O Brasil iniciará a próxima semana absorvendo os impactos do resultado de uma virulenta eleição presidencial. Quem achava que a disputa de 2014 já havia sido pesada e causado uma divisão no país não imaginaria que esse fenômeno voltaria com ainda mais força quatro anos depois. Por trás dos ânimos aflorados estão os efeitos de uma aguda crise econômica que tirou o emprego de milhões de brasileiros, diminuiu o poder de consumo das famílias, represou investimentos e abalou a confiança das instituições.
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A constatação mais latente é que desde o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff o Brasil se agarra a uma expectativa de que tudo irá mudar depois do fatídico segundo turno. É como se o país estivesse apenas sobrevivendo até lá. No mercado, salvo as exceções de sempre, construiu-se uma espécie de senso comum de que era preciso aguardar os números das urnas para que o setor produtivo voltasse à normalidade com um mínimo de previsibilidade. Em rodas de conversas informais, predominou uma frase comum entre empresários: “vamos aguardar o resultado das eleições”.
Para o bem ou para o mal, as nuvens que encobrem os rumos do Brasil começam a se dissipar a partir de segunda-feira. É inegável que o mercado demonstra mais entusiasmo com uma possível vitória de Jair Bolsonaro (PSL), mais pela possibilidade de interrupção de uma plataforma de governo que arruinou a economia nos últimos anos do que pela consistência das propostas do capitão da reserva. Por outro lado, mesmo que o escolhido seja Fernando Haddad (PT) é preciso lembrar que a vida continuará e que existem uma série de obstáculos a serem superados.
A definição do próximo titular da cadeira presidencial vai trazer mais clareza sobre o que esperar da economia. É chover no molhado ressaltar que um país ainda carente de infraestrutura básica em diversas áreas e com uma população ávida em voltar a consumir com mais intensidade abre um amplo leque de oportunidades para investidores. A grande dúvida paira sobre o tipo de cenário que começará a se construir a partir de 1º de janeiro e qual será o ritmo que o novo governo vai impor para fazer as mudanças que o Brasil precisa.