Nova lei para ferrovias promete melhorar a logística do país; SC precisa de projetos

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Joinville espera há décadas um contorno ferroviário (Foto: Patrick Rodrigues)

A aprovação de projeto de lei que cria novo marco legal para ferrovias no Brasil pelo Senado, na noite desta terça-feira, sinaliza que o tema deve evoluir rápido no Congresso e tornar realidade um conjunto de regras nacionais que agradam investidores e podem melhorar o transporte do país. O Ministério da Infraestrutura ficou surpreso ao receber até agora 14 projetos de ferrovias, que somam investimentos de R$ 80,5 bilhões enquanto eram esperados R$ 30 bilhões.

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Entre os planos está ramal Cascavel-Chapecó, que visa trazer grãos, mas pode tirar cargas de portos de SC. Por isso e para integrar o Estado ao país, o governo catarinense acelera a elaboração dos projetos da Ferrovia Leste-Oeste e da Ferrovia Litorânea.

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Esse novo marco legal de ferrovias, que prevê obras privadas por autorização, uma forma mais flexível de concessão, vem atraindo investidores nacionais e estrangeiros. São projetos de médio e longo prazo, mas o que se vislumbra é que, a partir da facilitação de regras, com o modelo por autorização, inclusive para short line (ferrovias curtas para ligar empresas à linha principal), o transporte ferroviário ganhei força. Isso porque hoje ele responde por apenas 20% da movimentação de cargas do Brasil, enquanto o rodoviário, mais caro e que causa mais efeito estufa, é responsável por 60% do total.

O projeto de lei complementar 261/2018, do senador licenciado José Serra (PSDB-SP) e relatado pelo senador Jean Paul Prates (PT-RN), estabelece uma lei nacional, que se sobrepõe as estaduais. Para o senador Dário Berger (MDB-SC), presidente da Comissão de Infraestrutura, o novo marco vai desenvolver o transporte e gerar mais empregos no país.

Entre as novidades está a ampliação nas formas de regular a exploração de ferrovias. Uma delas é a contribuição de melhoria, isto é, a possibilidade de cobrar contribuição de moradores de imóveis que fazem limite à linha férrea para reduzir custos de implantação.

Santa Catarina está incluída nessa primeira leva de investimentos com projeto da Ferroeste, estatal do Paraná, que visa ligar Cascavel a Chapecó, em trecho de 286 quilômetros, orçado em R$ 6 bilhões. O plano da empresa é levar grãos do Centro-Oeste para Chapecó e transportar cargas da produção da região ao Porto de Paranaguá.

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Esse projeto acendeu luz vermelha em Santa Catarina porque pode tirar cargas dos portos do Estado, em especial embarques de proteínas, enfraquecendo a logística local e a arrecadação de impostos. Mas a Federação das Indústrias, que há anos estuda a logística do Estado, defende sistema que integre a produção catarinense à malha ferroviária nacional e os portos.

A ferrovia considerada estratégica para SC é a Leste-Oeste, ex-Ferrovia do Frango, que necessita do projeto para apresentar a investidores. Por isso a Secretaria de Estado de Infraestrutura tem tomado medidas para acelerar a elaboração desse projeto. É por ela também que será feita a integração com o Brasil, para onde vai 60% da produção de SC. A outra parte é exportada ou consumida no Estado. A Ferrovia Litorânea também visa ligar portos de SC ao mercado nacional. Com novo marco legal e maior concorrência o Estado precisa tomar as decisões certas para não ficar atrás no setor de logística.

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Veja a lista dos 14 projetos apresentados até agora ao Ministério da Infraestrutura:

Água Boa/MT – Lucas do Rio Verde/MT: 557 km de extensão
Uberlândia/MG – Chaveslândia/MG: 235 km de extensão
Estreito/MA – Balsas/MA: 245 km de extensão
Shortline entre Perequê/SP – TIPLAN/Porto de Santos/SP: 8 km de extensão
Maracaju/MS – Dourados/MS: 76 km de extensão
Guarapuava/PR – Paranaguá/PR: 405 km de extensão
Cascavel/PR – Foz do Iguaçu/PR: 166 km de extensão
Cascavel/PR a Chapecó /SC: 286 km de extensão
Açailândia/MA – Alcântara/MA: 520 km de extensão
São Mateus/ES – Ipatinga/MG: 420 km de extensão
Suape/PE – Curral Novo/PI: 717 km de extensão
Terminal Intermodal em Santo André: 7 km de extensão
Presidente Kennedy (ES) – Conceição do Mato Dentro/Sete Lagoas (MG): 610 km de extensão

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Estrada de Ferro Juscelino Kubitschek (EFJK) – de Barra de São Francisco (ES) a Brasília (DF): 1.108 km de extensão

Com informações do Ministério da Infraestrutura e Agência Senado