Parar de fumar reduz hipertensão em tempo “surpreendente”, diz estudo

Estudo realizado no InCor (Instituto do Coração) começou em 2017 e terminou no final de 2022

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Parar de fumar reduz hipertensão em tempo surpreendente

Tabagismo mata mais de 440 brasileiros por dia (Foto: Cottonbro Studio/Pexels)

Um estudo realizado no InCor (Instituto do Coração) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) mostrou que parar de fumar reduz a pressão arterial de fumantes hipertensos em apenas 12 semanas, mesmo àqueles que usam remédios para hipertensão. As informações foram publicadas na Revista Galileu.

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“Nosso estudo concluiu que parar de fumar funciona como um remédio para tratar a hipertensão”, disse a cardiologista Jaqueline Scholz, coordenadora do Programa de Tratamento do Tabagismo do InCor, orientadora do estudo e assessora-científica da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp).

“Cerca de 40% dos pacientes do nosso ambulatório [de cessação do tabagismo] possuem comorbidades, entre elas, a hipertensão. Esse estudo constatou o que víamos na prática clínica, que eram pacientes hipertensos diminuindo a necessidade do uso do remédio porque pararam de fumar e alcançaram a meta do controle da pressão”, explica.

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O estudo

A pesquisa reuniu 361 participantes que faziam tratamento para parar de fumar no hospital e, entre eles, 113 eram fumantes com hipertensão e tomavam remédio para controle da pressão arterial.

O grupo foi dividido em dois e receberam duas medicações distintas. Os pacientes fizeram seis visitas ao ambulatório e os níveis pressóricos foram medidos no primeiro dia, após quatro semanas e após 12 semanas de tratamento. Do grupo de pacientes fumantes hipertensos, 72 pessoas pararam de fumar (chamado grupo de cessação) e outros 41 não pararam, mas reduziram o consumo.

Após o período de três meses, os níveis pressóricos reduziram entre aqueles que pararam de fumar (cerca de 10 mmHg na pressão sistólica, o valor mais alto que aparece quando medimos, e cerca de 4 mmHg na pressão diastólica, o valor mais baixo). Para a regulação da hipertensão arterial, o ideal seria uma pressão arterial diastólica menor que 85 mmHg e sistólica menor que 130 mmHg.

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“Nós não interrompemos o uso da medicação hipertensiva, mas observamos uma melhora clínica considerável”, relata a médica.

“Quando avaliamos novamente a pressão arterial desses pacientes vimos que ela estava dentro da meta, como se o fato de parar de fumar fosse um outro medicamento, pois ele potencializou os efeitos no controle da pressão arterial”, explica a cardiologista. Os participantes que pararam de fumar também reduziram a frequência cardíaca.

O trabalho, que foi realizado como parte de uma tese de doutorado, começou a ser realizado em 2017 e encerrou no final do ano passado.

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Os resultados foram apresentados em um congresso sobre tabagism nos Estados Unidos e está em processo de submissão para publicação do artigo científico.

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Tabagismo, cigarro e hipertensão

O tabagismo não é uma causa direta da hipertensão arterial, mas fumar pode agravar a pressão arterial gerando, consequentemente, uma pior evolução no tratamento das doenças cardiovasculares.

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A relação entre fumar e o aumento da pressão envolve uma complexa interação entre fatores hemodinâmicos e sistema nervoso autônomo. Resumidamente, a nicotina presente no cigarro gera uma ativação do sistema nervoso simpático aumenta a frequência cardíaca, a pressão arterial e, ao mesmo tempo, reduz a oferta de oxigênio aos vasos e ao coração.

Mais de 440 brasileiros morrem por dia devido ao tabagismo

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de oito milhões de pessoas morrem todos os anos em consequência do tabagismo.

No Brasil, mais de 440 pessoas morrem a cada dia por doenças associadas ao cigarro, segundo dados do Ministério da Saúde.

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Entre as mortes anuais atribuíveis ao cigarro:

  • 37 mil correspondem à doença pulmonar obstrutiva crônica;
  • 33 mil às doenças cardiovasculares (entre elas infarto e AVC);
  • 24.400 mil ao câncer de pulmão;
  • 25.600 a outros cânceres;
  • 18.600 ao tabagismo passivo, entre outras causas.