Além de vidas perdidas, acidentes nas estradas trazem gastos para o Estado

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São estarrecedores os números da violência nas estradas de Santa Catarina que os jornais da NSC Comunicação trazem à tona em reportagem especial na edição deste fim de semana. No período de festas de fim de ano – entre 22 de dezembro e 10 de janeiro –, nada mais nada menos que três pessoas morreram por dia em rodovias (BRs e SCs) que cruzam o Estado. Perdas de vidas sob o asfalto são irreparáveis para familiares e amigos das vítimas. E também descortinam uma outra consequência que muitas vezes passa despercebida.

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Acidentes de trânsito custam caro ao erário. Em 2016 (último dado disponível), o SUS desembolsou R$ 253,2 milhões com internações que tiveram origem em colisões envolvendo carros, motos, ônibus, caminhões e bicicletas. Foi um crescimento de 4,6% na comparação com o ano anterior (R$ 242 milhões). Os impactos financeiros, no entanto, vão muito além da rede pública de saúde.

Um levantamento divulgado no final de novembro último pelo Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), com base em uma metodologia do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), calcula que o Brasil gastou R$ 52,2 bilhões com acidentes de trânsito em 2015. É muito mais do que a quantia de verba pública desviada já identificada pela força-tarefa da Operação Lava-Jato. Nesta conta entra praticamente tudo envolvido nesse tipo de ocorrência: o resgate da vítima, as despesas hospitalares e com medicamentos, os danos causados à infraestrutura, custos com produtividade.

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Em Santa Catarina, essa fatura somou R$ 2,16 bilhões, dinheiro mais do que suficiente para finalizar a duplicação das BRs 470 e 280, por exemplo. É como se naquele ano tivesse saído R$ 317,39 do bolso de cada catarinense para custear acidentes de trânsito. No final das contas, trata-se de um recurso que poderia ser aplicado em outras áreas básicas e até mesmo em investimentos para o desenvolvimento econômico se as rodovias estivessem em melhores condições e, principalmente, os motoristas tivessem mais consciência e prudência ao volante.

– O que é interessante é o efeito colateral disso. Se você resolve o problema dos acidentes de trânsito, você resolve problemas de hospitais, da falta de médicos e resolve parcialmente o problema da Previdência, porque muita gente se aposenta antecipadamente – avalia José Aurélio Ramalho, diretor do ONSV, fazendo menção a sequelas permanentes muitas vezes causadas.

Embora a esmagadora maioria dos acidentes seja causada pela imperícia de quem dirige, as condições de trafegabilidade não colaboram, e este último fator tem impacto também em diversos segmentos industriais num país onde a economia se locomove sobre rodas. Estudo recente apresentado pela Fiesc revela que os custos logísticos, relativos ao transporte, armazenamento de suprimentos e distribuição de mercadorias, consomem 13% do faturamento das empresas catarinenses.

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