Não canso de me surpreender com a capacidade que as pessoas têm de aplicar tecnologia em soluções para problemas que as afligem no dia a dia. Mais um bom exemplo disso no Vale partiu do jovem Vinicius Parizotto, de apenas 22 anos. Aluno da sexta fase do curso de Engenharia de Controle e Automação da UFSC, ele desenvolveu um sistema promissor, que avisa sobre possibilidades de deslizamentos de terra em morros e encostas.
Curta Pedro Machado no Facebook
Leia mais publicações de Pedro Machado
Funciona basicamente assim: um sensor, capaz de medir fendas e fissuras em uma área de até 25 metros, é instalado em locais de risco. Qualquer movimentação atípica, principalmente em dias de chuva, gera uma informação que é transmitida via SMS para moradores do entorno e órgãos públicos. Em regiões onde não há sinal de telefonia, uma sirene ficaria responsável pelo alerta.
A solução ainda está sendo aperfeiçoada, mas já funciona em caráter experimental em um morro de Florianópolis. Em um ambiente controlado, onde uma área foi induzida a deslizar, houve, no pior dos cenários, um sobreaviso de ruptura de cinco a seis minutos antes da queda, conta Vinicius. Pode parecer pouco, mas muitas vezes esse é um tempo mais do que suficiente para evitar tragédias e perdas maiores.
Sob o guarda-chuva da empresa Nide, incubada no Instituto Gene, de Blumenau, o projeto foi um dos contemplados na sexta edição do programa Sinapse da Inovação, do governo do Estado. A seleção vai garantir um aporte de R$ 60 mil para o aprimoramento do sistema, cujos custos de desenvolvimento e implantação ainda estão sendo levantados. Há, no entanto, outros investidores já de olho no potencial da ferramenta, garante Vinicius. Ele mantém conversas iniciais com os interessados.
Se tudo sair como o planejado, o sistema estará 100% redondo em novembro, mês em que se completarão 10 anos da maior tragédia climática da história do Vale. Foi aquele evento, aliás, a principal fonte de inspiração para o projeto. Bombeiro, o pai de Vinicius atuou com equipes de resgate no Morro do Baú, em Ilhota.
Os acontecimentos marcaram o então menino. Mais velho, em conversas com amigos e profissionais da corporação, constatou que passada quase uma década pouco se avançou no monitoramento de áreas sujeitas a deslizamento de terras. Foi o impulso necessário para aflorar o lado empreendedor.