A Polícia Civil de Santa Catarina conseguiu recuperar mais celulares roubados e furtados em 2024, em relação ao ano anterior, de acordo com dados divulgados pelo Anuário de Segurança Pública. Ao todo, foram 2.537 aparelhos encontrados, o que representa um aumento de 136% em comparação aos 1.073 celulares recuperados em 2023. Entretanto, o documento também revela que menos celulares foram devolvidos aos donos pelas polícias.
Isso quer dizer que, mesmo recuperados, os proprietários dos aparelhos roubados ou furtados nunca tiveram acesso novamente aos celulares, seja por não terem sido localizados pela Polícia Civil, ou porque não foram buscar nas delegacias. De acordo com dados do Anuário, em 2024 foram 1.081 celulares entregues aos donos, contra 2.529 em 2023, o que representa uma diminuição de 57%.
Em relação aos roubos ou furtos, também houve redução em Santa Catarina: em 2024, 20,6 mil aparelhos foram roubados ou furtados, 6,74% a menos que no ano anterior.
A jornalista Ana Beatriz Quinto, de 26 anos, lembra com detalhes como foi assaltada na porta de casa em um domingo que parecia tranquilo, por volta das 10h, em Florianópolis, em 2019. Ela estava saindo de seu condomínio, usando fones de ouvido, quando um homem que pilotava uma moto a abordou.
O suspeito dizia estar armado e a mandou entregar todos os pertences, incluindo o celular. Com medo, a jovem deu o celular, mas ele insistiu para que ela desbloqueasse o aparelho para que ele pudesse ter acesso aos aplicativos de banco. A jovem fez o que ele pediu e correu para o lado contrário, entrando em um dos prédios para pedir ajuda.
Ana ficou com tanto medo que decidiu não ir a delegacia e, por isso, não conseguiu o celular de volta. Entretanto, o delegado regional da Grande Florianópolis, Pedro Mendes, explica que a vítima deve procurar imediatamente a delegacia mais próxima para fazer um boletim de ocorrência.
Dados como telefone e e-mail são essenciais
No boletim, a polícia orienta que a vítima indique seu número de telefone e e-mail, pois esses dados também estão presentes na nota fiscal ou na caixa do telefone, segundo o delegado, e a partir disso, a Polícia Civil entra em contato com as operadoras de telefonia para tentar, de alguma forma, localizar o telefone.
Outra forma de encontrar o telefone é por meio de aplicativos de busca instalados no próprio aparelho. Santa Catarina está ao lado de estados como Tocantins, Roraima, Rondônia, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Goiás e Amapá que não possui programas específicos de recuperação de celulares.
— O papel da vítima nesses casos é de suma importância para a Polícia Civil conseguir êxito na localização dos telefones. Em 2025, por exemplo, foram inúmeras ocorrências em que a vítima teve o telefone subtraído, procurou a delegacia e nos ajudou a localizar o telefone através desses aplicativos de busca que geralmente estão instalados nos telefones — explica.
O que acontece com os telefones que não são devolvidos?
De acordo com o delegado, os celulares ficam apreendidos na delegacia por cerca de um ano, dependendo da unidade. Depois desse período, os delegados pedem autorização para encaminhar os aparelhos para destruição.
Programa Celular Seguro
Nacionalmente, já existe o programa “Celular Seguro”, em que mensagens automáticas são enviadas por WhatsApp a celulares que tiverem sido cadastrados como roubados, furtados ou perdidos e que tiverem chip trocado posteriormente.
Dessa forma, sempre que um chip novo for inserido em um celular cadastrado como roubado, furtado ou perdido, o aparelho recebe uma mensagem de alerta dos números do Ministério da Justiça e Segurança Pública (61) 2025-3000 ou (61) 2025-3003.
Depois disso, a pessoa que receber a mensagem precisará comparecer a uma delegacia de polícia com a nota fiscal ou documento que comprove que é o proprietário do celular. Se não conseguir comprar, ela deve devolver o aparelho.
Até abril de 2025, 2,4 mil alertas de bloqueios já haviam sido feitos em Santa Catarina, sendo 680 por roubo, 921 por furto e 785 por perda.
Veja como se cadastrar no Celular Seguro
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