SC participa de investigação arqueológica internacional

O projeto começou no ano passado e deve durar cinco anos

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(Foto: Univille )

Santa Catarina participa de um novo projeto de pesquisa científica arqueológica internacional, o Tradition, financiado pela Financiado pela União Europeia e com apoio da Universidade Autônoma de Barcelona (Espanha), da Universidade de York (Reino Unido), da Universidade da Região de Joinville (Univille/SC) e do Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville (MASJ). O objetivo é estudar o desenvolvimento a longo prazo da pesca artesanal de pequena escala na América do Sul, desde a pré-história, seu impacto na costa atlântica brasileira e seu legado para a atual segurança alimentar e redução da pobreza.

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O projeto, que começou no ano passado e deve durar cinco anos, é coordenado pelo arqueólogo ambiental e biomolecular Andre Colonese, da Universidade de York, que já tem parceria com a Univille e o MASJ em outra pesquisa científica em andamento, também relacionada à reconstrução de hábitos alimentares dos povos sambaquis.

— Nossa equipe interdisciplinar investigará a ecologia histórica da pesca de subsistência ao longo da costa da Mata Atlântica do Brasil durante grandes eventos culturais e ambientais para testar a hipótese de que a pesca teve um papel no apoio à expansão agrícola nos tempos pré-colombianos e durante a colonização e urbanização histórica desta região, e que isso ainda ecoa entre as pescarias artesanais atuais— explica Colonese. — Com o Tradition, queremos mostrar o potencial da arqueologia e da história para subsidiar as estratégias atuais de gestão e conservação da pesca artesanal no continente sul-americano — enfatiza.

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Participam do Tradition com pesquisas vinculadas o biólogo marinho formado pela Univille Thiago Fossile, atualmente cursando doutorado na Espanha, e a acadêmica de Biologia Marinha da Universidade Tatiane Andaluzia Silveira. O estudo deverá ter a contribuição também do Doutorado em Patrimônio Cultural e Sociedade da Universidade.

Baía da Babitonga

Em Santa Catarina, o foco da investigação vai ser a Baía da Babitonga, em região com grande concentração de sambaquis (sítios pré-históricos formados por montes de conchas, moluscos e ossos humanos e animais) e que até hoje mantém a pesca, com 30 comunidades envolvidas na atividade. A vinculação da pesquisa à sustentabilidade atraiu a atenção do coordenador do Tradition para o projeto Babitonga Ativa, segundo a coordenadora geral Marta Cremer, professora do curso de Biologia Marinha da Univille, que em maio participa da reunião de equipe do Tradition em Barcelona, na Espanha.

O Babitonga Ativa, desenvolvido pela Universidade com recursos da Justiça Federal, elaborou o Diagnóstico Socioambiental do Ecossistema Babitonga e criou em 2017 o Grupo Pró-Babitonga (GPB), um fórum colegiado regional formado por 24 entidades e instituições que representam os segmentos público, socioeconômico e socioambiental dos seis municípios do entorno da baía (Joinville, Itapoá, Garuva, Balneário Barra do Sul, Araquari e São Francisco do Sul), considerado modelo de atuação integrada de ecossistemas costeiros.

Patrimônio Cultural

Em fevereiro, uma das pesquisadoras do Tradition, a arqueóloga italiana Alice Toso, esteve em Joinville em visita ao Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville e à Univille, onde conversou com professores e acadêmicos no Laboratório de Arqueologia e Patrimônio Arqueológico (LAPArq) do campus, em encontro promovido pelo Grupo de Estudos Interdisciplinares de Patrimônio Cultural (Geipac) da Universidade.

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No MASJ, Alice selecionou as peças de sambaquis que vão ser enviadas para a Espanha para serem submetidas a análises científicas e deverão revelar informações sobre a dieta e os hábitos alimentares das populações pré-históricas da região.