Moraes manda soltar 102 presos por participarem de atos de 8 de janeiro

Presos de 14 estados, incluindo Santa Catarina, serão beneficiados com a medida

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Golpistas depredaram prédios dos Três Poderes em Brasília (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Golpistas depredaram prédios dos Três Poderes em Brasília (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou nesta terça-feira (28) a liberação de 102 pessoas presas por participarem dos atos golpistas em Brasília no dia 8 de janeiro.

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Segundo apurou a reportagem, os beneficiados terão que seguir uma série de medidas, como:

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  • Uso de tornozeleira eletrônica;
  • Obrigação de apresentar-se à Justiça no estado de origem, no prazo de 24 horas e comparecimento semanal, todas as segundas-feiras;
  • Proibição de sair do país;
  • Cancelamento de todos os passaportes;
  • Suspensão imediata de quaisquer documentos de porte de arma de fogo;
  • Proibição de utilização de redes sociais;
  • Proibição de comunicar-se com os demais envolvidos.

Quem são os catarinenses envolvidos nos atos golpistas em Brasília

As decisões de Moraes foram proferidas em segredo de Justiça e beneficiam presos em 14 estados: Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

Com a decisão, cerca de 800 pessoas seguem detidas no Distrito Federal pelo ataque e invasão às sedes dos três Poderes, segundo balanço divulgado no início do mês pela Secretaria de Administração Penitenciária (Seape). O número atualizado ainda não foi divulgado pela pasta. O UOL entrou em contato com o órgão e aguarda retorno.

Após as audiências de custódia, em janeiro, Moraes já havia soltado cerca de 460 pessoas que seguiam monitoradas por tornozeleira eletrônica. Nessas decisões, o ministro tem liberado presos com problemas de saúde acusados de crimes menos graves.

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Os pedidos de soltura têm sido oferecidos pela Defensoria Pública da União, que atua na defesa de alguns investigados pelos atos golpistas, e também por advogados dos detidos.

Como mostrou o UOL, a prisão de centenas de pessoas e as denúncias contra os envolvidos nos atos golpistas criou um impasse para o Supremo, que não sabe como irá proceder para processar e julgar tantos investigados.

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O temor é que o grande volume de casos trave o STF — o julgamento do Mensalão, por exemplo, levou quatro meses para ser concluído. Depois, um ano e meio para que todos os recursos fossem avaliados, e o processo, encerrado.

Entre as opções para desafogar o Supremo estaria formar uma força-tarefa com servidores de outros tribunais, para auxiliarem os gabinetes nos julgamentos, ou enviar os casos para a primeira instância — opção defendida por advogados dos presos. Neste cenário, porém, a medida abre riscos de decisões divergentes entre juízes para as mesmas acusações.

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Nesta segunda (2), Moraes decidiu que caberá ao STF julgar e processar militares que tenham participado dos atos golpistas. O ministro também autorizou um pedido da PF para abrir uma investigação sobre eventuais crimes cometidos por integrantes das Forças Armadas e das Polícias Militares nas manifestações antidemocráticas.

Decisão foi proferida em meio à expectativa de avanço de apurações sobre militares. Segundo o UOL apurou, as investigações já identificaram a participação de ao menos um militar da ativa envolvido nos atos golpistas de janeiro.

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*Por Ana Satie e Paulo Roberto Netto, de São Paulo, para Folhapress

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