O Brasil é o único país do mundo em que a pauta política conduziu a questão tarifária. Se de um lado o imprevisível Donald Trump lida com as demais nações com o tarifaço sendo tratado de forma econômica; no Brasil, é diferente: o maior argumento do ocupante da Casa Branca é a liberdade, a perseguição política contra Jair Bolsonaro e a atuação enviesada do Supremo Tribunal Federal (STF).
A coluna conversou com professores e políticos com experiência em relações internacionais. Jair Bolsonaro é o pano de fundo para algo maior e que é o real interesse de Washington: reconquistar a influência na América Latina e diminuir a presença cada vez maior chinesa na região.
Evidente que não faz nenhum sentido a tese de Trump em condicionar tarifas às decisões do STF. Por mais parciais que tenham sido, fora do institucionalidade e do ordenamento jurídico, isso cabe ao próprio país resolver, e não a uma nação estrangeira.
É verdade, também, que o discurso típico de esquerda de grêmio estudantil do presidente Lula não ajuda. Vale lembrar que uma semana antes do Tarifaço, na reunião dos Brics, o petista defendeu a desdolarização e reforçou o discurso infantil contra os Estados Unidos, o segundo maior parceiro comercial do Brasil.
As fontes ouvidas pela coluna apontam que Trump busca através de um alinhamento com a direita retomar a influência na América Latina. Zera tarifas com a Argentina de Javier Milei e busca pressionar o Brasil, cada vez mais alinhado com os asiáticos.
A presença econômica chinesa não apenas na venda de produtos, mas como parceira estratégica em infraestrutura pesada e entrando com tecnologia de ponta assustam os americanos. Evidente que a questão econômica é importante (EUA são superavitários na relação comercial com o Brasil), mas o ponto central é geopolítica.
É o temor de perder influência na América Latina para os chineses, e o Brasil é o maior líder regional. Por isso, o ataque. Bolsonaro é apenas um pretexto para algo muito maior na estratégia da Casa Branca.
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