Fábrica de queijos de Guaraciaba vai investir R$ 15 milhões em nova unidade

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Pioneiro no desenvolvimento da bacia leiteira do Oeste catarinense, o industrial Acari Menestrina, fundador e presidente da empresa de queijos finos Gran Mestri, de Guaraciaba, começa o ano instalando nova fábrica. Na unidade anexa a atual, fará queijos gorgonzola e provolone com tecnologia da Itália e mestres queijeiros daquele país. Menestrina informa que serão abertos 50 empregos diretos e as suas empresas, no total, que hoje geram mil vagas entre diretas e indiretas, chegarão a 1,5 mil. 

A Gran Mestri está com o projeto de nova fábrica para este ano em Guaraciaba? O que vão produzir nela?
Esse é o nosso grande projeto deste ano. Em outubro fui à Itália e por 12 dias visitei grandes fábricas de equipamentos, ingredientes e de tecnologia para queijos. Vamos instalar a maior fábrica de queijo gorgonzola do país para produzir as três versões: dolce, picante e uso culinário. Visitamos a empresa líder desse produto na Itália que faz 70 toneladas por dia e é referência em tecnologia. Também faremos queijo provolone. Visitamos ainda os melhores fabricantes italianos desse produto, importamos equipamentos, ingredientes e definimos a contratação de mestres queijeiros. Vamos fazer tudo seguindo a tradição da Itália. A questão nossa, agora, é a qualidade da matéria-prima, o leite. Estamos num trabalho muito forte de informação aos fornecedores de leite para termos padrão internacional de qualidade.  

Como é leite padrão internacional?
Precisamos ter um leite com um mínimo de proteína de 3,5 e de gordura na faixa de 4,3 a 4,4. Hoje, o nosso leite tem 3,2 de proteína e 3,8 de gordura. Então, temos que melhorar os sólidos do leite que são a proteína, a caseína e a gordura. O ponto vital é a parte bacteriológica. Hoje a Europa exige menos de 200 de células somáticos e menos de 10 de contagem bacteriológica. O leite produzido no Brasil tem, em média, mais de 600 de células somáticas e mais de 400 de contagem bacteriológica. Então temos que fazer um trabalho de escolha de raça bovina, de alimentação, higienização dos equipamentos e resfriamento mais imediato do leite. Para isso, só precisamos qualificar o produtor. 

Quanto vão investir na nova unidade?
 Vamos investir R$ 15 milhões na nova fábrica de queijos a partir de janeiro. Até o ano que vem, vamos aumentar o faturamento da empresa em R$ 50 milhões com essa unidade. Hoje, faturamos R$ 150 milhões por ano. Com crescimento de 25% dos negócios atuais e mais a nova unidade, vamos alcançar R$ 230 milhões em 2018. Também vamos abrir mais 50 novos empregos diretos. Com as vagas que já oferecemos e considerando também empregos em logística, promoção e reposição, vamos chegar a 1,5 mil postos de trabalho. 

Como está o projeto?
Já estamos com aprovação do projeto pelo Ministério da Agricultura, todas as licenças necessárias e a parte de equipamentos está importada na Itália. Vamos usar o mesmo parque industrial da Gran Mestri, aproveitando a mesma estrutura de gestão.

Vocês vão seguir com foco no mercado interno ou exportarão?
Nosso foco é o mercado interno. Temos muito para crescer no Brasil. Na Itália e na França, o consumo de queijo per capita é 25 quilos ano. No Brasil está em 5,5 quilos, sendo quatro de produtos tipo commodities e 1,5 quilo de queijos diferenciados. Desses especiais, 50% ou 60% são queijos duros. Há os queijos moles e macios. Nosso desafio é substituir os importados premium. A Gran Mestri lidera o mercado brasileiro de duros com o grana padano. Somos a maior fábrica de queijos duros da America Latina, com 1,3 milhão de quilos de estocagem. 

Que produtos mais serão lançados este ano? 
Numa parceria com empresa italiana, vamos trazer o mascapone ao Brasil, produto para fazer o tiramisu, e traremos também a manteiga anidra. Entre os lançamentos, teremos ainda manteiga em balde gourmet,  doce de leite em balde para panificação e gelateria, e requeijão culinário. 

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