A magia que molda a história de Florianópolis ainda respira

Respeitando a sabedoria antiga, adaptada a um novo olhar, benzedeira mais jovem da capital catarinense renova saberes ancestrais

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Um mundo de fantasia, misticismo e fé contempla vidas extraordinárias

(Foto: Divulgação)

Aqui, a natureza vibra e encanta. O povo acolhe e faz morada. A história faz jus à magia de toda a trajetória dos últimos 350 anos de fundação. Conhecida como Ilha da Magia desde a vinda dos açorianos para a região, são inúmeros os contos que rondam a capital catarinense. Entre tantos seres místicos, as bruxas e feiticeiras são a principal referência das lendas urbanas e uma forte herança cultural, apontadas em obras de escritores como Franklin Cascaes, pesquisador da cultura açoriana, folclorista, ceramista, antropólogo, gravurista e escritor.

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As superstições foram criadas como uma forma de proteção a respeito dos casos que infringiram o medo nos antigos moradores. Em meio à escuridão em busca de alimentos pela madrugada, os pescadores contavam situações inexplicáveis – mas que eram ricas históricas. O fantástico e o sobrenatural, um mundo de fantasia, misticismo e fé contempla vidas extraordinárias e a sabedoria popular, que atrai, cura e conecta a Ilha.

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Cascaes trouxe, em suas obras, as reproduções de conversas sobre fantasmas, crenças sobre boitatás, lobisomens, negrinho do pastoreio e saci-pererê, mas principalmente sobre as bruxas, que assombravam a Ilha, trazendo agressividade, anomalias e deficiências no entendimento da época. Na sua obra “O fantástico na Ilha de Santa Catarina”, o escritor conta que as bruxas atacam cavalos, pescadores, roubam lancha baleeira, fazem balés, congressos e eleições. Além disso, detalha o papel da bruxa-chefe, que passaria ordens do próprio diabo para suas subordinadas, que promoveriam as assombrações após as reuniões bruxólicas semanais.

“Assim ficou confirmado, pela benzedeira e pelo casal, que aquelas quatro atrevidas mulheres bruxas eram quem estava tomando o sangue das suas inocentes criancinhas” Trecho retirado da obra “O fantástico na Ilha de Santa Catarina” de Franklin Cascaes

Fé e sabedoria: Como é ser benzedeira em tempos modernos

A tradição das benzedeiras se mantém na Ilha da Magia e também se adapta a um novo olhar. Sabedoria antiga, proteção, benção e muita fé envolvem a rotina das benzedeiras de Florianópolis.

Camila Gomes é a benzedeira mais nova da capital, segundo o Mapa das Benzedeiras da Ilha, aliando pedidos contemporâneos e atendimentos modernos. Camila iniciou como aprendiz de benzedeira em um centro de Umbanda em 2005. Foi consagrada como Benzedeira em 2011, após decidir seguir o legado de cura de forma autônoma, conforme suas ancestrais.

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— Sinto que minha jornada é inspirar pessoas sobre autoconhecimento e espiritualidade. Unir minha formação acadêmica da psicologia com o legado de benzer e abençoar com a fé. Consigo sentir a magia da Ilha, em seus quatro cantos. A sua natureza, seus pontos de força são potentes. Quando entramos em contato com o profundo que nos habita (nossa Alma) e com a natureza, entramos em ressonância com esses saberes ancestrais. A magia acontece  — detalha a benzedeira

A benzedeira ainda conta que sempre foi uma criança religiosa, de família católica, ainda que não praticante. Ao estudar em colégio de freira, se deparou com a fé e os ritos religiosos. No início, desejava ser freira, mas ao amadurecer sua espiritualidade e fé, decidiu estudar e se vincular ao grupo para aprender a benzer e realizar rituais de cura, inicialmente para cura própria e, depois, para auxiliar outras pessoas.

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Camila conta que as ancestrais que vieram dos Açores no século XVII foram consideradas bruxas pela Igreja Católica, que dominava a cultura portuguesa da época. Eram mulheres que praticavam a antiga religião de cultuar e se conectar com a natureza de forma livre e respeitosa. Muitas foram queimadas, outras doutrinadas e outras tantas exiladas no “novo mundo”, chegando à vila de Desterro.

— Quando aqui chegaram, uniram seus saberes com os indígenas que aqui habitavam e comungavam. Também proferiram esses saberes, assim como a população africana. Nesta época, na Ilha, havia lugares isolados onde esses saberes foram passados de geração em geração apenas na oralidade, pela dificuldade de acessar saberes religiosos e de saúde — completa.

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Saiba mais no canal Floripa Faz Bem no portal da Nsc.

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