Novo “Pantera Negra”, com reino de mulheres, é mais interessante do que uma mera continuação

A sequência de Pantera Negra estreia nesta quinta-feira (10)

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Pantera Negra

(Foto: Divulgação)

Desde o início, Wakanda sofre com a morte de seu herói, o Pantera Negra Chadwick Boseman. Se o carisma de Boseman era inegável, o vazio que deixou forçou o roteiro a fazer algumas reviravoltas que, afinal, tornaram “Wakanda para Sempre” provavelmente mais interessante do que seria uma mera continuação.

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Com isso, logo de cara temos a nova rainha, Ramonda, mãe do Pantera, fazendo uma visita a um conselho da ONU reunido em Bruxelas e esculhambando nações bélicas (EUA à frente) que, por seu militarismo, querem por as mãos no vibranium, o poderoso metal que só Wakanda possui.

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Por um tempo estamos livres dos super-heróis. Por mais que o Pantera Negra tenha se mostrado talvez o mais estimável deles em seu filme de estreia, é sempre um consolo que nossos heróis sejam pessoas razoavelmente comuns.

Incomum também é o reino de Wakanda, mistura colorida de costumes tribais e tecnologia de ponta. Essa tecnologia que, no mais, Shuri, a irmã mais nova do Pantera, domina perfeitamente. Até aqui estamos num reino de mulheres. Mulheres negras e poderosas: não é pouco para um filme que parecia num beco sem saída com a morte de Boseman.

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Se um homem surge para turvar essa dominação é Namor, cujo prodigioso reino nas profundezas oceânicas tem início no século 16, quando a América Central é invadida pelo homem branco e, graças a umas tantas mágicas, Namor, ainda menino, consegue eliminá-los. Pois bem: ao contrário do se imaginava, Wakanda não é o único lugar a possuir o vibranium: o fundo do mar também.

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É evidente, os EUA querem por as mãos no precioso mineral, capaz de por o mundo de joelhos com seu poder. Conversa vai, conversa vem, Namor propõe a Wakanda um pacto entre as duas nações, a fim de controlar o vibranium e evitar que os países guerreiros (e colonialistas ou imperialistas) o utilizem.

Wakanda percebe que a associação proposta não é saudável. Mas Namor é poderoso e, na falta de um parceiro para enfrentar a dominação do homem branco, decide ir à guerra contra Wakanda. O vingativo Namor, há quem tenha observado, não seria senão a Venezuela com seu petróleo. Pode, perfeitamente, fazer o papel de vilão belicoso, o que permite à Marvel deixar os EUA em segundo plano (mas não com a barra de todo limpa). E permite ao filme, mais do que tudo, entrar no universo do blockbuster.

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Shuri, então, combina a força da tecnologia mais sofisticada com o poder de uma Erva (com maiúscula) ancestral para se tornar, ela própria, uma super guerreira e demonstrar que tem também o sangue de pantera. O pacifismo de Wakanda fica para trás e voltamos ao reino dos super-heróis, com suas lutas intermináveis e bem ao gosto infantil.

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Prepara-se o final e, sobretudo, a continuação da saga (talvez “para sempre”, conforme o título). Mas o fato é que o interesse do filme decai à medida que seus subplots um tanto delirantes e que a criação de um Olimpo de deuses (deusas, sobretudo) dão lugar à exibição de poderes ilimitados, quer dizer, vão se adaptando às necessidades da luta que têm pela frente.

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Com tudo isso, “Wakanda para Sempre” tem um maior interesse, para espectadores adultos, do que o habitual das sagas enjoativamente repetitivas do universo Marvel. Isso não impedirá o espectador de sentir em diversos momentos o peso dessas imagens supercarregadas de elementos mágicos, que passam à nossa frente, em quase toda a extensão do filme, à razão de um plano por segundo, mais ou menos, sobrecarregados por efeitos especiais de todo tipo. Mas isso são as leis do gênero.

Dito o que, me parece precipitada a ideia de que com o Pantera Negra e seus sucessores os negros têm acesso ao mundo dos superpoderes. É certo, porém, que tomam uma fatia do mundo do puro espetáculo: será que com isso o cinema poderá colaborar com a luta antirracista, ou terá isso o mesmo efeito dos comerciais de TV, onde modelos negros desfilam com elegância e desenvoltura? Fora dali, no entanto, não faltam demonstrações, a cada dia, de que o racismo continua a correr solto. A ver os próximos capítulos dessa história onde, no mais, não faltam órfãos (Shari e Namor, entre outros).

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Pantera Negra: Wakanda para sempre

Avaliação: Bom
Onde: Nos cinemas a partir desta quinta (10)
Classificação: 14 anos
Elenco: Angela Bassett, Letitia Wright e Lupita Nyong’o
Produção: EUA, 2022
Direção: Ryan Coogler

*A reportagem é de Inácio Araujo

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