Rita Lee, a maior roqueira brasileira para sempre

Rita me instigou a viver intensamente, a não esconder as coisas que acredito e a ser uma mulher com todo poder que qualquer ser humano deve ter sobre sua vida

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Rita Lee e Roberto Carvalho (Foto: Arquivo Pessoal)

Rita Lee vai continuar reverberando para a eternidade. A gente vai poder dizer que viveu na mesma época em que ela esteve aqui neste mundo.

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Eu conheci a Rita Lee na década de 1970 com a música “Esse tal de Roque Enrow”. Lembro-me que ainda criança eu, já louca por música, brincava de ser ela cantando com cabo de vassoura me achando “A” roqueira!

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Tinha algo no visual, na energia daquela mulher que me encantava. Mais tarde, percebi que o me encantava ia muito além das músicas dela. Eu amava as atitudes, como ela se vestia, como ela se comunicava. Achava maravilhoso ela à frente de uma banda de homens, gatos, roqueiros.

Era libertador.

Eu nada entendia ainda de machismo, feminismo, empoderamento. Mas achava poderoso uma mulher tão livre com sua banda rock.

Passei a comprar os LPs dela e seu Tutti Frutti. Mais tarde, já mais interessada na história, vi que essa liderança já tinha rolado na banda Mutantes, que foi tão importante no tropicalismo.

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Foi conhecendo a história dessa paulista ruiva de olhos azuis que percebi o quanto ela foi gigante para nós mulheres e, por isso, eu me sentia tão atraída.

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As músicas abordavam temas sociais, mas a coerência da Rita no dia a dia como cidadã é que fortaleceu tudo que ela foi.

Assim como eu, ela acreditava que não tinha essa coisa de que “homens podem tudo e mulher tem que se comportar”. Ela praticava isso, nunca se intimidou e muito menos ficou na reclamação.

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Ela fazia.

Em uma entrevista a Pedro Bial, contou que era punk ser roqueira na época dos Mutantes.

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Ela ouvia muito dos homens que “pra fazer rock tem que ter culhão”. Ela pegou o ovário, foi lá e fez. O machismo a tirou dos Mutantes. Formou outra banda e mandou ver. Como ela mesmo cantava “deu tratos à bola” e seguiu fazendo o que acreditava que podia fazer. Fez com maestria.

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Ela mesma falava que não gostava muito de discurso, preferia mostrar que a mulher podia na prática: “‘Ahh, mulher não pode usar calça Jeans’. Vesti meus jeans e fui pro palco”.

Rita enfrentou censura, prisão, mas nunca perdeu a gana de viver. Viveu intensamente.

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Se apaixonou por um homem mais novo. Casou com ele. Na época, muitos falaram que o amor adocicou Rita. Sempre achei que ela continuou sendo a mesma mulher forte de sempre, porém, apaixonada.

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Viveu, sim, uma linda história de amor, criou três filhos lindos e, com certeza, os formou homens melhores.

O mundo da música perde uma compositora consistente e eternamente impertinente. O Brasil perdeu uma das grandes mulheres que não se importava com bandeiras, ela era a própria bandeira!

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Rita me instigou a viver intensamente, a não esconder as coisas que acredito e a ser uma mulher com todo poder que qualquer ser humano deve ter sobre sua vida, independente de gênero. Me ensinou a acreditar no amor, a me permitir e me fez ser ainda mais apaixonada por música!

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E pra terminar este texto, deixo uma parte de uma das letras que mais amo dela:

“Não é de hoje que eu estou aqui

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Tentando voltar pro lugar

De onde nunca saí

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Eu já fui pedra

Eu já fui planta

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Eu já fui bicho

Hoje eu sou uma pessoa envolvida

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Pelas vidas que vivi

Eu faço parte do povo

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Que faz parte da Terra

Que faz parte do reino

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Que não teve começo

Que não vai ter fim(…)”

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[o futuro me absolve – Rita Lee e Tutti Frutti]

Obrigada, Rita Lee, Por toda a arte e por tudo que você representou para nós, mulheres!

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