A indústria da pesca de Santa Catarina, terceira maior exportadora do Brasil, cobra do Ministério da Agricultura (Mapa) urgência nas medidas para viabilizar a retomada das exportações de pescados para a União Europeia. O presidente do Sindicato dos Armadores e das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região (Sindipi), Jorge Neves, afirma que é necessária uma força-tarefa semelhante a adotada para retomar as exportações em função da Operação Carne Fraca, em março deste ano. Segundo ele, o setor oferece mais de 3 mil empregos diretos no Estado e a cadeia de pescados gera cerca de 50 mil empregos.
– A redução das exportações derruba os preços no mercado interno, o que reduz as margens das empresas e gera demissões. Precisamos evitar isso – afirmou Neves, que tenta reunião com o ministro da Agricultura, Blairo Maggi.
Abandono federal
O uso político da Secretaria da Pesca, com status de ministério, foi o que gerou esse problema. A atividade pesqueira é parte da agropecuária e está sob o guarda-chuva dos ministérios de agricultura em quase todos os países, que também fazem o controle sanitário. Conforme o presidente do Sindipi, Jorge Neves, técnicos da União Europeia passaram orientações em 2012 ao setor via Ministério da Agricultura (Mapa), mas elas não chegaram aos produtores. Desde 2015, quando a secretaria foi fechada, o controle da atividade passou para as pastas de Agricultura, Indústria e Comércio e agora está com o gabinete da Presidência, provavelmente para uso político. O setor precisa de soluções permanentes e isso requer que fique com o Mapa.
Qualidade
O presidente do Sindipi, Jorge Neves, afirma que a maioria das irregularidades apontadas envolve detalhe de tipo de equipamento e outros itens que não comprometem a qualidade dos produtos. Toda empresa exportadora conta com um fiscal do Ministério da Agricultura controlando o processo produtivo. Entre as seis indústrias do país que tiveram sugestão de suspensão de vendas à Europa, algumas são de SC. Os nomes ainda não foram divulgados.