Presidente da Faema diz como o órgão quer agilizar emissão de licenças ambientais

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Ao ser alçado ao posto de presidente da Fundação Municipal do Meio Ambiente (Faema) de Blumenau na reforma administrativa implantada pelo ex-prefeito Napoleão Bernardes (PSDB) em fevereiro do ano passado, Alexandre Baumgratz assumiu o desafio de gerir um órgão que não raro está em conflito com empresas.

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De lá para cá, diz estar trabalhando para facilitar processos internos e agilizar a emissão de licenças ambientais, uma das principais broncas dos empreendedores locais. Um dos destaques foi a revogação de um código ambiental municipal próprio, que não seguia as mesmas diretrizes estaduais e provocava confusão.

Nesta conversa com a coluna, Baumgratz faz um balanço de algumas das ações adotadas sob sua gestão.

Você ocupa a presidência da Faema desde fevereiro do ano passado. Que balanço já é possível fazer?

Primeiramente, houve a alteração da legislação ambiental relativa à regularização das APPs (áreas de preservação permanente). Hoje você sabe, por lei, o que é área urbana consolidada e o que é área rural. Terminamos também um diagnóstico socioambiental, com descrição de todos os parques, corredores ecológicos, nascentes, ribeirões. Blumenau foi um dos primeiros municípios de Santa Catarina a terminar esse diagnóstico. Do ponto de vista administrativo, julgamos uma grande gama de recursos pendentes de muitos anos. Havia 867 recursos administrativos parados. Todos eles foram julgados. Criamos a lei do Refis (programa de recuperação fiscal), para beneficiar aquelas multas impagáveis. Isso gerou um incremento de mais de R$ 300 mil para a Faema. Aumentamos os recursos do fundo municipal de meio ambiente. Quando eu assumi, havia R$ 343 mil. Até agora, de arrecadação, foram quase R$ 2 milhões. Em contrapartida, compramos viaturas e dois imóveis para a restauração do Museu Fritz Müller. Auxiliamos em projetos de educação ambiental tanto com a Polícia Militar Ambiental quanto em conjunto com a universidade e escolas aqui do município.

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Ainda há muitas críticas à Faema em relação à demora dos licenciamentos ambientais. O que está sendo feito nesse sentido?

Até o ano passado Blumenau possuía um código mais restritivo do que o do Consema, o Conselho Estadual do Meio Ambiente, que delimita que tipos de atividade o município pode licenciar aqui no Estado. No dia 8 de setembro do ano passado, o Conselho Municipal do Meio Ambiente, do qual eu sou o presidente, revogou aquele código e voltamos a adotar as tipologias do Consema.

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Isso na prática muda o quê?

Tempo. E processos a serem licenciados. Por exemplo, Blumenau licenciava lavação, oficina, padaria, pizzaria. Ninguém no Estado fazia isso, só nós. Você tinha um processo de uma grande empresa e de uma lavação concorrendo ao mesmo tempo. Com a instituição agora do processo autodeclaratório (para empresas de baixo impacto ambiental) e a declaração de atividade não constante, ou seja, aquelas atividades que não constam nas resoluções do Consema, houve uma redução de mais de 35% do tempo de agilidade dos processos. Hoje temos mais técnicos para fazer a análise dos casos mais complexos.

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Com a tendência de crescimento da autodeclaração, a Faema terá corpo técnico para fiscalização?

Sim. Nós estamos implantando um sistema de fiscalização eletrônica, tanto do ponto de vista prático quando interno. No mais tardar em julho teremos tablets e fiscalização por amostragem com equipamentos e contratação de mais fiscais. Todo o nosso corpo, que são 12 fiscais, está no limite máximo. A fiscalização a partir de agora não será esporádica, será por setor. Ela será direcionada, com grupos específicos. Hoje é aleatória. Teremos, do ponto de vista prático e eficiente, muito mais atuações de fiscalizações para tentar verificar realmente se a pessoa está cumprindo ou não a legislação ambiental.

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A complexidade e a burocracia relacionada às licenças fizeram muitas empresas deixarem Blumenau. Como a Faema olha para essa situação?

É terrível. Tínhamos uma legislação errônea, antiga e que não cumpria a legislação federal. Isso fez, conforme dados da Ampe e do Sescon do ano passado, com que 146 empresas tenham saído de Blumenau. Foram para Gaspar, Pomerode, Indaial, Timbó, Luiz Alves, para os municípios vizinhos, porque nessas cidades se adota o Consema. Foi o que Blumenau começou a fazer desde o dia 8 de setembro do ano passado.

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Você mesmo comenta que mais de 70% das empresas de Blumenau não têm licenciamento ambiental. Isso não revela falha na fiscalização?

Vou dizer que não é uma falha, mas sim um atraso do ponto de vista prático da Faema porque a legislação que nós tínhamos proporcionava isso. Você deveria dar norte à fiscalização a empresas de médio e grande porte e a quem realmente polui, não às atividades de baixo impacto. A fiscalização na época era defasada, não tinha estrutura. Então nós adaptamos isso hoje e estamos implementando. A partir de agora a fiscalização será mais atinente e direcionada. Certamente teremos um avanço. Estamos adquirindo agora um opacímetro (aparelho que mede níveis de fumaça). Seremos uma das primeiras fiscalizações ambientais de Santa Catarina a ter esse instrumento.