A história da ex-rainha da Oktoberfest Blumenau que ganhou o mundo como modelo internacional

Blumenauense de coração, a curitibana morou na cidade dos sete aos 20 anos, apesar ter passado um curto período fora quando atingiu a maioridade

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Raquel Tolardo em 2001, ao ser eleita rainha, e em 2024 (Fotos: Arquivo Santa/Patrick Rodrigues)

Ela começava uma carreira internacional promissora quando parou tudo para se dedicar ao sonho que carregou desde criança: ser rainha da Oktoberfest Blumenau. Para Raquel Tolardo, a fase dela como maior representante da festa é um dos capítulos mais bonitos da própria história e que deixou ensinamentos que ainda leva, aos 42 anos. Atualmente moradora de Balneário Camboriú, a modelo e empresária gosta de relembrar os tempos de coroa e toda a relação com a cidade.

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Saiba tudo sobre a Oktoberfest Blumenau 2024

Curitibana, descendente de alemães e italianos, Raquel tinha apenas sete anos quando se mudou para Blumenau com os pais e os dois irmãos mais velhos. Enquanto crescia no bairro Garcia, o evento também evoluía — são 40 anos de Oktoberfest em 2024. Sempre alegre e festiva, a modelo admirava o carro da realeza nos desfiles da Rua XV de Novembro. Essa parte da festa, inclusive, sempre foi a preferida dela:

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— Uma vizinha era responsável por levar os carros para o desfile, então sempre que sobrava uma vaga nos grupos a gente ia. Eu ficava nervosa só de ver a realeza, para mim era algo superior, inalcançável — descreve.

Também descobriu cedo o desejo de ser modelo. Sozinha se inscreveu em cursos e começou a fotografar para catálogos de empresas locais, como a Hering. A partir dos 13 anos iniciou uma trajetória profissional que até agora não teve fim. Aos 18 anos passou três meses na Itália para o primeiro contrato internacional. Na volta, decidiu ficar em São Paulo, onde teria mais oportunidades na carreira. A ideia não durou muito tempo.

— Minha mãe ligou e disse: “Te inscrevi no concurso da realeza da Oktoberfest, se você quiser participar é só vir” — recorda Raquel.

Naquele momento, o sonho falou mais alto. A vida como modelo teria de esperar. Voltou a Blumenau e estudou muito. Tinha na ponta da língua a história da festa, da cidade, do povo. À época, as candidatas precisavam responder perguntas dos jurados na final. Foram dias treinando na frente do espelho e alimentando a expectativa de se tornar ao menos uma das princesas — Raquel realmente achava impossível ser escolhida como rainha, um pensamento que até hoje não sabe explicar.

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É claro que não se lembra do questionamento e tampouco do que disse, mas se destacou. Quando ouviu o resultado, chorou muito. Raquel se dedicou ao sonho e viveu intensamente tudo que a missão trouxe. Participou de programas de TV, como do Gugu e Adriane Galisteu, viajou pelo país e desenvolveu novas habilidade que depois a ajudaram na profissão:

— Minha comunicação mudou muito, a oratória, a autoconfiança… Era sobre representar a beleza blumenauense, a festa, a tradição.

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Veja fotos da modelo e ex-rainha

Depois dos sorrisos e cumprimentos nas noites de Oktoberfest, a então rainha ficava nos pavilhões e curtia a festa até o amanhecer. Tiveram episódios que dormiu com o penteado para não perder a hora e ir ao próximo compromisso na manhã seguinte, praticamente sem descansar. O período fechou a atuação dela na edição de 2002, a faculdade de Moda na Furb também ficou para trás e a blumenauense de coração voltou a alçar voos mais altos.

Ao deixar Blumenau pela segunda e última vez, Raquel morou em diferentes países para trabalhar como modelo comercial. Chile, México, Itália… Fez grandes campanhas no Brasil para marcas de cerveja como a Kaiser, além de Marisa, Boticário, Renault, entre outras. De volta ao país, residiu por cerca de dez anos em São Paulo até a primeira gestação, momento em que decidiu que seria hora de voltar a Santa Catarina.

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— Eu tinha dito que quando engravidasse moraria onde a minha mãe estivesse. E ela estava em Balneário Camboriú. Se fosse Blumenau, iria para Blumenau. Eu amo aquela cidade — comenta.

Há pouco mais de 10 anos em solos catarinenses, Raquel mora com o parceiro, as duas filhas do casal, de 10 e 6 anos, e alterna trabalhos como modelo com a vida de empreendedora. Há dois anos formou sociedade com a amiga, Renata Torrens, com quem divide a missão de administrar uma loja de roupas para as praticantes de esportes com raquetes.

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Até para se arriscar na nova versão como empresária Raquel acredita que tem uma lição que aprendeu lá atrás, durante o reinado na Oktoberfest, que a ajudou:

— A gente aprende a ter coragem. Você é posta à prova a todo momento. O desafio vem e não tens opção, tem que ir e fazer. Carrego isso comigo.

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Duas décadas depois, Raquel guarda as memórias da Oktoberfest com muito carinho e agora tem um novo sonho relacionado à festa: levar as duas filhas para desfilar. Quem sabe elas sintam um pouco da alegria que a mãe delas tinha quando percorria a Rua XV de Novembro com o sorriso de orelha a orelha. Quem sabe elas entendam a força e a magia do evento para os que visitam ou os que vivem na cidade.

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