Autismo é genético? Por que é tão difícil entender a condição

Apesar de avanços na ciência, a enorme diversidade genética e os múltiplos fatores envolvidos tornam difícil desvendar as causas do transtorno do espectro autista

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Especialistas acreditam que entender melhor a interação entre genes e ambiente é a chave para futuras descobertas (Foto: Banco de imagens).

O autismo, ou Transtorno do Espectro Autista (TEA), é uma condição neurodesenvolvimental complexa que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Apesar de décadas de pesquisa, os cientistas ainda enfrentam desafios significativos para entender completamente as causas genéticas do autismo.

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Estudos indicam que fatores genéticos desempenham um papel substancial, com estimativas de hereditariedade variando entre 80% e 90%. No entanto, a identificação dos genes específicos envolvidos e a compreensão de como eles interagem permanecem tarefas complexas.​ Isso tudo devido à diversidade de mutações envolvidas, à interação com fatores ambientais e à variabilidade individual dos sintomas.

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Embora os avanços científicos tenham proporcionado uma compreensão mais profunda dos mecanismos genéticos subjacentes, ainda há um longo caminho a percorrer para traduzir esse conhecimento em diagnósticos precisos e tratamentos eficazes. Veja a seguir mais sobre o assunto e ainda entenda como a continuidade da pesquisa interdisciplinar é essencial para desvendar os segredos do autismo e melhorar a qualidade de vida das pessoas afetadas por essa condição.

Saiba mais sobre os desafios genéticos do autismo

Por que há tanta complexidade genética do autismo?

Pesquisas recentes identificaram mais de 100 genes associados ao TEA, incluindo 49 ligados a formas mais graves de atraso no neurodesenvolvimento. Esses genes estão envolvidos em diversas funções cerebrais, como a regulação da serotonina e a migração neuronal durante o desenvolvimento do cérebro. Por exemplo, o gene RELN, responsável pela produção da proteína relina, desempenha um papel crucial na formação de estruturas cerebrais como o córtex cerebral, o hipocampo e o cerebelo.

Além disso, estudos revelaram que muitas das mutações genéticas associadas ao autismo são únicas para cada indivíduo ou família, tornando difícil estabelecer padrões claros. As variações no número de cópias (CNVs) de segmentos de DNA, por exemplo, são comuns em pessoas com autismo, mas raramente se repetem entre diferentes indivíduos.

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Avanços tecnológicos e perspectivas futuras

O avanço das tecnologias de sequenciamento genético tem permitido uma análise mais detalhada do genoma humano, facilitando a identificação de mutações associadas ao autismo. Pesquisas utilizando organoides cerebrais, que são estruturas tridimensionais cultivadas em laboratório a partir de células-tronco, têm proporcionado insights sobre como mutações específicas afetam o desenvolvimento neuronal.

No Brasil, iniciativas como a do Hospital das Clínicas de São Paulo estão explorando o uso de células-tronco derivadas de dentes de leite de crianças autistas para estudar o desenvolvimento neuronal e potencialmente desenvolver terapias futuras.

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