Como ataque de vírus letal pode levar espécie nativa de perereca à extinção em SC

Pesquisadores identificaram mortes de girinos da espécie nativa da Mata Atlântica

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Espécie de perereca verde é nativa da Mata Atlântica (Foto: Germano Woehl Jr, Divulgação)

Espécie de perereca verde é nativa da Mata Atlântica (Foto: Germano Woehl Jr, Divulgação)

Pesquisadores identificaram casos inéditos de um vírus atacando girinos de uma espécie de perereca nativa do Brasil. Os ataques foram descobertos na Reserva Particular do Patrimônio Natural Rã-bugio em Guaramirim, no Norte de Santa Catarina, e causam a preocupação de levar a espécie à extinção.

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Espécie de perereca verde é nativa da Mata Atlântica

Os casos foram identificados após o pesquisador Germano Woehl Jr, ambientalista responsável pelo espaço, encontrar os anfíbios da espécie Phyllomedusa ainda na fase de vida aquática mortos na lagoa.

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— O espaço onde eles se reproduzem fica a poucos metros da porta de nossa casa. Começamos a observar dezenas de girinos mortos que ficavam retidos na saída da água da lagoa — afirmou.

Com isso, o pesquisador procurou outros especialistas para analisarem os animais mortos, que revelaram que os girinos estavam infectados com o vírus ranavírus. A doença é letal para os anfíbios ainda na fase inicial da vida, quando são girinos, e nem todas as espécies são afetadas. O vírus também é letal para algumas espécies de répteis e peixes, como a tilápia.

— O caso observado em Guaramirim preocupa porque a espécie afetada é exclusiva da Mata Atlântica, só existe no Norte de Santa Catarina, no leste do Paraná e no Vale do Ribeira, entre Paraná e São Paulo. Como os anfíbios estão na base da cadeia alimentar, servem de alimento para muitas aves, mamíferos e répteis, e todos serão afetados — explica Germano.

O pesquisador ainda tenta identificar como o vírus chegou até a lagoa da reserva, mas garante que todas as medidas para evitar que o ranavirus se espalhe foram tomadas.

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— O grande problema é que o ranavirus não pode ser eliminado, pelo que se constatou nos Estados Unidos, onde este vírus está agindo há anos. Para evitar, é só a prevenção. Quando observar a mortalidade de girinos, deve-se comunicar às autoridades dos órgãos de agricultura — disse.

Além do ambientalista Germano Woehl Jr., participaram do estudo os pesquisadores Aline A. Fonseca, Julia A. L. Rico, Felipe Toledo e Karla M. Campião.

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