Sensação de impotência, revolta e vergonha. É assim que Lêda Raquel Manzke Pisetta, mãe do catarinense Bernardo Pisetta, uma das 10 vítimas que morreram no incêndio no Ninho do Urubu, usado como centro de treinamento do Flamengo, no Rio de Janeiro, há seis anos, define a indignação com a absolvição dos réus envolvidos na tragédia. Ao todo, sete pessoas foram absolvidas por falta de provas suficientes de que eles tiveram relação direta com a ocorrência do incêndio.
Nas redes sociais, Lêda frisou que a tragédia, ocorrida em 8 de fevereiro de 2019, “poderia e deveria ter sido evitada”. Na época, Bernardo, natural de Indaial, no Vale do Itajaí, tinha 14 anos, e era goleiro de um dos times da base do Flamengo.
“Rezar para que nenhum atleta em busca do seu sonho precise passar por isso novamente…
Que nenhuma família que acredita, apoia, incentiva e vive esse sonho junto, precise entregar seu bem maior”, escreveu Lêda. O filho dela foi morar no Rio de Janeiro para viver o sonho de ser jogador profisisonal.
A decisão para absolvição dos réus foi publicada na terça-feira (21). O Ministério Público do Rio de Janeiro informou que deve recorrer da decisão.
O pai de Bernardo, Darlei Pisetta, ressaltou ao g1 o sentimento de impotência:
— A gente se sente um lixo. São os nossos filhos. E alguém tira a vida dos nossos filhos, e nada acontece. Isso não é justo. Não tem cabimento. Ficamos sem palavras. É revoltante […] Todos nós estamos sofrendo, principalmente quando vem um tipo de notícia dessas, que nada foi feito. É muito angustiante isso.
“Indignada”
Outro catarinense também estava entre as vítimas. Vitor Isaías era de Florianópolis e tinha 15 anos, usava a camisa 9 rubro-negra, e vinha se destacando cada vez mais antes do incêndio. Josete Itavalda Adão, mãe do adolescente, se diz indignada com a decisão, mas ainda tem esperança.
— Eu acho um absurdo. Não tenho muitas palavras para falar. Estou indignada. A falta do meu filho dói muito […] Eu creio e confio na Justiça. A Justiça tarda, mas não falha — afirmou Josete.
Veja fotos dos catarinenses
Relembre a tragédia
Ao todo, 10 jovens atletas das categorias de base do Flamengo morreram no incêndio no Centro de Treinamento, que iniciou em um aparelho de ar condicionado, que ficava ligado 24 horas por dia no loca. Eles dormiam dentro e um contêiner — uma instalação provisória dentro do CT —, quando o fogo começou.
O local não tinha alvará de funcionamento, de acordo com a Prefeitura do Rio de Janeiro. As vítimas tinham entre 14 e 16 anos. Outras três pessoas ficaram feridas. Veja quem foi absolvido na decisão desta terça-feira:
- Antônio Marcio Mongelli Garotti, diretor-financeiro do Flamengo;
- Marcelo Maia de Sá, engenheiro civil e diretor-adjunto de Patrimônio do Flamengo;
- Claudia Pereira Rodrigues, diretora administrativa e comercial da Novo Horizonte Jacarepaguá, a NHJ, responsável pela instalação dos contêineres;
- Danilo da Silva Duarte, engenheiro de Produção na Diretoria Operacional da NHJ;
- Fabio Hilario da Silva, engenheiro eletricista na NHJ;
- Weslley Gimenes, engenheiro civil na NHJ;
- Edson Colman da Silva, sócio-proprietário da Colman Refrigeração, responsável pela instalação dos aparelhos de ar condicionado no CT.
Outras quatro pessoas já tinham tido decisões favoráveis: Luiz Felipe Almeida Pondé, Carlos Renato Mamede Noval, Marcus Vinicius Medeiros e Eduardo Carvalho Bandeira de Mello.






