Santa Catarina foi o quinto estado em que mais crianças e adolescentes foram adotados de 2019 a 2025, de acordo com dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ao todo, foram 2.610 meninos e meninas adotados no Estado, com 16 deles sendo adoções internacionais — ou seja, para outro país. Porém, existe um padrão, revelado pelo painel do CNJ.
Mais da metade das crianças e adolescentes que passaram pelo processo de adoção é considerada branca. Foram 1.660 jovens brancos adotados, o que representa cerca de 63,4% do total. Em seguida, a segunda etnia com mais crianças e adolescentes adotados é a parda, onde 683 meninos e meninas foram adotados (cerca de 26,1%). Já pretos e amarelos representam a minoria dos adotados: ao todo, são 184 jovens destas etnias, segundo o sistema. Não foi informada pelo sistema a etnia de outros 83 jovens.
Em relação ao gênero, meninos foram mais adotados. Foram 1.379 adotados, ante 1.231 meninas que passaram pelo processo de adoção.
Outro dado também chama a atenção: 37% das crianças adotadas tinham até dois anos de idade — cerca de 987 crianças. Sendo que a faixa etária de crianças mais novas, até os oito anos, ainda é a mais requisitada por quem adota. Somando a quantidade de jovens adotados até esta idade, totaliza-se 2.039 crianças, o que representa 77%, já contando com os bebês de até dois anos. E ainda, apenas sete meninos e meninas eram maiores de 16 anos.
Crianças sem irmãos também são preferidos por pais adotantes. De 2019 até 2025, foram 1.222 crianças e adolescentes adotados que não tinham irmãos. Segundo o painel, 600 tinham um irmão, 409 tinham dois, 212, três, e 164 tinham mais de três irmãos.
Outro padrão seguido, de acordo com os dados, é a preferência por crianças sem deficiência. Cerca de 2.501 das que foram adotadas não tinham nenhum tipo de deficiência, o que equivale a 95,8%. Já 2,4% — 62 crianças e adolescentes — tinham deficiência intelectual, e outras 24 tinham deficiência física. Com deficiência física e intelectual, foram 23 jovens adotados.
Também foram adotadas mais crianças e adolescentes sem doenças infectocontagiosas. Dos 2.607 adotados, somente 48 estavam inseridos nesse contexto, o que representa 1,8%. A maioria também não tinha problemas de saúde.
As crianças e adolescentes que ainda esperam ser adotados
Atualmente, Santa Catarina é o 6° estado com mais crianças disponíveis ou vinculadas para adoção, com 262 jovens aptos. Quando se trata de etnia, há mais crianças e adolescentes brancas, com 55,7%, seguidas por jovens pardos, que representam 39,7% dos que esperam ser adotados.
Mais meninos também estão disponíveis, com 50,4% ante 49,6% de meninas em casas de acolhimento, segundo o painel do CNJ. 18,3% possuem deficiência intelectual, 3,8% deficiência física e intelectual, e 1,1% deficiência física.
A maioria é maior de 16 anos, com 67 adolescentes acolhidos. Outros 135 têm mais de 10 anos de idade. Quando se trata de crianças mais novas, cerca de 60 têm menos de 10 anos, com 11 delas tendo até dois anos.
Atualmente, Santa Catarina tem 2.672 pretendentes ativos, número muito maior do que de crianças a adolescentes aptos. A maioria dos pretendentes é de casais com casamento civil, heterossexuais, com renda de 5 a 10 salários mínimos. A maioria dos casais quer crianças brancas, de 4 a 6 anos, de qualquer gênero, sem deficiência física, e sem doenças, de acordo com o painel do CNJ.
Na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), existe um projeto que promove encontros reflexivos para acolher e apoiar pais e mães que procuram por maneiras de enfrentar os desafios da adoção. O grupo é voltado para pessoas que já passaram pelo processo de adoção e estão em estágio de convivência, guarda provisória ou definitiva de seus filhos e filhas.
A coordenadora Andreia Giacomozzi explica que o projeto busca, também, conscientizar pais por adoção, que estão se preparando para passar pelo processo, sobre o perfil das crianças que estão disponíveis para adoção, saindo da idealização.
— Queremos que os pais tenham uma reflexão bastante madura, que não seja uma reflexão rápida e leviana, para poder entender e dar conta daquilo que cada um consegue, […] enquanto eles esperam durante anos para uma criança que ainda não nasceu, outras crianças que estão lá nos abrigos estão ficando cada vez com menos chance de ter uma família — explicou.
O grupo abrirá novas inscrições para interessados no dia 22 de setembro, com encontros nos dias 16 e 30 de outubro, 13 e 27 de novembro, e 11 de dezembro.
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