Os dias mais quentes podem ser um convite para aproveitar as praias de Florianópolis e levar os cães para passear na areia à beira-mar. Mas a prática, além de demandar cuidados especiais com os pets, pode acarretar em apreensão dos animais.
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Na capital catarinense, uma lei complementar proíbe a presença de cães, gatos ou outros animais em praias. Isso inclui até cães-guias, por exemplo. A legislação, no entanto, é alvo de críticas de quem leva os animais de estimação para a praia.
Para a tutora Janaina Menegol, não há mais espaço para a proibição. Ela leva o Golden Retriever Filé, de 6 anos, desde que ele era um filhote. Primeiro, apenas no colo; depois, com as vacinas em dia, ele pôde explorar o chão e a água.
— Com normas e regras, a convenção ficaria melhor, a gente se sentiria mais seguro e protegido, porque às vezes você vai em uma praia e você não sabe como aquelas pessoas que estão lá vão reagir. Se você tivesse no seu direito de levar seu cachorro à praia, eu acredito numa tranquilidade —, considera.
Ela compartilha cuidados básicos com o pet antes de levá-lo à praia: horários mais frescos e com menos gente nas praias, além de manter a medicação e vacinas em dia. Depois do passeio, o cuidado é deixar o Filé seco e sem areia.
Veterinários recomendam cuidados
O médico veterinário Nelso Algarves cita os mesmos cuidados para os tutores que querem levar os animais de estimação à praia.
— A areia quente pode queimar as almofadinhas das patas (coxins), então, é aconselhável verificar a temperatura da areia antes de deixar o animal correr por aí. O sol também pode ser perigoso, causando insolação e queimaduras na pele. Portanto, protetor solar para cães é uma boa ideia, especialmente para aqueles de pelagem curta ou pele clara. Algumas raças têm predisposição genética a câncer de pele e a exposição ao sol é ainda menos recomendada.
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Além disso, a ingestão de água do mar pode causar problemas digestivos, por isso é importante evitar que eles bebam em excesso.
— Enxaguar o pelo do seu cão após o banho de mar é uma boa prática para remover o sal e a areia —, completa.
Suzana Just, também médica veterinária, ainda cita a hidratação como fator importante.
— [É necessário] muita hidratação; levar garrafa de água fresca e oferecer várias vezes ao pet durante os passeios.
Preconceito
Janaína conta que poucas vezes encontrou pessoas que não gostassem da presença do Filé na praia.
— Normalmente é o contrário, as pessoas que vão até o Filé, mas ele está na praia para se divertir, para aproveitar, então ele acaba não dando muita atenção para os humanos ao redor — revela.
Quando casos assim acontecem, Janaina conta que tenta entender o lado do outro e se afastar.
— Nunca aconteceu de ter que me retirar, eu dando um distanciamento sempre foi o suficiente.
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— A praia é um espaço da natureza, assim como trilhas, como outros lugares, acho muito errado vetar a presença de uma espécie de animal. O ser humano não é o único ser que gosta de explorar; cães amam explorar, amam aquele ambiente, então o ser humano ser muito individualista e pegar todo aquele ambiente só pra ele, eu acho bem errado.
O que diz a legislação
Em Florianópolis, a lei que proíbe a permanência de cães nas praias é de 2001. Ela prevê, inclusive, a captura do animal que estiver nestes espaços. Na cidade do Rio de Janeiro e em Santos, no litoral paulista, leis municipais permitem a permanência dos animais nas praias, desde que usem coleira.
Questionada sobre a fiscalização da lei, a Vigilância Sanitária de Florianópolis não respondeu à reportagem. O espaço segue aberto.
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