Temporada de verão em SC tem invasão argentina, turistas mais velhos e média de gasto maior

Pesquisa da Fecomércio aponta mudança de perfil do público que procurou as praias catarinenses e proporção de um estrangeiro a cada três visitantes

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Praias de SC tiveram aumento de 40% no gasto médio dos turistas na temporada (Foto; Lucas Amorelli, Arquivo NSC)

Praias de SC tiveram aumento de 40% no gasto médio dos turistas na temporada (Foto; Lucas Amorelli, Arquivo NSC)

A temporada de verão 2024/2025 terminou com mudanças no perfil dos visitantes do Estado e saldo considerado positivo para o setor do turismo do litoral de Santa Catarina. Dados da pesquisa da Fecomércio SC, divulgados nesta sexta-feira (21), indicam a presença de um público mais velho e de poder aquisitivo superior em relação aos verões anteriores.

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O levantamento também confirma o que já vinha sendo constatado pelos visitantes nas cidades litorâneas de SC: a invasão argentina. Os “hermanos” predominaram nas praias catarinenses, especialmente nas cidades de Florianópolis e Balneário Camboriú.

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Outra constatação foi um aumento significativo do gasto dos turistas. Em média, cada grupo de visitantes desembolsou R$ 9.349, o que representa um aumento de 41% em relação à temporada 2023/2024, quando o valor médio gasto por pessoa foi de R$ 6.620. Para o presidente da Fecomércio SC, Hélio Dagnoni, é possível afirmar com segurança que a atual temporada de verão foi um sucesso.

— Nós tivemos as nossas praias lotadas durante todo o verão. Obviamente, o maior movimento ocorreu em janeiro e fevereiro, porém também tivemos ótimos índices em dezembro e em março. O tempo colaborou na maior parte do período e os turistas puderam aproveitar o que temos de melhor e também fazer as suas compras. Os setores do turismo e do comércio estão altamente satisfeitos e esperamos que o próximo verão possa ser tão bom ou até melhor do que esse — afirma o dirigente.

Turistas mais velhos e mudança de perfil

O verão também confirmou uma tendência crescente: a média de idade dos turistas que visitam Santa Catarina está cada vez mais alta. Nesta temporada, mais da metade dos visitantes (54,4%) tinha entre 41 e 60 anos. Historicamente, eles representavam 37,9%. Com isso, a idade média do turista que passa o verão em Santa Catarina ficou em 45 anos.

Os jovens, por sua vez, passaram a representar um percentual menor. Para se ter uma ideia, pessoas entre 18 e 25 representaram apenas 3,9% dos turistas nesta temporada – a média histórica era de 13,9%. A faixa etária de 26 a 30 anos também registrou uma queda, de 14% para 7,8%, e a de 31 a 40 anos diminuiu de 27,4% para 23,8%.

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Outro ponto observado pela pesquisa da Fecomércio foi o aumento da presença de grupos com maior renda. A maior parte dos turistas possuía renda familiar entre cinco e oito salários mínimos. Nessa faixa, o percentual saltou de 24,6% para 30,8%. As famílias com renda ente oito e 10 salários mínimos foram de 12,6% para 18,6%. A faixa entre 10 e 15 salários mínimos passou de 9,6% para 13,9%. Também ficou em 13,9% a taxa daqueles que ganham acima de 15 salários mínimos (anteriormente eram 7,3%).

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Diminuição entre público de renda menor

Em contrapartida, as faixas que recebem menos de cinco salários mínimos caíram de 45,9% do total na média histórica para 23,6% nesta temporada. Segundo a analista de pesquisas da Fecomércio SC, Daniele Cruz, é possível perceber uma clara alteração no perfil socioeconômico dos turistas que frequentam o litoral catarinense.

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— Nossos turistas estão ficando mais velhos e também passamos a receber grupos familiares ou de amigos com maior poder aquisitivo. Isso é bastante interessante para setores como o hoteleiro e o comércio, pois são pessoas que gastam mais — afirma Daniele.

Um exemplo disso foi o gasto médio com compras, que aumentou 81% da temporada passada para essa. Em valores corrigidos, os grupos de turistas desembolsaram, em média, R$ 1.050 em compras contra R$ 579 no verão passado. Os locais de compra mais citados pelos turistas foram o comércio das praias (lojas), com 38,8%, seguido pelo comércio do Centro da cidade (33,4%), shopping centers (14,1%) e ambulantes (13,7%).

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Os gastos com hospedagem cresceram 10%, com a média passando de R$ 4.175 para R$ 4.580, enquanto os desembolsos com alimentação saltaram 38% (de R$ 2.063 para R$ 3.338).

Invasão estrangeira

Os turistas estrangeiros vieram em peso para o litoral catarinense no verão 2024/2025. O maior destaque foi para os argentinos, que representaram 28,8% do total de visitantes desta temporada. Em seguida, aparecem os uruguaios (2,8%), paraguaios (2,3%) e chilenos (0,8%). Turistas de outras nacionalidades representaram 0,4%.

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Se somados, os estrangeiros constituíram 35,2% dos visitantes. Trata-se do maior percentual entre todas as pesquisas já realizadas pela Fecomércio SC, publicadas desde 2013. Essa taxa é ainda maior em cidades como Florianópolis e Balneário Camboriú.

Na capital catarinense, por exemplo, os estrangeiros foram a maioria entre os visitantes nessa temporada, respondendo por 55%. Os argentinos foram os líderes e representaram 45,5% do total. Já em Balneário Camboriú, os argentinos representaram quase um terço dos visitantes (29,3%).

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— Também é preciso destacar que o turista argentino gastou cerca de 35% a mais do que a média dos demais visitantes. O câmbio está bastante favorável para eles. Isso fez com que víssemos cenas como aquelas de filas imensas de argentinos nas lojas de roupas e departamentos, por exemplo — destaca Hélio Dagnoni, presidente da Fecomércio.

Maioria ainda vem de carro

De cada quatro turistas que visitaram Santa Catarina, três vieram de carro próprio (75,6% do total). Esse percentual fica acima da média histórica, que é de 70,7%. Os visitantes que chegaram por via aérea foram 9,7% do total. A temporada registrou um aumento significativo na proporção de turistas utilizando ônibus ou serviços similares fretados, saltando de uma média histórica de 3,0% para 8,1%.

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A pesquisa da Fecomércio-SC ouviu 1.200 turistas e 600 empresários entre os meses de janeiro e março.

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