O presidente Lula (PT) deve anunciar o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) como novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, no lugar de Márcio Macêdo (PT). A decisão, informada a ministros e dirigentes do PT, será formalizada na volta da viagem do presidente aos Estados Unidos. As informações são da Folha de S.Paulo.
O nome de Boulos é avaliado por Lula desde o início do ano. Um dos objetivos do presidente é reanimar a base social para 2026, com ênfase na juventude. A entrada do deputado federal também ajudaria no crescimento de Lula nas redes sociais.
Guilherme Boulos foi o deputado mais votado de São Paulo nas eleições de 2022. Em 2024, ele concorreu à prefeitura da capital paulista, mas acabou derrotado no segundo turno por Ricardo Nunes.
A Secretaria-Geral da Presidência é responsável pela interlocução do governo com movimentos sociais. Com a mudança, a pedido de Lula, o PT de Sergipe se empenhará na campanha de Márcio Macêdo como deputado nas eleições do ano que vem.
Lula na Assembleia da ONU
Lula está em Nova Iorque, nos Estados Unidos, para participar da Assembleia Geral da ONU. Nesta terça (23), ele abriu o Debate Geral com um discurso em que falou sobre as sanções dos Estados Unidos contra o Brasil e citou a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe. Também criticou os ataques à soberania brasileira e afirmou que a democracia no país é “inegociável”.
— Falsos patriotas arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil. Não há pacificação com impunidade — afirmou Lula.
O presidente brasileiro também destacou que o Brasil saiu do mapa da fome, pediu a redução dos gastos com guerra em favor de mais investimentos na área social e disse que “a pobreza é tão inimiga da democracia quanto o extremismo”. Lula também defendeu a regulação das redes sociais, como forma de evitar crimes.
— Regular [as redes] não é restringir liberdade de expressão, é garantir que o que já é ilegal no mundo real seja tratado assim também no mundo virtual. Ataques à regulação serve para atender interesses escusos e dar guarida a crimes como fraudes, tráfico de pessoas, pedofilia e investidas contra a democracia — afirmou.
Lula foi aplaudido ao menos cinco vezes no discurso: ao defender a soberania brasileira, ao falar do genocídio em Gaza, do Estado da Palestina e da defesa do chamado “Sul Global”. Na segunda parte do discurso, o presidente defendeu uma solução de paz para os conflitos na Ucrânia e em Gaza. Também falou sobre o reconhecimento do Estado da Palestina, que nas últimas semanas ganhou a adesão de países como a França.
— Em Gaza, fome é usada como arma de guerra e o deslocamento forçado de populações é praticado impunemente. Quero expressar minha admiração aos judeus que dentro e fora de Israel se opõem a essa punição coletiva. O povo palestino corre o risco de desaparecer. Só sobreviverá como Estado independente integrado à comunidade internacional. Essa é a solução defendida por mais de 150 membros da ONU, reafirmada ontem aqui neste mesmo plenário, mas obstruída por um único veto — afirmou, citando a restrição norte-americana.
Leia também
“Concordamos em conversar na próxima semana”, diz Trump após encontro com Lula na ONU
