Bloqueios de rodovias por grupos pró-Bolsonaro prejudicam o próprio governo e apoiadores

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BR-470, em Gaspar, é ocupada por caminhoneiros (Foto: Foto: Fabiano Correia, NSC TV)

Após um 7 de setembro com mobilizações intensas a favor do presidente Jair Bolsonaro e algumas contra, os catarinenses foram surpreendidos na quarta-feira – o dia seguinte – com uma série de bloqueios de rodovias, feita por caminhoneiros apoiadores do presidente que continuaram mobilizados desde o dia anterior. Por mais relevantes que sejam as causas, eles precisam escolher o caminho da negociação e suspender essas barreiras porque nada justifica impedir o transporte de produtos no meio da pior pandemia dos últimos cem anos.

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Outra razão para encerrar esse movimento é o fato de ter iniciado sem aviso prévio. Isso significa que pelo menos parte das pessoas e agentes econômicos que precisavam de abastecimento contínuo de medicamentos, alimentos ou combustíveis, por exemplo, não pôde tomar medidas preventivas.

Agora o Brasil pode parar?

Pode-se afirmar que esses bloqueios estão prejudicando boa parte dos que defendem as mesmas causas desses caminhoneiros, que são o apoio a Bolsonaro e críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF). Fonte da Polícia Rodoviária Federal do Norte do Estado informou que a maioria do grupo faz críticas ao STF.

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 A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) foi uma entidade que emitiu nota no dia 27 de agosto reconhecendo o direito à livre expressão em 7 de setembro, em manifestações pacíficas e democráticas. Mas nesta quarta-feira à tarde, o presidente da entidade, Mario Cezar de Aguiar, veio a público, em vídeo, pedir a compreensão de líderes do movimento de caminhoneiros para reavaliar os bloqueios no Estado. Segundo ele, o movimento já causa prejuízos consideráveis e ameaça a continuidade da produção e do transporte de bens.

Bloqueios de caminhoneiros em rodovias tentam gerar caos e clima para golpe

A Federação das Empresas de Transporte e Logística de SC (Fetrancesc) divulgou nota nesta quarta dizendo que empresas vinculadas à entidade não participam do movimento grevista. Também cobrou a suspensão urgente do movimento nas estradas de SC. Contudo, a entidade também tem no seu grupo uma maioria que apoia as causas do presidente Bolsonaro. Fetrancesc e a Fiesc estão entre as federações que integram o Cofem, Conselho das Federações Empresariais de SC, entidade que chegou a se posicionar mês passado a favor do voto impresso auditável, uma causa do atual governo federal.

Parar o transporte de mercadorias é o pior dano que se faz à população e à economia, em especial no Brasil, onde a maior parte dos produtos vai por rodovias. O que se espera é que os caminhoneiros grevistas ouçam as autoridades públicas e as entidades que têm a mesma visão política deles, mas deixam claro que é preciso seguir com liberdade para trabalhar. Se não, as crises do país ficarão ainda mais profundas, o que pode arrastar o combustível para preços ainda mais elevados porque o dólar fica mais caro.

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