Não, não estou falando do resultado. A derrota foi incontestável e mostrou a diferença real entre o Bragantino e o Figueirense atual. Mas esta análise se deve ao fato mais expressivo da noite: a presença do torcedor no estádio Orlando Scarpelli. A resposta dada a tudo que ocorreu de ruim, e que agora precisa ser superado, foi gigante, do tamanho do que representa o Figueirense e a ligação com sua torcida. O torcedor disse SIM à convocação para a #retomadaalvinegra, dando também o seu recado de parceria na recuperação que o time e o clube vão precisar. O torcedor fez festa na chegada do time ao Scarpelli, numa recepção como nos bons tempos da equipe, depois tomou as ruas no entorno do estádio, dado uma prévia de estádio cheio, e depois tomou também as arquibancadas, com 12,7 mil torcedores congestionando as catracas na entrada.
Foi uma crueldade o Figueirense ter encarado a equipe líder da competição. O Bragantino joga uma bola redonda. Mas a satisfação do torcedor foi encontrar o seu Figueirense, o Figueirense real. Reencontrar a galera e saber que o futuro vai ser difícil, mas que todo mundo está ali, que todo mundo é Figueirense, e estão todos à disposição e com vontade de reconstruir o que tentaram destruir. A retomada começou e vai continuar. O torcedor mandou o seu recado, mesmo com a derrota, cantando ao final do jogo. O torcedor só quer o seu Figueirense de volta.
Pouco deu pra fazer em campo
A partida contra o Bragantino mostrou um Figueirense em campo com disposição de brigar. Mas que pouco pôde fazer diante de um adversário tão forte. O Bragantino aguentou a pressão no início e, aos poucos, foi tomando conta. O esquema do Figueira com três zagueiros não funcionou e o lado direito da defesa foi o caminho do Braga. Os gols foram saindo, diante de um time que se mostrou impotente. O Figueirense tem muito a fazer para ser mais competitivo, mas a luta dos jogadores em campo, correndo até o final, dividindo e suando, dá mostras que o primeiro passo já está dado. As batalhas estão à frente e o Figueira pode permanecer.
Dia pesado nos bastidores
A terça-feira começou com a bomba jogada numa última tentativa de Claudio Honigman em destruir o clube. A repórter do Blog da Gabriela Moreira trouxe a informação exclusiva, do ofício encaminhado por ele à CBF para tirar o Figueirense da Série B, com pedido de desistência. Mais um escândalo. Colaborei na reportagem com o entendimento do cenário local. Foi mais um escândalo dessa gestão que quase acabou com um clube praticamente centenário. Já era um escândalo todo o período de péssima administração e situação caótica gerada. Já era um escândalo o fato de ter, no dia do WO, R$ 2 milhões em conta e não evitar o lamentável episódio.
E um novo escândalo foi conhecido ainda ontem, com a revelação do presidente no Debate Diário, Francisco de Assis Filho, de que Claudio Honigman “raspou as contas” do clube após a rescisão na sexta-feira. A questão da desistência está quase totalmente resolvida no STJD, com a comprovação de quem tem o comando atual no clube. O órgão acatou as justificativas. Mas os estragos causados nesse período terrível custarão ainda muito suor das gestões por vir e dos torcedores. Foi a comprovação de que as pessoas que se aproximaram do clube só enganaram, em nenhum momento estiveram a serviço do clube.
