sendo de primeira linha. Aqui os queijos descansam por no mínimo 12 meses, porém encontramos queijos de cinco, dez e até 15 anos. No primeiro ano, o queijo perde em média 20% do seu peso, e a medida que fica mais velho, fica mais fácil de ser digerido, com tons mais escuros e mais firme.

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A cinta que grava no queijo informações importantes como produtor e data de fabricação é colocada por alguns dias nos estágios iniciais do queijo. Esta cinta recebe uma mudança quase que imperceptível todos os anos, sendo outra ferramenta para garantir a autenticidade dos Reggiano.

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No final, degustamos um queijo envelhecido por 24 meses, sabor único, um queijo que com esta idade lembra muito frutas frescas e abacaxi e que vai muito bem com vinhos de colheita tardia e aceto balsâmico. (Quando falamos de balsâmico, estamos nos referindo ao original de Modena DOP e não ao “vinagre” aceto balsâmico di Modena).

O ritual para provar o queijo é o de apertar, cheirar e finalmente comer. Uma mescla de adocicado, salgado e finalmente picante, pode ser sentida em cada exemplar, que vai mudando de acordo com a maturação. Quanto mais velho, mais intensas as sensações e mais picante fica o Regianno.

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É normal perceber uma oleosidade na massa, sentir uma granulosidade e também perceber pequenos cristais esbranquiçados (como de açúcar) no queijo. Quanto mais maturado, mais cristais se percebe na mastigação. Este cristal se chama “tirosina” e é um indicador de qualidade do produto, uma característica de que a maturação do queijo está seguindo o seu curso natural. Mas qual a diferença entre Grana Padano e Parmigiano Reggiano?

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Antes de mais nada, convém esclarecer que ambos são queijos do tipo “grana”. Parmigiano Reggiano e Grana Padano são marcas registradas. No Parmigiano Reggiano é proibida qualquer adição de aditivos e por isso é mais salgado, para garantir que o sal preserve o queijo. Já no Padano, é adicionado a Lisozima para controlar a fermentação anormal.

Outra diferença está na maturação. O Reggiano tem mínimo de 12 meses com média de 24, e o Padano, mínimo de nove meses, média de 15. O tratamento do leite e da produção também é diferente… Os produtores do Parmigiano Reggiano têm mais restrições: coletam o leite duas vezes por dia e produzem o queijo apenas uma vez por dia, sendo proibido o esfriamento do leite abaixo de 18 graus.

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O leite da manhã (3% de gordura) é misturado ao leite da noite (1,5% de gordura). Desta forma, obtém-se um leite parcialmente desnatado (2,4% de gordura).

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Já o Grana Padano realiza uma coleta de leite que passa por refrigeração e a produção ocorre duas vezes por dia. O Parmigiano Reggiano usa exclusivamente o coalho de vitelo; o Grana Padano pode ser produzido com coalho animal, vegetal ou bacteriano

Outros detalhes como a forma da cura e a alimentação das vacas (no Parmegiano Reggiano é mais restrita) influenciam.

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Outras curiosidades:

– Ambos os queijos eram usados apenas para serem ralados nas massas. Hoje, o Reggiano se destaca por ser degustado em lascas;

– Uma “roda” de queijo envelhecido por 12 meses custa em torno de 400 euros;

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– A produção dos queijos na cooperativa de parma é de 20 unidades ao dia, 365 dias ao ano;

– Reggiano é mais caro e mais salgado que o Padano por não conter conservantes;

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– São necessários 14 litros de leite para produzir um quilo de queijo e 550 litros para produzir uma “roda” de Reggiano. 

Em resumo, conversamos com muitos especialistas e, apesar de gosto não se discutir, o Parmegiano Reggiano é o rei e o Grana Padano, o príncipe dos queijos tipo Grana da Itália.

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No Brasil, é possível encontrar o Parmigiano Reggiano em alguns supermercados e lojas especializadas. Verifique se na embalagem contém o símbolo DOP indicando a procedência do produto.

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Saindo da fábrica fomos degustar o famoso presunto de Parma (aquele cujos porcos são alimentados com o soro do leite que sobra dos queijos) com um vinho frisante local, o Lambrusco.