Parlamentares falam em “enquadrar” Campos Neto após reunião com Lula

Presidente tem criticado Banco Central devido à taxa de juros

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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Parlamentares da base aliada deixaram a reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta quarta-feira (8) com discurso alinhado ao do mandatário em relação às críticas ao Banco Central devido à taxa de juros.

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O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, por sua vez, botou panos quentes na crise e disse que não há fritura de diretores da autoridade monetária.

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— Não existe nenhuma iniciativa do governo sobre mudança da lei [da autonomia] do Banco Central e nenhuma pressão sobre mandato de qualquer diretor. A lei estabelece claramente que tem mandatos e que serão cumpridos — disse a jornalistas.

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Questionado sobre qual resposta o governo espera dos senadores, como o Lula cobrou na véspera, Padilha disse que há uma lei e ela tem de ser “seguida, acompanhada e cumprida por todos”. Cabe ao Senado indicar e supervisionar a atuação de dirigentes da autoridade monetária.

Líderes da base, porém, adotaram outro tom após a reunião com o petista no Palácio do Planalto e afirmaram que o movimento para forçar a ida do presidente do BC, Roberto Campos Neto, ao Congresso para prestar explicações ganhou musculatura, o que deve acirrar os ânimos entre Lula e a instituição financeira.

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O presidente do Solidariedade, Paulinho da Força, disse que Neto “tem que ser enquadrado” e que “vários” integrantes da base prestaram apoio ao movimento do presidente de “enfrentar essa política econômica do Banco Central”.

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— O que estou dizendo é que o senhor presidente do Banco Central é um representante da Faria Lima e está fazendo o jogo da Faria Lima em detrimento do país — disse em referência à avenida de São Paulo que concentra bancos de investimento.

Paulinho afirmou que o que tumultua a economia é a alta taxa de juros, e não as declarações sobre o trabalho da autoridade monetária.

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— O Banco Central não pode ser o Vaticano, que está dentro da Itália mas quem manda é o Papa —afirmou.

Segundo o presidente do partido, “pelo menos” oito integrantes da reunião endossaram as críticas de Lula ao Banco Central, eles eles a chefe do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR).

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Outros parlamentares preferiram falar sob reserva sobre o assunto, mas também admitiram que o convite para Neto ir ao Legislativo deve ser aprovado e que, caso se negue a comparecer, ele pode ser convocado, o que torna obrigatória a presença no Legislativo.

A previsão nos bastidores é que no máximo até a segunda semana de março haverá uma sessão para que Neto seja ouvido por parlamentares.

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Nos últimos dias, Lula tem feito duras críticas ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Ele disse nesta semana que a atual taxa básica de juros do país, a Selic, é uma vergonha.

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— Não existe justificativa nenhuma para que a taxa de juros esteja em 13,50% [ela está na verdade em 13,75%]. É só ver a carta do Copom para a gente saber que é uma vergonha esse aumento de juro — disse Lula.

Ele também já classificou a autonomia do Banco Central como uma “bobagem”.

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— O problema não é de banco independente, não é de banco ligado ao governo. Problema é que esse país tem uma cultura de viver com os juros altos — afirmou Lula.

— Quando o Banco Central era dependente de mim, todo mundo reclamava. O único dia em que a Fiesp [federação da indústria paulista] falava era quando aumentava os juros. Era o único dia […]. Agora, eles não falam — disse na segunda-feira (6).

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*Reportagem de Marianna Holanda e Matheus Teixeira