“Blumenau precisa se internacionalizar mais”, opina Vinicius Lummertz, ministro do Turismo

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De passagem por Blumenau na última semana, onde participou da abertura da Oktoberfest, o ministro do Turismo, Vinicius Lummertz, conversou com o blog. Confira:

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Como o Brasil vai terminar o ano na área do turismo?

Com crescimento, tanto no turismo internacional, em torno de 4%, 5%, bem acima da média, e um crescimento interno também, talvez na faixa de 6%. O turismo vai crescer e empregar mais, fomentando muitos setores da economia. São 53 setores impactados diretamente.

Esse câmbio próximo a R$ 4 mais ajuda ou mais atrapalha o turismo nacional?

O dólar bateu R$ 3,85. Agora que teve essa desvalorização da Argentina, que é o nosso principal cliente, 40% do turismo internacional no Brasil vem de lá, acho que teremos uma boa temporada. A do ano passado foi recorde. O impacto na economia de Santa Catarina como um todo do turismo, não só da Argentina, foi de mais de R$ 10 bilhões. Isso dá um fôlego importante porque durante meses há um impacto na arrecadação de impostos e geração de emprego também. Então esse câmbio é suficiente para atravessarmos bem essa temporada. Acho que os argentinos vão sentir o encarecimento de destinos alternativos no Caribe e em Miami, e em função disso teremos uma boa temporada.

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Fala-se muito do turismo como atividade importante de geração de receita, mas não se escutou com clareza propostas para a área durante a campanha presidencial. O debate ficou muito centrado em corrupção. Isso é um problema para o setor?

Penso que sim. Nós vimos um aumento das declarações (sobre o assunto) nestas eleições dos presidenciáveis por pressão nossa e do Conselho Nacional do Turismo, que eu presido. Houve uma orientação para que todos recebessem as propostas do turismo. E todos falaram, mais do que anteriormente. Mas o que você está dizendo é outra coisa. A nossa política está tomada por uma agenda negativa e pessimista. O Brasil está relativamente histérico em relação aos problemas econômicos e aqueles ligados às investigações de corrupção, de um lado. Do outro há uma ruptura por políticas identitárias e uma esquerda que fracionou o debate, o que joga a união nacional para o outro lado, o lado da direita. Há um conflito que está se repetindo no Brasil de dois níveis de debate que, nos Estados Unidos, deram a vitória ao (Donald) Trump, pela recessiva fragmentação e da divisão do debate identitário. Isso leva a uma lógica de ódio. Precisamos desarmar isso e começar a colocar as agendas positivas. É só sair do Brasil que você nota normalidade. Eu estive na Argentina na semana passada. Eles estão numa crise pior que a nossa, mas não estão histéricos.

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O senhor já morou em Blumenau. Como acompanha a evolução do turismo local e qual devem ser os próximos passos?

Blumenau saltou na frente do turismo no Brasil. Foi um dos ícones do turismo de compras com a Famosc, com as grandes lojas e a gastronomia. Da década de 1970 em diante veio a hotelaria. Havia um papel de liderança no Sul do país. Então vieram as enchentes e a cidade se recuperou mediante um caminho traçado pela Oktoberfest com muito sucesso. Mas houve avanços em outros lugares. E os avanços acontecem com ícones. Joinville, que não tinha nada hoje, tem o maior Festival de Dança, o Bolshoi, a Festa das Flores e assim por diante. Gramado evoluiu muito na direção de museus e atrações. Agora Blumenau se volta para essas reflexões, corretamente. Eu entendo que Blumenau hoje deve se concentrar em criatividade e inovação e expressar isso em seu ambiente estético e de cooperação internacional. Resolver o problema da BR-470 é vital. Blumenau tem que se olhar como uma cidade portuária e aeroportuária. Blumenau não é uma cidade de interior. Qualquer cidade do mundo que está a 40 quilômetros do litoral não é interior. Essa é uma percepção equivocada de si mesmo. A cidade precisa se internacionalizar mais. Se ela quiser produzir mais tecnologia, terá que ter institutos e parceiros internacionais aqui para produzir conhecimento. Temos que abrir Blumenau para essa internacionalização do ponto de vista de conhecimento, que envolva urbanismo, tecnologia, criatividade, turismo e investimentos, não em grandes unidades fabris, porque não temos espaço. A ausência de bandeiras internacionais de hotéis, por exemplo, sempre é um sinal de baixo grau de internacionalização.