O recado das urnas

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Os resultados gerais das eleições deste ano tiveram uma característica marcante, confirmando o que vinha sendo desenhado ao longo da campanha. Se em pleitos anteriores a situação da economia brasileira costumava dominar o debate entre os concorrentes a cargos públicos, desta vez o combate à corrupção e às velhas práticas políticas para conquistar o poder – ou mantê-lo – monopolizaram as discussões.

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Para quem, legitimamente, coloca esses dois assuntos na ponta das prioridades a serem enfrentadas, pode ser difícil compreender por que determinados grupos sociais, representantes do mercado e a imprensa em geral insistem em manter temas às vezes muito distantes das pessoas, como ajuste fiscal e reformas estruturantes, na pauta do noticiário.

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Há uma explicação para isso. No Brasil os rumos da economia sempre ditaram a atividade política. Indicadores positivos na esfera econômica ajudam a blindar falhas em outras áreas – sobretudo na gestão – dos governos. Quando a infraestrutura está sucateada, as empresas diminuem a produção, investidores seguram novos aportes e o desemprego cresce, no entanto, esse escudo cai por terra. Sem sinais claros de reação, cria-se um sentimento generalizado de desconfiança que paralisa o país e invariavelmente provoca rupturas no status quo vigente.

Uma das leituras que se faz dos acontecimentos deste domingo, com votação expressiva de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência da República e Comandante Moisés (PSL) ao governo do Estado, é de que os eleitores estão fartos do "toma lá, dá cá" da velha política e não acreditam mais no sistema tradicional. O capitão da reserva soube potencializar esse sentimento mesmo com uma estrutura de apoio bem mais modesta do que a de seus principais concorrentes. Em Santa Catarina, seu correligionário surfou nessa onda.

Os eleitores parecem entender cada vez mais que a corrupção em diferentes níveis da máquina pública, sustentada por conchavos de antigas oligarquias, é a grande responsável pela drenagem de recursos que, em vez de serem revertidos para serviços básicos, acabam abastecendo interesses nada republicanos. Esse despertar é positivo. Ainda assim, apenas varrer essa sujeira não parece ser suficiente, no curto prazo, para resolver todos os problemas. Há deficiências graves de infraestrutura em todas as áreas que demandam, além de uma boa gestão do erário, reformas estruturantes que resgatem a capacidade financeira da União e do Estado.

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A recuperação da atividade econômica seja talvez o elemento com mais poder para desarmar ânimos extremos porque consequentemente resultará em melhora na vida das pessoas, com mais empregos e poder de consumo. O recado no primeiro turno foi dado. No segundo, esses temas devem merecer maior reflexão.