OUÇA: Conversas mostram esquema de corrupção revelado pela Operação Presságio

Áudios da investigação mostram ex-assessor afirmando que assumiria gestão de contratos e sócio de empresa dando supostas coordenadas para direcionar licitação

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Contrato para instalação de tendas e estruturas metálicas no Centro Sul, para abrigar carros alegóricos de escolas de samba, é alvo de investigação na Operação Presságio

Contrato para instalação de tendas e estruturas metálicas no Centro Sul, para abrigar carros alegóricos de escolas de samba, é alvo de investigação na Operação Presságio (Foto: NSC TV, Reprodução)

Áudios obtidos pela investigação da Polícia Civil ajudam a explicar o que levou à prisão preventiva de quatro investigados na Operação Presságio, em Florianópolis. Na quarta-feira (29), o ex-secretário de Turismo, Cultura e Esporte de Florianópolis, Ed Pereira, o ex-assessor dele Raul Renê Justino e outras duas pessoas ligadas ao político foram presas preventivamente, na segunda fase da investigação.

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A apuração teve início investigando um suposto esquema ilegal de contratação de uma empresa terceirizada para a coleta de lixo, mas também investiga possíveis fraudes em contratos de eventos esportivos e repasses a organizações sociais. O ex-secretário de Turismo, Cultura e Esporte, Ed Pereira, e outras três pessoas ligadas a ele foram presas nesta semana, na segunda fase da operação.

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Um dos áudios levantados pela investigação, a que o colunista da NSC, Ânderson Silva, teve acesso, detalha o papel de Cléber José Ferreira, contador ligado a Ed Pereira e que foi preso preventivamente nesta quarta-feira. Segundo a investigação da Polícia Civil, ele seria responsável por um papel de articulador, auxiliando o ex-assessor e braço direito de Ed, Renê Raul Justino, no suposto desvio de recursos que deveriam ser destinados a projetos sociais.

Cleber também seria o responsável por indicar supostos laranjas e segundo a investigação chegou a sugerir a própria sogra. Pelo menos oito empresas teriam sido criadas pelo grupo investigado, com o suposto intuito de fraudar prestações de contas de projetos sociais e eventos patrocinados pela Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte, para ocultar um alegado desvio de recursos.

Em um dos áudios, de 2023, Renê teria afirmado a Cléber que passaria a cuidar dos contratos da secretaria. Ele chega a afirmar que o ano seria “maravilindo”.

Ouça o áudio

“O homem mesmo já falou que quem vai tocar todos os contratos, todas as licitações, a p* toda sou eu. Não tô nem alarmando, Cléber, mas vai ser aquele ano “maravilindo”, sabe? Vou ficar quieto, até para não dar zebra”.

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Áudio da Operação Presságio

Menos de um mês depois, Renê foi nomeado para o cargo de diretor de Projetos e Políticas Culturais da Fundação Franklin Cascaes, órgão ligado à Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte. A investigação da Polícia Civil aponta que três microempreendedores individuais (MEIs) teriam emitido notas fiscais no valor de R$ 78 mil entre 2022 e 2023. Conforme os investigadores, as contas seriam utilizadas para recebimento de valores desviados de projetos sociais, que posteriormente seriam sacados por Renê e destinados ao ex-secretário.

Mensagem orientava licitação para favorecer empresa

Um segundo áudio envolve o dono de uma empresa interessada em participar de uma licitação junto à Secretaria de Turismo. O objetivo era contratar o serviço de instalação de tendas ao lado do Centro Sul, no Centro de Florianópolis.

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Segundo a investigação da Polícia Civil, Ed Pereira teria “arquitetado uma fraude à licitação para o favorecimento” de uma das empresas, a Tendas Catarinenses, de Palhoça. Ele teria repassado ao ex-assessor Renê Raul Justino dois orçamentos e uma gravação com orientações para a elaboração de um termo de referência para a licitação. Dias depois, Ed também teria cobrado mais agilidade na elaboração da licitação.

Em um dos áudios obtidos pelos investigadores, o dono da empresa teria dado orientações de como deveria ser a licitação.

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Ouça o áudio

“Não vamos colocar que é de lona. Certo? Vamos colocar que é só um galpão de armazenagem galvanizado a fogo, entendeu? Não vamos falar que é de lona, entendeu? E prazo de entrega até dia 20 de… até dia 10 de janeiro, entendeu? Tem que entregar esses oito módulos de 15×15. Entendeu? Não vamos colocar lona! Que aí nós ‘tira’ muita gente da parada, entendeu? E o local de montagem, o Centrosul, na beira da praia, que aí o povo fica com medo.”

Áudio da Operação Presságio

Por fim, a empresa foi a única a participar do pregão e venceu a disputa. O serviço envolve a instalação de oito tendas para montar pavilhões que abrigam carros alegóricos de escolas de samba de Florianópolis. O contrato permanece em vigor, com os valores sendo pagos à empresa. Os recursos são da prefeitura, por meio do Fundo Municipal de Turismo. A Polícia Civil continua investigando o caso.

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Veja fotos da Operação Presságio

Contrapontos

O advogado do ex-secretário Ed, Claudio Gastão da Rosa Filho, se manifestou por meio de uma nota oficial. Confira na íntegra:

“Acompanhei meu cliente hoje de manhã no interrogatório na DEIC. Como ainda não tivemos acesso ao inquérito, ele optou por permanecer calado, não para exercer o direito constitucional, mas sim porque pretende prestar todos os esclarecimentos a partir do momento em que ele conhecer o conteúdo de toda a investigação.

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Eu terei acesso ao decreto de prisão somente à tarde, de modo que até lá não terei como me manifestar acerca dos fundamentos pelos quais o juiz entendeu agora decretar a prisão de uma pessoa primária, sem antecedentes, que estava colaborando com as investigações e sempre esteve à disposição da Justiça”.

Procurada, a defesa de Renê Raul Justino e de Cleber Ferreira, comandada por Francisco Ferreira, diz que “vai se inteirar da fundamentação do decreto de prisão preventiva à tarde e depois vai se manifestar sobre a defesa”. A defesa de Lucas Fagundes afirmou à reportagem da NSC TV que está analisando o conteúdo dos autos e que no momento não irá se manifestar. A defesa da empresa Tendas Catarinenses não foi encontrada.

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A prefeitura de Florianópolis se manifestou nesta quinta-feira (30) informando que segue acompanhando as investigações e que vai auditar qualquer indício de ilegalidade nos processos internos por meio da Corregedoria do município.

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