Flexibilização da Lei das Estatais deve ter caminho mais longo no Senado

PT decide que não vai tentar impedir obstruções, e votação pode ficar para 2023

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(Foto: Agência Senado)

O projeto de lei que altera a Lei das Estatais e flexibiliza a quarentena para indicados para cargos de diretores e presidência de empresas públicas não deve seguir direto para o plenário do Senado Federal. Há chances, portanto, de que não seja apreciado ainda neste ano.

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O líder do governo Bolsonaro no Senado, Carlos Portinho (PL-RJ), apresentou requerimento solicitando que a matéria, cuja votação era inicialmente prevista nesta quinta-feira (15), seja analisada antes pela Comissão de Constituição e Justiça da Casa.

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Após o desgaste envolvendo a indicação de Aloizio Mercadante para o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), a bancada do PT na Casa indica que não vai se opor, e a tendência é que a proposta não seja apreciada com rapidez.

Caso o caminho mais longo seja adotado, ainda há chances de que a proposta entre na pauta de votação na semana que vem, considerando que o recesso legislativo tem início a partir do dia 23. No entanto, senadores apontam que dificilmente alguém assumiria o ônus de atropelar a medida na próxima semana.

A perspectiva de que a Lei das Estatais encontre no Senado maiores dificuldades para avançar acalmou em parte o mercado financeiro, que temia a desvalorização de grandes empresas estatais como Petrobras e Banco do Brasil. Como o peso delas é grande no mercado de ações, uma queda no valor dos papeis afeta a Bolsa como um todo.

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Após a divulgação de que a votação no Senado pode ser adiada, a Bolsa de Valores brasileira operava em alta na tarde desta quinta, impulsionada pelos papéis das empresas sob controle do governo. As ações ordinárias da Petrobras, que tombaram quase 10% na sessão passada, registravam ganhos de 1,15% no início da tarde, enquanto as do BB (Banco do Brasil), que caíram 2,5%, avançavam 1,5%.

A bancada petista ficou contrariada com a ligação feita entre a aprovação da proposta e a nomeação de Mercadante, argumentando nos bastidores que o centrão é o principal beneficiado pela flexibilização da quarentena.

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Aponta-se que outro interessado na medida seria o governador eleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que precisa dessa flexibilização para conseguir realizar nomeações a partir do próximo ano.

Mudança foi inserida em texto sobre publicidade e aprovada a toque de caixa Embora não conste na pauta oficial da sessão, havia a previsão de que a proposta fosse votada pelos senadores na tarde desta quinta-feira (15), dois dias após ter passado pela Câmara dos Deputados.

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Na noite de terça-feira (13), a toque de caixa, os deputados federais aprovaram um projeto que muda a Lei das Estatais para reduzir para 30 dias a quarentena de indicados a ocupar cargos de presidente e diretor das empresas públicas.

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Atualmente, a Lei das Estatais veda a indicação para esses cargos de pessoas que tenham atuado, nos últimos 36 meses, como participante de estrutura decisória de partido político ou em trabalho vinculado a organização, estruturação e realização de campanha eleitoral.

O texto aprovado pelos deputados retira da lei a menção aos 36 meses. Além disso, inclui dispositivo que prevê que, para não haver vedação, a pessoa que tiver atuado em estrutura decisória de partido político ou em trabalho vinculado a campanha eleitoral deve comprovar o seu desligamento da atividade incompatível com antecedência mínima de 30 dias em relação à posse como administrador de empresa pública ou sociedade de economia mista, bem como membros de conselhos da administração.

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A aprovação aconteceu algumas horas após a indicação de Aloizio Mercadante para o BNDES, anunciada por Lula durante evento para celebrar o encerramento das atividades dos grupos técnicos do gabinete de transição.

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Aumentaram os rumores de que houve interferência da equipe de Lula o fato de que o presidente eleito e diplomado havia recebido horas antes para um café da manhã o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

O ônus pela alteração da Lei das Estatais recaiu então sobre o futuro governo, em particular para facilitar a nomeação de Mercadante. Na hora da votação, alguns deputados chegaram a apelidar a flexibilização de “Emenda Mercadante”.

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A referência irritou os integrantes do gabinete de transição e petistas históricos, mesmo tendo o partido de fato votado favorável à medida –apenas PSDB e Novo foram contrários.

Por isso, nesta quinta-feira (15), alguns caciques do PT no Senado têm dito nos bastidores que não vão se opor a qualquer tentativa de obstrução da votação. Vão simplesmente deixar o ônus pelo adiamento ou também por pressionar pela votação para os integrantes do bloco centrão, que eles apontam serem os principais beneficiários da medida.

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Alguns petistas afirmam que Mercadante foi usado como um “bode expiatório” e que a iniciativa de colocar em votação a proposta na Câmara dos Deputados não contou com articulação de deputados do partido.

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A indicação de Mercadante, segundo os integrantes da transição, desviou o foco da opinião pública e jogou a responsabilidade pela mudança na lei na conta do PT.

A equipe de Lula tem defendido que havia segurança sobre a legalidade no caso do petista e que a alteração na lei não era necessária para o futuro presidente do BNDES. De qualquer forma, a alteração deve tornar mais confortável a aprovação dele para o posto e, independentemente disso, provoca efeitos mais amplos na política.

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Apesar do requerimento do líder Carlos Portinho, alguns senadores ligados ao governo tem evitado assumir uma defesa mais aberta do adiamento da votação nesta quinta-feira (15), embora busquem jogar a responsabilidade pela sua articulação no lado petista.

O requerimento apresentado defende a análise da CCJ do Senado, para evitar que uma norma dessa importância seja modificada “ao bel-prazer dos interesses de ocasião”.

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“Considerando que o instituto da quarentena é instrumento de proteção a áreas sensíveis e estratégicas da administração pública e que seu propósito é restringir, por período determinado, o desempenho de atividades por quem exerceu funções específicas e que terá, em função dos cargos, acesso a informações privilegiadas, é fundamental que se promova uma discussão aprofundada sobre a conveniência e oportunidade da pretendida alteração legislativa, especialmente no âmbito da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, evitando-se que normas dessa importância sejam modificadas ao bel-prazer dos interesses de ocasião, abrindo caminho para indicações de natureza meramente políticas nessas empresas”, afirma o texto do requerimento.

*Reportagem de Catia Seabra e Renato Machado

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