A Polícia Civil abriu um inquérito por injúria após a família de Vitória Chaves da Silva prestar queixa na delegacia e acionar o Ministério Público para denunciar duas estudantes de medicina que publicaram um vídeo nas redes sociais ironizando a paciente. A jovem morreu em fevereiro em São Paulo após lutar contra uma cardiopatia congênita. Com informações do g1.
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Nesta terça-feira (8), a mãe de de Vitória Chaves da Silva foi até a delegacia, onde foi ouvida e, então, foi aberto o inquérito, contou o delegado Marco Antonio Bernardo, do 14º Distrito Policial.
“Primeiro foi feito um boletim de ocorrência não criminal, já que o vídeo não cita o nome de Vitória e não houve um crime cometido. A mãe veio novamente, a ouvimos e, então, como ela estava se sentindo ofendida com o conteúdo publicado referente à filha, se sentindo difamada com as informações divulgadas, instauramos inquérito por injúria em uma ação penal privada”, diz.
Ainda conforme o delegado, as alunas serão intimadas para prestarem depoimento na delegacia nos próximos dias.
“Já ouvimos a mãe e vamos querer ouvir as alunas e representantes do hospital também nos próximos dias. E mesmo com o inquérito instaurado, a família de Vitória pode entrar com uma ação civil por danos morais”, disse.
Entenda o caso
Um TikTok feito por duas estudantes de medicina resultou em uma queixa na delegacia e em uma ação no Ministério Público na última terça-feira. Na publicação, as duas falam sobre os três transplantes de coração feitos por Vitória Chaves na unidade médica. Elas afirmam que a recuperação de um deles não foi bem-sucedida porque a jovem não tomou os medicamentos corretamente. A família pede uma retratação.
Segundo a irmã da paciente, o vídeo foi publicado no dia 17 de fevereiro deste ano, nove dias antes de Vitória morrer por choque séptico e insuficiência renal crônica. O TikTok chegou à família dela somente na semana passada.
— Um amigo dela [da Vitória] que mora na Holanda reconheceu a história e nos enviou. Ficamos em choque quando descobrimos. As duas estudantes fizeram estágio de 30 dias na instituição [Incor]. Nem chegaram a conhecer a minha irmã. Nunca foram vê-la. Por conta dessa desinformação, as pessoas passaram a criticar minha irmã — disse Giovana Chaves, ao g1.
Até a última atualização da reportagem, o g1 não conseguiu contato com as estudantes de medicina que aparecem no vídeo.
Luta de Vitória teve início na infância
Vitória nasceu em Luziânia, em Goiânia, e foi diagnosticada com grave cardiopatia congênita chamada Anomalia de Ebstein, uma doença rara que afeta a válvula do coração. Na época, os médicos a deram 15 dias de vida.
Aos quatro anos, ela foi para São Paulo depois de passar por várias cirurgias e complicações. Ela teve uma parada cardíaca durante um cateterismo, e foi diagnosticada com a necessidade de um transplante de coração. Depois de passar um ano e quatro meses na fila, realizou o primeiro transplante em 2005, no Incor, quando tinha cinco anos.
Dez anos depois, a jovem voltou a ter problemas. Isso fez com que ela tivesse que passar por um novo transplante, em 2016, uma vez que o coração funcionava apenas 3%. Na ocasião, o Profissão Repórter mostrou o caso dela novamente.
Em 2023, ela teve que passar por transplante de rim e voltou para a fila novamente para um novo coração. O terceiro transplante foi em 2024. Em fevereiro de 2025, Vitória morreu por insuficiência renal crônica e choque séptico. Ela estava na UTI do Incor havia um ano e nove meses.
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