Mãe de vítima de SC em acidente da Voepass desabafa ao saber que empresa ignorou riscos de voo

Mecânico afirmou em reportagem do Fantástico que empresa sabia de problemas de manutenção em aeronave que caiu em agosto do ano passado, deixando 62 mortos

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Avião da Voepass caiu deixando 62 mortos em agosto de 2024 (Foto: Reprodução, redes sociais)

Avião da Voepass caiu deixando 62 mortos em agosto de 2024 (Foto: Reprodução, redes sociais)

Uma reportagem do programa Fantástico, da TV Globo, que trouxe o depoimento de um mecânico da companhia aérea Voepass, revoltou familiares de vítimas do fatídico voo que deixou 62 pessoas mortas, em 9 de agosto de 2024, incluindo passageiros de Santa Catarina. Os familiares cobram punições a responsáveis da empresa e da área de fiscalização.

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O profissional da Voepass, que não teve o nome revelado, atuou na empresa antes e depois do acidente em que a aeronave caiu na cidade de Vinhedo, no interior paulista. Segundo ele, o avião com prefixo PS-VPB, era conhecido como Papa Bravo (em referência às últimas letras do código de identificação) e era a aeronave que mais dava problemas na empresa.

— Era o avião que dava mais pane. A gente avisava que o avião estava ruim. A manutenção reportava, falava, avisava. E eles queriam obrigar a gente a botar o avião para voar — afirmou, em entrevista ao repórter Álvaro Pereira Júnior.

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Divulgações revoltam mãe de vítima de SC

As divulgações revoltaram familiares de vítimas do acidente da Voepass, incluindo de passageiros de Santa Catarina. A jornalista Adriana Ibba, mãe da pequena Liz Ibba dos Santos, de apenas 3 anos, que estava no avião com o pai e viria para Florianópolis mas morreu na queda da aeronave, é uma delas. Ela conta que já sentia e acreditava que a empresa teria falhado na prevenção, mas que o relato recente do ex-profissional da empresa deixou tudo mais cristalino.

— É lamentável, é revoltante. Tenho usado a força que tenho para correr atrás da verdade, e eu vou lutar, tenho lutado com unhas e dentes — afirma a mãe.

Ela cobra o papel de órgãos fiscalizadores como a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e afirma que o caso não foi uma fatalidade.

— Nós, enquanto consumidores, não tínhamos ideia da falta de fiscalização que existe — afirmou.

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A reportagem do Fantástico também mostrou imagens de aeronaves paradas em um aeroporto de Ribeirão Preto (SP), cidade-sede da companhia, que segundo o mecânico seriam usadas para fornecer peças a outros aviões que seguem voando, em processo que de acordo com ele ocorreria com irregularidades – algo que a empresa negou em nota enviada à emissora.

A reportagem também mostrou áudios e conversas de funcionários da Voepass criticando supostas falhas de segurança e manutenção das aeronaves por parte da companhia.

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Associação também se manifesta

Após a divulgação da reportagem, a Associação dos Familiares das Vítimas do Voo 2283, da Voepass, divulgou nota afirmando que inúmeras pessoas tinham conhecimento das condições precárias da aeronave e da possibilidade de que algo pior acontecesse.

“O único sentimento que nos permeia é de REVOLTA”, afirma a entidade, em um trecho da nota. “Nós temos absoluta certeza de que nossos familiares, se tivessem o mínimo de conhecimento sobre as condições da aeronave, NUNCA teriam entrado naquele avião da Voepass. Assim como temos CERTEZA de que se a empresa tivesse sido responsável com a segurança dos passageiros, aquele avião não teria decolado naquelas condições. Temos CERTEZA de que se as fiscalizações tivessem ocorrido de forma assídua e correta, nossos familiares não teriam partido daquela maneira dolorosa e cruel”, afirma outro trecho.

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Os familiares agora defendem o indiciamento e denúncia dos responsáveis ao final das investigações do caso, feitas pela Polícia Federal e pelo Cenipa, órgão da Aeronáutica.

Na semana passada, a Anac determinou a suspensão de todos os voos e atividades comerciais da Voepass. O motivo foi a “incapacidade da Voepass em solucionar irregularidades identificadas durante a supervisão realizada pela agência”.

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