Por que prefeitos de SC vão protestar contra o governo Lula

Alerta contra crise nos municípios motiva mobilização nacional prevista para esta quarta-feira

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Assembleia de prefeitos da Fecam na sede da associação de municípios da Grande Florianópolis deve discutir pedido de aumento no FPM

Assembleia de prefeitos da Fecam na sede da associação de municípios da Grande Florianópolis deve discutir pedido de aumento no FPM (Foto: Divulgação)

Prefeitos de cidades de Santa Catarina participam nesta quarta-feira (30) de um protesto contra o governo federal, sob gestão do presidente Lula (PT). A mobilização acompanha campanha prevista para outros 15 estados contra o que vem sendo chamado de uma crise nas finanças municipais.

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Em SC, a Federação dos Consórcios, Associações e Municípios de Santa Catarina (Fecam) convocou prefeitos para publicaram manifestações em redes sociais e entrevistas à imprensa em protesto contra a situação enfrentada por administrações municipais. A campanha ocorre com o mote “Sem repasse justo, não dá”.

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A principal reivindicação dos prefeitos insatisfeitos é um repasse adicional de 1,5% do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), a ser pago em março de 2024. Além disso, o grupo pede também o pagamento integral das emendas parlamentares federais, que segundo os gestores são responsáveis por dar um alívio financeiro às contas de algumas prefeituras. Embora as emendas individuais e de bancada tenham pagamento obrigatório, o fluxo de liberação é decidido pelo governo federal, levando em conta também critérios políticos.

A prefeita de Vargem e presidente da Fecam, Milena Lopes (PL), explica que os municípios tiveram quedas expressivas nos meses de julho de agosto no repasse do FPM. O fundo consiste na distribuição de parte da arrecadação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e é considerado a principal receita de sete a cada 10 prefeituras.

Nos 20 primeiros dias de agosto, o repasse do FPM teve redução de 23%, segundo dados da Confederação Nacional dos Municípios (CNM). Resultado de queda também havia sido registrado neste período em julho. O motivo seria o aumento das restituições e a queda no Imposto de Renda de grandes empresas.

Como seria o aumento no FPM

Hoje, as prefeituras já recebem um adicional de 1% do FPM nos meses de julho, setembro e dezembro. Com isso, em vez dos 22,5% da receita dos dois impostos recebidos todos os meses, nestas três datas as cidades recebem 23,5%. Por conta da recente redução, os prefeitos reivindicam um pagamento adicional de 1,5% a ser pago em março do ano que vem. Assim, naquele mês as prefeituras receberiam 24% do arrecadado em IR e IPI. Segundo a Fecam, o valor já seria suficiente para garantir fôlego aos municípios.

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A ideia de adicionar esse 1,5% como compensação pela queda de receitas nos municípios também está em uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em discussão desde o ano passado no Congresso.
— Isso vai dar segurança para todos os prefeitos e prefeitas e fará com que tenhamos condições de gerenciar o recurso com segurança — afirma a prefeita.

Em SC, o assunto será tema também da assembleia de prefeitos da Fecam, que ocorre na tarde desta quarta-feira, na associação de municípios da Grande Florianópolis (Granfpolis). Em outros estados, como Minas Gerais e na região Nordeste, a previsão é de que a mobilização possa motivar até mesmo paralisações nas prefeituras.

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A mobilização se baseia também em um estudo da CNM divulgado neste mês com a informação de que 51% dos municípios brasileiros estão “no vermelho”.

Procurado pela reportagem, o Ministério da Fazenda informou que o titular da pasta, Fernando Haddad, falou sobre o tema em entrevista coletiva na terça-feira. Na ocasião, o ministro disse que o governo federal está aberto para conversar com os municípios.

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— Houve uma queda de arrecadação forte em julho. Não podemos nos deixar impactar por um mês. Vamos aguardar a apuração de agosto, que parece que reagiu. Mas eu mesmo trouxe a público que julho preocupou muito a área econômica, o comportamento demonstrou uma desaceleração — afirmou.

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