Começou com um vídeo provocativo, onde aparecia reclamando da burocracia para fazer negócios no Rio Grande do Sul. As imagens se espalharam e repercutiram no meio empresarial ao ponto do governador José Ivo Sartori chamá-lo para uma conversa. Era tudo o que Luciano Hang queria.
Insaciável, o empresário anunciou na quarta-feira, após encontro no Palácio Piratini – a sede do poder Executivo gaúcho –, investimentos de R$ 1,9 bilhão no Estado vizinho.
Hang não deu prazos – "nos próximos anos" –, mas os aportes serão direcionados ao setor elétrico, com R$ 400 milhões para construção de quatro pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), e também a 50 megalojas de 15 mil metros quadrados, que demandarão mais R$ 1,5 bilhão.
Há potencial para gerar até 10 mil empregos no Rio Grande do Sul, estimou o empresário. Ele já havia anunciado pelo menos R$ 2 bilhões até 2022 para abrir mais 100 pontos de venda em todo o país.
Esbanjando autoconfiança, fenômeno de marketing pessoal, Hang diversifica a carteira de negócios e aparece como possível "outsider" na política – ele mesmo se lançou pré-candidato. A projeção, por outro lado, expôs seu passado.
Em um vídeo publicado no dia 27 de janeiro em sua conta do Facebook que já soma mais de 2,7 milhões de visualizações, o empresário brusquense exibe uma certidão criminal negativa, rebatendo acusações de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Ele, de fato, chegou a ser condenado pela Justiça Federal, mas recorreu. Os processos acabaram prescrevendo.