Arsênio usado por suspeita para envenenar sogro é o mesmo do bolo que matou três pessoas no RS

Inquérito concluiu que Deise Moura dos Anjos foi a autora dos crimes que mataram quatro pessoas da mesma família em períodos diferentes

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Bolo foi consumido no dia 23 de dezembro (Foto: Polícia Civil, Divulgação)

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul concluiu que Deise Moura dos Anjos utilizou o mesmo arsênio para matar o sogro Paulo Luiz dos Anjos, em setembro de 2024, e para envenenar o bolo de reis da confraternização de Natal no dia 23 de dezembro do mesmo ano, que matou três pessoas. As informações são do GZH.

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As 100 gramas de arsênio foram compradas em agosto, segundo a polícia. Deise, no entanto, comprou mais veneno depois, recebendo a substância no dia 16 de dezembro. No dia seguinte, ela teria envenenado um suco para dar ao marido e deixou à disposição na geladeira. O filho também bebeu o líquido e ambos passaram mal, mas se recuperaram.

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Segundo as investigações, que resultaram em dois inquéritos com 1.400 páginas e que apontam Deise como autora de quatro mortes, a mulher foi até a casa dos sogros no dia 31 de agosto para levar um pacote de leite em pó. Dois dias depois, Zeli dos Anjos — sogra de Deise — e Paulo misturaram o leite para fazer café e passaram mal.

Zeli foi hospitalizada mas recebeu alta, enquanto Paulo morreu. À época, a morte do homem havia sido considerada como uma “intoxicação alimentar”, e Deise tentou desencorajar a família a investigar o caso. A agora indiciada também tentou convencer a família a cremar o corpo do sogro.

A morte do homem acabou passando despercebida pela polícia. O objetivo sempre foi matar a sogra, mas “em algum momento ela passou a aceitar qualquer resultado”, de acordo com a delegada regional Sabrina Deffente.

— Mesmo que objetivo inicial era se livrar da sogra em algum momento ela passou a aceitar qualquer resultado — diz a delegada.

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Farinha envenenada

A investigação apontou que a farinha utilizada na produção do bolo estava envenenada com arsênio. De acordo com a polícia, no intervalo entre 20 de novembro e 23 de dezembro, ela não foi usada por Zeli.

Com base nessa informação, a polícia diz que o ingrediente pode ter sido envenenado entre 16 e 20 de novembro. Apesar de ter comprado mais arsênio, a farinha foi contaminada com o mesmo veneno comprado em agosto.

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O chefe da Polícia Civil, delegado Fernando Sodré, disse que a polícia deve apurar como Deise conseguiu comprar o arsênio por meio de um laboratório de forma on-line, já que a legislação é rígida quanto a aquisição da substância.

Cartas deixadas por Deise acusam sogra

A polícia disse, ainda, que Deise deixou mensagens na cela em que foi encontrada morta no dia 13 de fevereiro. Em uma das mensagens, ela admite que comprou o arsênio, confissão que até então não havia sido feita, mas que era para uso próprio “pois estava depressiva e nesses momentos a gente não pensa”.

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Em outra carta, Deise acusa Zeli de ter feito da vida dela de casada “um inferno por 20 anos”. “Mais uma vez eu sou a vilã e você a mocinha […] Conseguiu ficar com tudo o que é meu, minha família, minha casa”, diz um dos trechos.

As mensagens, de acordo com o delegado Sodré, demonstram “uma certa raiva e uma busca por um perdão, que não veio e não viria”.

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Cem anos de prisão

Segundo a polícia, se Deise estivesse viva, ela seria indiciada pelos crimes de triplo homicídio triplamente qualificado e três tentativas de homicídio triplamente qualificados, o que daria mais de 100 anos de prisão. Como Deise morreu, no entanto, houve a extinção da punibilidade.

Perícias e laudos

Segundo a diretora do Instituto-Geral de Perícias, Marguet Mittmann, mais de 30 pessoas estiveram envolvidas nas perícias realizadas e, para produzir os 35 laudos finais, mais de cinco departamentos agiram em conjunto.

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As mortes, de acordo com ela, aconteceram por envenenamento e não poderiam ter acontecido intencionalmente pelas circunstâncias dos fatos. No corpo do sogro de Deise, por exemplo, foi encontrada a segunda maior concentração de arsênio, substância utilizada nas mortes, entre as vítimas.

Tanto a diretora do IGP, quanto o delegado Cleber Lima, diretor do Departamento de Polícia do Interior, deixaram claro que não há dúvidas da autoria de Deise nas mortes. O delegado reiterou que as provas testemunhais e as provas técnicas são robustas, e que o crime foi elucidado.

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Porém, o delegado Lima disse que Deise poderia ter sido presa no dia 27 de dezembro, três dias depois das mortes, quando ela já era suspeita e o celular dela foi apreendido, mas que a polícia decidiu aguardar para que o caso não se tornasse um crime por desavenças familiares.

No dia 25 de dezembro, uma testemunha prestou um depoimento para incriminar Deise.

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Veja fotos do caso

Morte de Deise

Deise morreu durante a noite de 13 de fevereiro, vítima de suicídio, segundo as investigações. Ela foi encontrada em uma cela individual de uma unidade prisional no Rio Grande no Sul.

Relembre o caso

Maida Berenice Flores da Silva, de 58 anos, Tatiana Denize Silva dos Santos, de 43, e Neuza Denize da Silva dos Anjos, 65, morreram após ingerirem um bolo durante uma reunião familiar no dia 23 de dezembro. O sogro de Deise, Paulo Luiz dos Anjos, morreu em setembro de 2024 e, com a exumação do corpo, foi encontrado arsênio.

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