Moraes nega ação de Bolsonaro sobre rádios e determina investigação

Compartilhe:

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Alexandre de Moraes, decidiu nesta quarta-feira (26) rejeitar a ação apresentada pela campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre suposto boicote de rádios na veiculação da propaganda eleitoral.

Continua após a publicidade

Receba notícias do DC via Telegram

Moraes disse que a ação de Bolsonaro não tem provas e se baseia em levantamento de empresa “não especializada em auditoria”.

Continua após a publicidade

O ministro apontou possível “cometimento de crime eleitoral com a finalidade de tumultuar o segundo turno do pleito em sua última semana” e mandou o caso para ser avaliado dentro do inquérito das fake news, que é relatado por ele mesmo no STF (Supremo Tribunal Federal).

Moraes também encaminhou a decisão à Procuradoria-Geral Eleitoral e ao corregedor-geral do TSE. 

“Para instauração de procedimento administrativo e apuração de responsabilidade, em eventual desvio de finalidade na utilização de recursos do fundo partidário dos autores.”

Como mostrou a Folha, o levantamento feito pela coligação de Bolsonaro não comprova a alegação de que rádios do Norte e Nordeste deixaram de veicular propagandas eleitorais do chefe do Executivo.

Continua após a publicidade

As emissoras citadas na auditoria já começaram a contestar os dados da auditoria. Uma das rádios afirma que o PL deixou de entregar as inserções durante um período, e por isso elas não foram veiculadas.

Empresa contratada por Bolsonaro faz monitoramento de rádios em SC

Continua após a publicidade

Moraes inseriu na resposta dada a Bolsonaro uma análise do pesquisador Miguel Freitas, do departamento de Telecomunicações da PUC-Rio, como antecipou a Folha. Esse estudo mostra que o levantamento da Audiency, empresa contratada pela campanha do chefe do Executivo, tem falhas e foi “provavelmente gerado a partir de um software automático de comparação e detecção de trechos de áudio”.

“Diante de discrepâncias tão gritantes, esses dados jamais poderiam ser chamados de ‘prova’ ou ‘auditoria'” afirma Freitas, no estudo citado por Moraes.

Continua após a publicidade

O ministro afirma que Bolsonaro apontou a suposta fraude às vésperas do segundo turno sem “qualquer indício mínimo de prova”.

“Não restam duvidas de que os autores -que deveriam ter realizado sua atribuição de fiscalizar as inserções de rádio e televisão de sua campanha -apontaram uma suposta fraude eleitoral às vésperas do segundo turno do pleito sem base documental crível, ausente, portanto, qualquer indício mínimo de prova”, escreveu ele.

Continua após a publicidade

O presidente do TSE também reforçou que não cabe à corte distribuir as propagandas para as emissoras de rádio e TV ou fiscalizar a veiculação das mídias.

Bolsonaro havia pedido ao TSE a suspensão da propaganda do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no rádio, em todo o país, até as emissoras equilibrarem a veiculação de inserções entre candidatos.

Continua após a publicidade

O chefe do Executivo tem histórico de questionar o sistema eleitoral e insinuar em tom golpista que pode não aceitar resultado diferente da própria vitória.

Moraes já chamou de mentiroso e fraudulento um parecer do PL, partido de Bolsonaro, que levantava dúvidas sobre a segurança das eleições dias antes do primeiro turno. Nesse caso, ele também encaminhou os documentos da auditoria ao inquérito das fake news, MP e ao corregedor eleitoral.

Continua após a publicidade

O ministro também disse, em outro processo, que os militares parecem querer agradar o chefe do Executivo no trabalho de auditoria do pleito realizado pelas Forças Armadas.

O questionamento sobre a fiscalização da propaganda eleitoral ganhou ainda novo episódio nessa quarta-feira.

Continua após a publicidade

O ministro disse na decisão que os “fatos narrados” pelos advogados de Bolsonaro são “extremamente genéricos e sem qualquer comprovação”. O servidor da corte Alexandre Gomes Machado disse à Polícia Federal acreditar que perdeu um cargo de assessor por ter alertado sobre irregularidade na veiculação das mídias.

O tribunal reagiu às acusações e, em nota, chamou de falsas e criminosas as falas de Machado à PF. Declarou ainda que a demissão “foi motivada por indicações de reiteradas práticas de assédio moral, inclusive por motivação política, que serão devidamente apuradas”.

Continua após a publicidade

A ação de Bolsonaro sobre as rádios foi apresentada ao TSE na segunda-feira (24). Na mesma data Moraes disse que o pedido não tinha base e cobrou apresentação em 24 horas de “prova e/ou documento sério”.

A equipe de Bolsonaro, então, apresentou novos documentos, que também foram considerados insuficientes por Moraes para comprovar qualquer tipo de irregularidade.

Continua após a publicidade

“No aditamento da inicial, não obstante apontem “a existência de cerca de 5.000 (cinco mil) rádios no Brasil”, indicaram, em suas próprias palavras, uma “pequena amostragem de oito rádios”, o que representa 0,16 % (zero vírgula dezesseis por cento) do universo estatístico apontado”, disse o ministro.

“Assim, o que se tem é uma petição inicial manifestamente inepta, pois nem sequer identifica dias, horários e canais de rádio em que se teria descumprindo a norma eleitoral -com a não veiculação da publicidade eleitoral”, afirmou Moraes.

Continua após a publicidade

Ele ainda declarou que o trabalho da Audiency “não oferece as condições necessárias de segurança para as conclusões apontadas pelos autores, conforme se verificará adiante”.

“Nem a petição inicial aditada nem o citado relatório indicam, de modo circunstanciado e analítico, quais seriam as emissoras de rádio, os dias e os horários em que não teriam sido veiculadas as inserções de rádio para a Coligação requerente, o que impede qualquer verificação séria”, escreveu o ministro.

Continua após a publicidade

*Por Mateus Vargas

Vídeo explica o que o 2º turno tem a ver com as eleições brasileiras