Robert Perlstein, da Universidade de Stanford: “Brasil deveria usar a tecnologia para melhorar a educação”

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Ligado à Universidade de Stanford, da Califórnia, Estados Unidos, o Stanford Research Institute (SRI) atua desde 1946. Hoje, prioriza inovações que melhorem a vida das pessoas, informou o vice-presidente para Negócios Corporativos e Desenvolvimento Internacional da instituição, Robert Pearlstein, que fez palestra na Expogestão, em Joinville, quinta-feira (10). Questionado sobre qual o maior desafio que o Brasil deveria enfrentar com o uso da tecnologia, ele disse que seria melhorar a educação, reduzindo as diferenças nas formações de jovens. Na entrevista à imprensa, ele falou também sobre startups e outros temas. Confira:


Como foi a colaboração da instituição para a inovação e o que prioriza agora?

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Inovação sempre existiu. Nos anos 60, fomos nós que inventamos a internet, o mouse do computador, o GPS. A diferença, hoje em dia, está no Big Data e conseguir tirar estratos disso para usar comercialmente. Muita coisa apareceu por causa do nascimento da internet. Hoje, os dados estão sendo coletados de todos os jeitos, na sua TV, telefone, seu carro. Os chips, coletores de dados, estão muito baratos e também está fácil transportar os dados. Isso permite coletar muitos e muitos dados e exige computadores muito poderosos para processar tudo isso ao mesmo tempo. São produzidos multiprocessadores muito poderosos para processar tudo isso. Hoje em dia tem os algoritmos, que são as máquinas que aprendem. O objetivo é aumentar a capacidade do ser humano, acelerando a inovação sempre e sempre mais.  

 

Veja também: “A transformação digital pode ser uma oportunidade”, diz palestrante na Expogestão 

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Na sua avaliação, quais são as profissões que vão ser mais impactadas pela inteligência artificial?

Diversas áreas serão amplamente afetadas. A inteligência artificial vai impactar em tudo, o jeito que a gente vive, se locomove, mas o grande impacto será na área da saúde. Outro exemplo é a indústria automobilística. A inteligência artificial só funciona se tiver muitos dados para analisar. E vai ser necessário pessoas para analisar isso. 


Um dos problemas desse mundo digital é o sigilo de dados, a qualidade da informação. Como vê o futuro disso?

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Os sistemas de segurança terão que ser muito fortes. O problema é: até que ponto a informação é confiável? O Facebook está investindo para combater Fake News.  
 

Vai ser possível ter privacidade? 

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Grandes companhias como o Google, Amazon e Facebook, estão investindo bilhões de dólares para garantir a preservação de dados. Há países mais conservadores na liberação de dados, como os da Europa, e outros mais liberais, como os da Ásia. Os que são mais abertos vão desenvolver mais suas economias do que os mais fechados. A disponibilidade de coleta de dados vai permitir, por exemplo, que a gente detecte as doenças antes de elas acontecerem e os médicos vão ter um auxílio na área de tecnologia como jamais tiveram. 

 

Qual é o maior desafio do ecossistema de inovação dos Estados Unidos e como o SRI colabora? 

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O SRI é uma organização não lucrativa, não vende produtos. Eles querem desenvolver tecnologias que melhorem a sociedade. Estão sempre focados em soluções que podem melhorar a sociedade dos Estados Unidos porque estamos sediados lá, e também melhorar o mundo todo. Um exemplo de  megamudança que está ocorrendo no mundo é o envelhecimento da população na Ásia. Para ajudar nisso, estão tentando criar coisas como novos remédios, novas formas de monitorar a saúde, robôs que podem ajudar os idosos e a combinação disso tudo. 

 

E qual é o grande desafio para a inovação do Brasil? 

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A grande mudança que deveria ser feita é na área de educação. O Brasil deveria usar a tecnologia para melhorar a educação e, assim, melhorar a vida de muitos jovens. O país tem muitos objetivos, mas o mais importante para o Brasil seria usar a tecnologia para ter os jovens todos com o mesmo nível de educação, tirar as diferenças. Nos Estados Unidos temos diferenças nos sistemas de ensino, mas não tão grandes como no Brasil. A prioridade dos EUA é ter maior segurança de dados.

 

Quais são os desafios da inovação empresarial?

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As grandes empresas são boas em inovação incremental, mas não são elas que fazem as inovações disruptivas. As grandes mudanças no mundo estão sendo feitas por startups, pequenos empreendedores. Esses empreendedores precisam ter uma visão de negócio, estar propensos a correr altos ricos e saber que podem falhar. O principal ponto é estar disposto a falhar porque uma startup é um negócio de tentativa e erro. Por que SC é um estado inovador? Porque tem um governo que se preocupa com inovação, tem universidades que formam pessoas na área de tecnologia e é necessário ter as grandes empresas colaborando com as startups.

 

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