SC lidera incidência de câncer colorretal, como o de Preta Gil, entre estados do Brasil

Estado tem 25,35 casos por 100 mil habitantes, a maior taxa entre todas as unidades da federação, de acordo com o Inca

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Preta Gil recebendo medicamento na veia (Foto: Redes sociais, Reprodução)

Câncer colorretal, como o que causou a morte de Preta Gil, no último domingo (20), é o terceiro tumor mais comum em Santa Catarina (Foto: Redes sociais, Reprodução)

O câncer colorretal, como o que causou a morte de Preta Gil, aos 50 anos, no último domingo (20), é o terceiro tumor mais comum em Santa Catarina, atrás do de mama e de próstata. De acordo com a última estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Estado teve 2.470 casos em 2023 – sendo 1.270 em homens e 1.200 em mulheres. Isso representa um risco de 25,35 casos por 100 mil habitantes, a maior taxa entre todas as unidades da federação e acima da média nacional.

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No Brasil, a incidência médica de câncer colorretal é de 21,10 casos por 100 mil habitantes. De acordo com o oncologista Bruno Ramos, coordenador da Oncologia do Hospital Santo Antônio, de Blumenau, a maior prevalência em Santa Catarina pode estar associada a fatores sociais, como o maior acesso a serviços de saúde (que aumentam o número de diagnósticos) e maiores índices de obesidade.

Também existe uma potencial questão genética, devido à maior presença de uma mutação que predispõe ao câncer nas regiões Sul e Sudeste, chamada de Síndrome de Li-Fraumeni, conforme o especialista.

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— Essa mutação é como se fosse uma perda de um “revisor” do nosso código genético. Fica muito mais fácil o corpo deixar passar despercebida uma célula de câncer — explica Bruno Ramos, que também é pesquisador no Centro Catarinense de Pesquisa (Cecap).

Câncer colorretal aumenta na população mais jovem

Embora tradicionalmente associado a pessoas mais velhas, o câncer de intestino tem aparecido cada vez mais cedo — como aconteceu com Preta Gil, diagnosticada em 2023, aos 48 anos. Segundo o oncologista Bruno Ramos, o aumento do câncer na população mais jovem está relacionado a fatores como dieta rica em alimentos ultraprocessados, baixo consumo de fibras, sedentarismo e obesidade.

Em termos de letalidade, o câncer colorretal é mais agressivo do que os de mama e próstata, embora menos do que o de pulmão.

— A gordura funciona ali como um inflamatório. Então a pessoa acaba com o organismo sempre inflamado e o corpo acaba não reconhecendo possíveis células tumorais para eliminar elas a tempo — explica Bruno Ramos.

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Além disso, o uso excessivo de antibióticos, seja por medicação ou exposição ambiental, pode desequilibrar a microbiota intestinal, aumentando o risco, conforme o especialista.

— Existe também uma pouca aceitação dos exames de acompanhamento. A população acaba não buscando a prevenção à saúde e fazendo os exames de colonoscopia — pontua.

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Sintomas que chamam atenção

Segundo o oncologista Bruno Ramos, existem vários tipos de câncer colorretal. Os mais perigosos são os maiores e que já avançaram para a parte linfonodal, pois há risco maior de metástase:

— Acaba que muitas vezes a gente acaba diagnosticando o câncer colorretal quando o paciente já está com a doença espalhada para a região do fígado. E aí as chances de cura são muito menores. Não são inexistentes, mas são menores, assim como na região do pulmão.

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Entre os sintomas que merecem atenção estão sangue nas fezes (visível ou detectável apenas em exames), anemia sem causa aparente e alterações persistentes no funcionamento do intestino, como prisão de ventre ou diarreia. No entanto, o médico ressalta que o ideal é não esperar o aparecimento de sinais alarmantes.

— A colonoscopia permite que os médicos identifiquem pequenas lesões muito precoces e benignas por dentro do intestino. E não só permite que se identifique essas alterações, mas também que já se faça o tratamento. Ou seja, pela colonoscopia, o médico consegue retirar esses pólipos, que é como se fossem pequenas verruguinhas na região do intestino que, se forem deixadas ali, podem acabar evoluindo para algum câncer — diz.

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A recomendação atual é que pessoas sem histórico familiar comecem o rastreamento aos 45 anos. No entanto, quem tem casos de câncer colorretal na família, especialmente em parentes jovens, deve conversar com um médico sobre a possibilidade de antecipar os exames. Para quem tem receio da colonoscopia, uma alternativa inicial é o exame de sangue oculto nas fezes, que, se positivo, indica a necessidade de uma investigação mais detalhada.

— É um exame muito simples e que serve bastante para triagem do câncer colorretal. Se esse exame vier positivo e aparecer realmente a presença de sangue nas fezes, daí o ideal é se fazer uma colonoscopia — pontua.

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O NSC Total pediu dados atualizados de câncer colorretal em Santa Catarina para a Secretaria do Estado de Saúde (SES), que não retornou as informações até o fechamento desta reportagem.

Veja fotos de Preta Gil

Entenda o câncer de Preta Gil

Preta Gil recebeu o diagnóstico de um câncer no intestino em janeiro de 2023 e passou pelo tratamento quimioterápico. Em agosto daquele ano, ela passou por uma cirurgia e, em dezembro, comemorou o fim desta etapa.

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No entanto, em agosto de 2024, a cantora voltou a receber o diagnóstico da doença, e recomeçou o tratamento. Em exames de monitoramento, ela foi diagnosticada com dois tumores nos linfonodos, estruturas que atuam na remoção de impurezas e na defesa do organismo; um nódulo no ureter, tubos que transportam a urina dos rins para a bexiga; e metástase no peritônio, câncer espalhado pela membrana que protege os órgãos abdominais.

Assim, foi preciso reiniciar o tratamento, que foi interrompido em novembro para passar por uma cirurgia de urgência, para substituir um cateter usado para drenar a urina do rim para a bexiga. Ela foi diagnosticada com cálculos renais após sentir dores na região dos rins.

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O tratamento não surtiu o efeito esperado e uma nova cirurgia para a retirada dos tumores foi recomendada. O procedimento cirúrgico durou 21 horas e Preta ficou internada desde então.

Por recomendação da equipe médica, a cantora foi para os Estados Unidos para uma consulta com uma especialista nos tipos de tumor que ela tinha, em busca de alternativas para o tratamento pós-cirúrgico. No final de janeiro, ela anunciou que passaria a usar uma bolsa de colostomia definitiva.

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