Quem mora em Santa Catarina já reparou: o verão parece não querer ir embora. E, pelo que mostram os modelos meteorológicos, o calor não deve desaparecer tão cedo. Frio mesmo, com cara de inverno, ainda que tímido, somente a partir de maio, analisam meteorologistas catarinenses.
A avaliação foi feita nesta quinta-feira (26) pelo Fórum Climático, grupo formado por meteorologistas de diferentes instituições, entre elas a Defesa Civil e Epagri/Ciram, que se reúne mensalmente para entender como deve ser o comportamento do clima do próximo trimestre.
Com base nas projeções de diferentes modelos, inclusive internacionais, os profissionais concluíram que, no geral, a temperatura ficará acima da média entre abril e junho. Isso não significa, claro, que não haverá momentos de “trégua”, já que é uma característica do outono — que começou há uma semana — ter a chamada amplitude térmica: madrugadas e extremos do dia mais frescos e tardes mais aquecidas.
Ainda não há indicativo de frio extremo e prolongado. As temperaturas mais baixas provavelmente vão surgir em maio, mas com curta duração (dois dias seguidos, por exemplo). Aos poucos, o tempo vai ganhando os ares de outono e deixando o verão para trás.
Prova disso é o comportamento das chuvas. Os frequentes temporais já estão perdendo força e, em abril e maio, a tendência é de chuva dentro ou até abaixo da média, especialmente no Oeste. Porém, pontos isolados com volumes maiores não são descartados. O que ocorre é que as tempestades devem dar lugar a precipitações mais abrangentes e menos “explosivas”.
Junho ainda deixa bastante dúvidas sobre a quantidade de chuva, com os modelos divergindo sobre o que esperar do mês que marca a chegada do inverno. A maioria, porém, indica uma tendência de aumento em relação a abril e maio.
Por trás de todo esse cenário há a influência de diferentes fenômenos. Um dos mais importantes é a La Niña, que já está sendo substituída pela neutralidade, característica que deve permanecer até o inverno. A estação mais fria do ano deve marcar a chegada de um novo El Niño.
O que é La Niña e El Niño
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o El Niño é o nome dado ao aumento na temperatura da superfície da água no Oceano Pacífico Equatorial, perto do Peru, fazendo ela evaporar mais rápido. O ar quente sobe para a atmosfera, levando umidade e formando uma grande quantidade de nuvens carregadas.
Com isso, no meio do Pacífico chove mais, afetando a região Sul do Brasil, pois a circulação dos ventos em grande escala, causada pelo El Niño, também interfere em outro padrão de circulação de ventos na direção Norte-Sul. Essa interferência age como uma barreira, impedindo que as frentes frias, que chegam pelo Hemisfério Sul, avancem pelo país. Logo, elas ficam concentradas por mais tempo na região Sul.
O contrário, o resfriamento dessas águas, é chamado de La Niña. Normalmente, o El Niño perde força, a temperatura no oceano volta ao “normal” — o chamado período de neutralidade — e gradativamente vai ficando mais fria, entrando no La Niña, ou mais quente, voltando para o El Niño.
Os efeitos do La Niña para Santa Catarina são o oposto do outro fenômeno, já que as chuvas caem em menor volume no Estado.










